
Café Curto abre comemorações dos 10 anos do Convento São Francisco
Convento São Francisco, em Coimbra, celebra em 2026 uma década de atividade cultural, marcada por encontros, cruzamentos artísticos e uma forte ligação à cidade. As comemorações iniciam já em janeiro e têm no Café Curto um dos eixos centrais desta celebração, assumindo-se como ponto de partida simbólico para um ano especial.
Em conversa no programa Café Olé da Rádio Universidade de Coimbra, Filipe Carvalho, em representação do Convento São Francisco, e João Silva (Jorri), coordenador da Blue House, partilharam a visão, os desafios e as ambições que marcam tanto os 10 anos do Convento como os 5 anos do Café Curto no Café Concerto.
Para Filipe Carvalho, uma década de Convento de São Francisco representa muito mais do que uma sucessão de espetáculos. “São dez anos de encontros entre pessoas, ideias e lugares de pensamento”, sublinha.
Um percurso feito de histórias, cruzamentos e aprendizagens, que moldaram a identidade do espaço enquanto equipamento cultural municipal aberto à cidade e aos seus criadores.
Essa filosofia de encontro e de possibilidade é, segundo Filipe, o fio condutor das celebrações: um programa que olha para o passado, mas sobretudo para o futuro, reforçando o papel do Convento como facilitador cultural.
Criado num contexto de emergência durante a pandemia, o Café Curto rapidamente ultrapassou o seu caráter provisório. Hoje, cinco anos depois, tornou-se parte integrante da identidade do Convento São Francisco.
Com programação semanal durante dez meses do ano, o Café Curto soma 42 semanas consecutivas de concertos e encontros artísticos. Para Jorri, a curadoria exige trabalho constante, atenção ao surgimento de novos artistas e uma leitura permanente do presente e do futuro da música. Ainda assim, sublinha, trata-se de um privilégio programar um espaço emblemático da cidade num ano tão simbólico como este.
O público tem respondido com fidelidade. “Há pessoas que sabem que à terça-feira acontece sempre alguma coisa, mesmo sem saber exatamente o quê”, refere Filipe Carvalho, destacando a confiança criada entre o projeto e os seus espetadores.
Formação, residências e novos desafios
A edição de 2026 do Café Curto reforça duas novas vertentes. Por um lado, a parceria com o Festival Emergente, trazendo artistas que já se destacaram enquanto novos talentos. Por outro, o aprofundamento da ligação ao Curso Profissional de Jazz do Conservatório de Música de Coimbra.
Este ano, a parceria não se limita a concertos de jazz, integra residências de formação que abordam não só a criação artística, mas também áreas como produção musical, relações profissionais e funcionamento do meio artístico. O objetivo é preparar jovens músicos para a realidade do setor, indo além da formação escolar tradicional, esclarece o coordenador da Blue House.
MIC: Música Independente de Coimbra… e da Região Centro
Outro pilar fundamental é o MIC – Música Independente de Coimbra, que deixou de ser apenas local para se tornar regional. A ‘open call’, atualmente aberta até ao final de janeiro, abrange agora os seis distritos da Região Centro e tem registado um número crescente de candidaturas.
Mais do que garantir um concerto, o MIC oferece um verdadeiro “kit de início de atividade” com gravação de temas, vídeos, fotografias, ‘press kit’ e acompanhamento profissional.
Um arranque simbólico: 13 de janeiro
As comemorações arrancam oficialmente a 13 de janeiro, com um Café Curto especial protagonizado por Joana Guerra e Miguel Gouveia, ambos ligados à história inicial do Convento. Mais do que um concerto, será um momento híbrido de música, palavra e apresentação informal das linhas orientadoras do Café Curto para 2026, adianta Jorri.
Dança, homenagens e programação especial
A programação dos 10 anos estende-se a várias áreas artísticas. O projeto Rampa, dedicado a jovens bailarinos da cidade, regressa com coordenação de Benvindo Fonseca e culmina numa estreia em abril, consolidando-se como uma aposta pedagógica e artística de referência.
Em janeiro, destaque ainda para a celebração da obra de Ryuichi Sakamoto, um concerto-homenagem que pretende revisitar e apresentar o legado do compositor japonês a diferentes gerações, realça Filipe Carvalho.
Já em março, o guitarrista Pedro Jóia sobe ao palco no âmbito do Prémio Carlos Paredes, integrado numa relação próxima entre o Convento e o associativismo cultural da cidade.
Um Convento em diálogo com a cidade
Ao longo destes dez anos, o Convento São Francisco tem afirmado um modelo de programação assente na colaboração, na confiança e na escuta ativa da comunidade artística.
Para Filipe Carvalho, esse é o verdadeiro desafio e, ao mesmo tempo, a maior recompensa: criar condições para que projetos aconteçam, para que artistas se encontrem e para que o público continue a reconhecer o Convento São Francisco como um espaço vivo, plural e em constante transformação.
As comemorações dos 10 anos prometem, assim, não apenas celebrar o passado, mas lançar novas sementes para o futuro cultural de Coimbra.
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