
Coberturas RUC
Todas as coberturas de festivais realizadas pelas equipas da RUC.
UM PROGRAMA DE:
Programação RUC
Os conimbricenses So Dead estiveram junto com a RUC, durante a mais recente edição do Extramuralhas, e falaram acerca da sua dinâmica enquanto grupo, entrevistados na margem do rio Lis na última noite do festival.
Olá, So Dead. Obrigada pelo tempo que estão aqui a ceder aos 107.9 FM, à antena da RUC. Para já, ia pedir para se apresentarem.
Samuel: Samuel Nejati. Baterista na banda.
Miguel: Miguel Padilha, teclista.
Sofia: Sofia Leonor, baixista e vocalista.
Após o Extramuralhas, quais são as reações mais importantes que o público pode ter à vossa música?
Samuel: Boa questão. Em geral, as pessoas dançaram bastante, que foi uma novidade para nós. Apesar de termos músicas que têm um ritmo dançante, foi bom perceber que as pessoas estavam a perceber as partes das músicas, ou seja, onde era para saltar, onde era para andar para o lado, essas coisas todas. Vimos gente a bater palmas também, que acho que foi a primeira vez, durante a Charcoal [Charcoal Heart], por exemplo. Foi a primeira vez, durante o concerto.
Miguel: Foi bom, foi bom.
Samuel: E recebemos muito feedback positivo verbal. Isso foi bastante bom. Houve muita gente a ir ter connosco ao backstage, tanto que demorámos bem 45 minutos a sair do backstage. Assinámos muita coisa, que também foi altamente. Pronto, e em geral o feedback foi muito bom. E o público estava muito vivo.
Então, próxima pergunta: estão noutros projetos e quais?
Samuel: Sim, a Sofia e eu estamos nos FromAtomic, que agora estão num hiato. O Padilha…
Miguel: Wipeout Beat! Que estão meio em hiato.
Samuel: E o Toscano, o Henrique Toscano, que é o nosso convidado especial para estes concertos do disco novo, está nos Birds Are Indie, que também são de Coimbra.
Se calhar apresenta-te também!
Henrique: Olá, sou o Henrique, sou guitarrista convidado.
Como é que se juntaram?
Sofia: Então, como o Samuel falou, nós estamos, já vimos dos FromAtomic, eu e o Samuel, e resolvemos formar este novo projeto. E depois de o gravar e pensar em apresentar ao vivo, achámos que ficaria bem termos os synths presentes fisicamente, e não apenas com o toque de um drone. E convidámos o Miguel, ele logo aceitou e disse imediatamente que sim. [risos] Que era um fã, um fã daqui do nosso som. E começou assim, primeiro éramos dois, depois ao vivo sempre fomos três. E depois eventualmente lá o convencemos a ficar como parte integrante do grupo. E agora temos aqui o nosso convidado especial, o Henrique.
Miguel: Já nem é especial, já é mesmo…
Sofia: Residente, convidado.
Tens estado presente na tour?
Henrique: Sim, posso dizer que sim, tenho estado presente. Sim, sim, sim. [risos]
Quando se juntaram já tinham esta esfera musical em mente? Ou não era exatamente isto que tinham idealizado?
Samuel: Não, quer dizer, acho que não idealizamos nada, mas descobrimos que encaixávamos na cena gótica, eu pessoalmente descobri. Acho que foi com os FromAtomic que também tocámos num festival gótico em Viseu, no… como é que se chama? Fora de Rebanho, que foi dinamizado por eles. Mas eu pessoalmente, não sei como é que é vocês, eu nunca sei muito bem aquilo que se está a tocar. Agora dizem que é no wave, synth punk, sei lá, já ouvi muita coisa. Mas, opá, eu acho que é fixe, até agora.
Miguel: É um mix de tudo, não é?
Não têm assim um género ao qual se prendem?
Miguel: Não, acho que o nosso género é So Dead.
Samuel: Isso é redutor, não é? Uma pessoa dizer que é de um género, depois acabas por não fazer cenas novas. Então, sei lá, nós temos músicas que são claramente punk, temos músicas que são claramente, sei lá, dream pop, outras que são…bem, não sei.
Miguel: Ainda para mais as influências de…
Samuel: Não, não, nós nunca falamos sobre isso. Nós nunca falamos sobre, sei lá, qual é que é o nosso género de música…
Miguel: …O que é que tocamos ou não. E, ainda para mais, o nosso leque, a abrangência do que é que nós ouvimos, todos nós, é muito grande. Por isso, é difícil nós criarmos aqui uma influência muito marcante de alguma coisa muito específica. É difícil.
Nesse seguimento, acho que era interessante se cada um de vocês me pudesse dizer um nome fora daquilo que tocam, que influencia de alguma maneira a vossa produção criativa.
Samuel: Eu ouço muitas coisas pesadas. Uma coisa que me influenciou muito, provavelmente, a nível de baterista, por exemplo, Gojira. Eu não toco coisas como o Mario Duplantier, obviamente. Mas é uma coisa que eu ouço muito e que está muito na minha cabeça. Pronto, que não tem nada a ver com isto.
Miguel: Que pergunta difícil, não é? Vá, vou dizer que… e até é estranho, porque nunca foi uma coisa que eu agarrasse desde o princípio, mas que aprendi que são os Cure.
Samuel: Isso é gótico!
Miguel: Gótico? Pronto, que é o que me leva um bocadinho para este tema.
Sofia: Podia dizer Doors, mas o que me vem logo à cabeça é a Siouxsie.
Tens [Henrique] algum artista fora da onda dos So Dead que influencie a tua produção?
Henrique: Nel Monteiro.
[risos]
Prossigamos. Como é que é para vocês equilibrar o trabalho na banda com os vossos outros projetos?
Samuel: Bem, acho que temos todos muita vontade de fazer coisas, então acho que dois projetos… Para já, os FromAtomic estão num hiato, então acabamos por só nos focar nisto para já. Mas quando tínhamos as duas coisas acho que funcionava bem. São só duas bandas, por isso não é nada de…
E o facto de também serem os mesmos integrantes também facilita um bocadinho.
Samuel: O sítio de ensaios é o mesmo, está tudo montado, portanto…
Miguel: Eu consigo, porque… Quer dizer, eu não consigo. Consigo e não consigo. Porque na realidade os Wipeout Beat carecem de uma sensibilidade muito especial. E às vezes não é fácil conciliar, mas tenho conseguido conciliar. Com algum esforço da minha parte e isso… E com o apoio deles, porque eles têm uma paciência do caralho para me aturar.
Quais é que são os maiores desafios que têm sentido enquanto banda emergente em Portugal?
Samuel: Desafios… Não sei, eu não penso muito nisso. A gente faz isto porque gosta. Porque precisa também, de certa forma. E tocar aqui, por exemplo, é um privilégio. Então acabamos por ir com a cena. O maior problema que eu vejo, ou que noto, é fazer chegar as coisas ao público em geral. Eu acho que isso é uma coisa que ninguém entende muito bem, ou quem entende guarda para si o segredo. Não sei, acaba por ser muito marketing em redes sociais e assim. Nós não percebemos nada disso. Gostávamos que chegasse a mais gente. Como não sabemos, também descuramos um bocadinho essa parte. Então acho que a maior dificuldade acaba por ser essa. Mas pronto, acho que não pensamos muito nisso.
Sofia: Ele [Samuel] já disse tudo. A dificuldade, lá está. Às vezes é preciso estar num sítio certo, ou num meio certo. Conhecer as pessoas certas, para conseguir ir um bocadinho mais além. No nosso caso, nós não conhecemos ninguém, então, torna as coisas mais difíceis. Mas agora já começamos a conhecer, sim.
Samuel: Mas acho que éramos um bocadinho bicho do mato, até há bastante pouco tempo. O Miguel não, o Padilha não. O Padilha está sempre aí.
Miguel: O Padilha não, o Padilha sim. É um bocado bicho do mato também, na realidade. Eu acho que continuo a ser. É coisa que faz sentido.
Finalmente, o que é que podemos esperar do So Dead proximamente? Lançamentos, concertos?
Vamos tocar amanhã ao Bota, em Lisboa, que é já seguidinho.
Com os Pink Opake, correto?
Samuel: Com os Pink Opake, do Brasil, que tocaram cá ontem, sim. Também ouvimos um bom feedback. Nós ainda não os vimos aí, mas vamos ver amanhã, de certeza. Eles tiveram um bom feedback e acho que seria fixe. Estamos a tentar também fazer uma tour no Brasil com essa malta também, então acho que isto é o primeiro passo. E já temos umas cenas alinhadas para o ano que vem. Pronto, a serem anunciadas. Depois cá em Portugal, acho que ainda não podemos…
Miguel: 12 de setembro tocamos no… Como é que se chama? Verão A Dois Tempos, exatamente. […] TBA, TBA, TBA (to be announced).
Samuel: A nível de lançamentos… Lançámos agora um disco há pouco tempo. Quem quiser ir ouvir, está online. É isso.
Miguel: Vão ver, vão ver. Bandcamp e o caralho. Comprem, comprem discos.
Sofia: Já temos um plano para breve. Um split single com outra banda. Com os Twist Connection. Em princípio é para ir para a frente. Está tudo… indica nesse sentido. E vamos fazendo coisas.
Miguel: E boas perspetivas para 2026.
Muito obrigada mais uma vez pelo tempo que dispensaram à RUC e o resto de um bom festival, que falta pouco.
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