

Há noites em que a rádio serve apenas de boia de salvação para nos resgatar das águas gélidas dos maiores falhanços do Heavy Metal. Depois dos Metallica e dos Morbid Angel, a maldição da letra “M” volta a atacar na nossa mesa de autópsias: é a vez dos Megadeth.
Em 1999, acossado pelo sucesso comercial das baladas dos Metallica e provocado por declarações de Lars Ulrich sobre a necessidade de “correr riscos”, Dave Mustaine apontou a proa da banda diretamente ao mercado mainstream. O resultado foi o Risk: um som de guitarras castrado, batidas dançáveis, crossovers improváveis com filmes B do Jean-Claude Van Damme e nepotismo de bastidores que envolveu wrestling, o Animal Planet e a própria filha de David Mustaine.
Neste episódio, vestimos os coletes de salvação e descemos ao fundo do oceano para perceber como é que uma das bandas mais técnicas do Thrash Metal mundial se transformou numa experiência pop/rock inenarrável que levou o lendário guitarrista Marty Friedman a saltar fora do barco.
Alinhamento do Episódio
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Insomnia — A abertura chocante com violinos eletrónicos e batidas industriais dançáveis.
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Breadline — O pop-rock genérico que fez o produtor apagar o solo de Marty Friedman sem lhe dizer nada.
- Crush ‘Em — O hino de estádio/wrestling feito para a banda sonora do desastroso Soldado Universal 2.
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Prince of Darkness — A “pérola contaminada”: o momento mais pesado do álbum, mas ainda infectado pelo mau gosto.
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I’ll Be There — A balada sentimentalóide digna de um genérico de série juvenil dos anos 90.
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The Doctor Is Calling — A tentativa anémica de terror psiquiátrico com a participação da filha, Electra Mustaine.
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Time: The Beginning / Time: The End — A suíte final que mostra o que podia ter sido, antes que a fita se esticasse por completo.
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Crush ‘Em (Jock Mix) — O bónus especial de vergonha alheia interrompido (com alívio) pelo sinal horário.

