

Coimbra recebe, até ao final do mês, “Pareciam homens ao longe” um espetáculo teatral que junta três textos marcados por temas como solidão, isolamento e crise das relações humanas.
A criação resulta da união das peças “Praça de Guerra”, “Os Javalis” e “Os Amantes II, do dramaturgo e encenador brasileiro fundador do Teatro NU, Gil Vicente Tavares.
O projeto nasceu de um convite da Escola da Noite, que desafiou o autor a trabalhar os seus próprios textos. Inicialmente pensadas separadamente, as obras acabaram por revelar uma forte ligação temática. Ao longo dos ensaios, essa conexão foi reforçada através da encenação, com elementos cénicos e narrativos comuns.
As três peças exploram personagens fechadas sobre si mesmas, marcadas por solidão e dificuldade de comunicação, refletindo também questões atuais como desinformação, tensões familiares e fragilidade das relações humanas. A encenação propõe ainda uma leitura mais ampla – um cenário de constante repetição histórica, onde crises e conflitos regressam ciclicamente.
O espetáculo abre com “Praça de Guerra”, que funciona como prólogo, partindo de um contexto de destruição para uma aparente reconciliação — que rapidamente se desfaz, dando lugar às tensões exploradas nas restantes peças.
Apesar de o autor ser natural de Salvador, na Bahia, sublinha que estas temáticas são universais. Segundo o encenador, mesmo em sociedades vistas como abertas e comunicativas, persistem problemas de isolamento, depressão e incomunicabilidade, muitas vezes escondidos por uma aparência de convivência social intensa.
Esta é a primeira colaboração de Gil Vicente Tavares com a Escola da Noite e também o seu primeiro trabalho internacional como encenador — uma experiência que descreve como marcante e renovadora.
O espetáculo estreia já esta quinta-feira, às 19h00, no Teatro da Cerca de São Bernardo e permanece em cena em Coimbra até 31 de maio.
Fotografia: Eduardo Pinto

