

No Riffugo de hoje o nosso alvo é o Virtual XI (1998), o momento em que os Iron Maiden, uma das maiores instituições do género, decidiram que o futuro não era o metal, mas sim o terreno instável da era digital e a cultura dos estádios de futebol.
Foi um ano peculiar. Entre videojogos que prometiam o mundo (Ed Hunter) e fotos promocionais a jogar à bola, a banda parecia mais preocupada em parecer relevante num mercado que já tinha seguido em frente do que em compor. O Virtual XI é a prova de que nem sempre a ambição de modernizar uma lenda corre bem. Entre arranjos que se arrastam até ao infinito e uma produção que deixa o ouvinte a pedir clemência, estamos perante um desastre tático sem precedentes na discografia da Donzela de Ferro.
Neste episódio, abrimos o Virtual XI para entender o que aconteceu: a tortura psicológica de canções com refrões repetidos até à exaustão, a voz de Blaze Bayley a lutar uma batalha perdida contra composições que não foram feitas para o seu registo, e o mistério de temas que a própria banda tentou esconder, banindo-os do repertório ao vivo assim que as luzes do palco se apagavam.
Alinhamento do Episódio
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The Angel and the Gambler – O hino à repetição obsessiva; quase 10 minutos de um erro de sistema em loop infinito, com 22 repetições que testam a sanidade.
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Don’t Look to the Eyes of a Stranger – A paranoia de oito minutos que a banda tentou, mas falhou, em tornar épica; um segredo que eles só tiveram coragem de tocar quatro vezes ao vivo.
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The Clansman – A “gema” que sobreviveu ao naufrágio: o único épico que nos lembra que estes senhores ainda são os Iron Maiden.
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Lightning Strikes Twice – Onde o Blaze Bayley decide que o título deve ser ladrado a uma velocidade supersónica que roça o ridículo.
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When Two Worlds Collide – O momento em que o pre-solo de guitarra parece ter sido inspirado pelas festas populares de verão no Algarve.
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Como Estais Amigos – O epílogo agridoce; a balada de despedida de uma era que, contra todas as expectativas, ainda consegue tocar a fibra mais sentimental.
Sintoniza os 107.9 FM ou ouve o podcast da RUC. O Riffugo: porque, às vezes, a melhor forma de celebrar a música é saber exatamente quando uma lenda se esquece de como é que se ganha o jogo.

