

Na emissão de 19 de março do programa Café Olé, a companhia Teatro Loucomotiva revelou ao público o seu mais recente espetáculo: “Shai, acalantos para corações à deriva”. Uma peça que promete muito mais do que entretenimento sendo um verdadeiro convite à reflexão coletiva sobre identidade, acolhimento e humanidade.
Uma fábula para todas as idades
Apresentada no Teatro Loucomotiva, em Taveiro, a peça assume-se como “sem idade”, pensada para públicos a partir dos três anos, mas capaz de tocar espectadores de todas as gerações. Com cerca de 120 lugares disponíveis, o espaço acolhe uma história que cruza simplicidade narrativa com profundidade emocional.
No centro da trama está uma pequena semente, a metáfora de uma criança, forçada a abandonar o seu mundo de origem devido a um contexto de guerra, medo e insegurança. Transportada para um novo território, essa semente enfrenta o desafio de crescer num lugar que não reconhece como seu, lidando com a diferença, a perda e a reconstrução da identidade.
Ao longo da narrativa, a personagem encontra apoio numa figura inesperada, uma “grande macaca” que simboliza cuidado, proteção e afeto num mundo desconhecido.
Entre a guerra e a poesia
A origem da peça nasce de inquietações contemporâneas. O dramaturgo Alexandre Oliveira explica que o texto foi inspirado por conflitos reais, como o israelo-árabe, mas rapidamente se expandiu para uma reflexão mais ampla sobre todas as formas de deslocação forçada e injustiça.
A questão central torna-se universal:
Como é que alguém herda uma realidade sem a ter escolhido?
A resposta surge através de uma fábula poética que evita explicações diretas. Em vez disso, o espetáculo propõe imagens, metáforas e experiências sensoriais que estimulam o pensamento — especialmente das crianças, tratadas aqui como seres capazes de compreender a complexidade do mundo.
Para a atriz e dramaturga Cátia Ribeiro, a abordagem é clara: o teatro não deve simplificar nem infantilizar temas difíceis.
“Não se explica — desafia-se.”
A peça constrói uma linguagem acessível, mas profundamente simbólica, permitindo que cada espectador retire as suas próprias conclusões. Ao contrário do consumo passivo de imagens no quotidiano, aqui existe espaço para reflexão, diálogo e emoção partilhada.
Outro dos pilares do espetáculo é o afeto. O intérprete Jaime Castelo-Branco destaca que, mais do que falar de guerra, a peça procura recuperar algo que se tem perdido:
a capacidade de cuidar, de acolher e de nos conectarmos uns com os outros.
Num contexto pós-pandemia, onde o contacto físico e emocional foi profundamente afetado, o teatro surge como espaço de reencontro. O espetáculo começa, inclusive, com um momento de aquecimento coletivo do público, incentivando a interação entre desconhecidos — um gesto simples, mas carregado de significado.
Datas e participação
A estreia acontece a 27 de março, com reposições a 29 de março e nos dias 10, 11, 12, 17, 18 e 19 de abril. Os bilhetes podem ser reservados através do site ou redes sociais do Teatro Loucomotiva.
Nota: Artigo escrito a partir de uma ferramenta de transcrição e de IA

