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Repúblicas com ordem de despejo: Real República dos Pyn-Güyns vai fechar portas
O reconhecimento de interesse histórico e cultural atribuído pela autarquia revelou-se insuficiente para proteger a república dos Pyn-Güyns contra a ordem de despejo. As falhas na legislação e a falta de apoio institucional ditam o fecho das portas antes do início do ano letivo.
Fundada em 1954, a Real República dos Pyn-Güyns foi um dos centros da crise académica de 1969. Por ali passaram figuras históricas como Alberto Martins, Jorge Sampaio, Décio de Sousa e Rui Namorado.
Com o fim do contrato de arrendamento a 4 de dezembro de 2026, os estudantes serão obrigados a devolver a casa à senhoria privada. No entanto, as portas fecham já no início deste ano letivo. Mafalda Borges, residente na república, explica que, apesar de a procura por parte dos estudantes continuar elevada, o despejo a meio do semestre impossibilita a entrada de novos moradores.
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O fim do projeto obrigou Mafalda Borges a procurar um quarto no setor imobiliário privado, onde os preços se revelam uma barreira para muitos jovens. Consequentemente, a estudante foi forçada a entrar no mercado de trabalho para suportar o aumento das despesas.
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A realidade de Mafalda reflete as conclusões do recente estudo apresentado pela Associação Académica de Coimbra (AAC) sobre o custo de vida estudantil. Os dados revelam que um em cada quatro estudantes da Universidade de Coimbra já ponderou abandonar o ensino superior por não conseguir suportar os custos. No caso dos estudantes que, por necessidade financeira, são obrigados a trabalhar, a percentagem aumenta para 64%. Para o presidente da Direção-Geral da AAC, José Machado, “a principal barreira no ensino é a habitação”.
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Em julho de 2018, a Câmara Municipal de Coimbra aprovou, por unanimidade, o reconhecimento da Real República dos Pyn-Güyns como entidade de interesse histórico e cultural. No entanto, o estatuto revelou-se insuficiente para proteger os estudantes do despejo. A lei apenas salvaguarda as repúblicas contra aumentos de renda, deixando as casas desprotegidas perante a denúncia de contratos por parte de proprietários privados.
A deputada municipal do Bloco de Esquerda, Maria Paixão, reforça que a legislação é insuficiente para responder à atual pressão do mercado imobiliário.
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O Bloco de Esquerda apresentou, na Assembleia da República, um projeto de resolução que defende o reforço da proteção legal das repúblicas. Na proposta, o partido também exige que o governo recue na decisão de permitir o despejo da Real República do Baco e da República das Marias do Loureiro, que estão em risco de perder as suas sedes após a ordem de despejo por parte da Universidade de Coimbra (UC).
A RUC não teve a oportunidade de contactar a proprietária do imóvel para apurar os motivos da não renovação do contrato.
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