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José Manuel Silva entende que Orçamento de 260 milhões não justifica queixas de Ana Abrunhosa
Na discussão do Orçamento Municipal para 2026, na Câmara Municipal de Coimbra, o vereador José Manuel Silva fez uma intervenção fortemente crítica ao atual executivo, defendendo que os números financeiros não confirmam o discurso de dificuldades herdadas e revelam, pelo contrário, uma situação de grande folga orçamental.
Entrando nos números, destacou que a receita proveniente de impostos diretos aumentou significativamente desde 2022, passando de cerca de 47 milhões de euros para 67 milhões em 2026.
De acordo com José Manuel Silva, o crescimento demonstra dois factos essenciais: as dificuldades financeiras reais herdadas há quatro anos e, simultaneamente, a robustez financeira deixada ao atual executivo, que beneficia agora de mais 20 milhões de euros anuais em impostos diretos.
O vereador esclareceu que o aumento mais expressivo se verifica entre 2025 e 2026, com uma subida de mais de 11 milhões de euros num único ano, resultado direto das políticas implementadas durante o seu mandato.
Perante os números, o ex-presidente da Câmara não compreende as queixas da atual governação e acrescenta que a presidente da Câmara dispõe hoje de condições “muito superiores” às que existiam há quatro anos para concretizar políticas públicas.
José Manuel Silva sublinhou ainda o crescimento das transferências do Estado, tanto correntes como de capital. As primeiras passam de 38 para 64 milhões de euros, um aumento superior a 68,4%, enquanto as transferências de capital sobem de 22 para 71 milhões de euros, mais de 222%.
Os valores, explicou, resultam da descentralização de competências, de projetos financiados em curso e da aplicação da Lei das Finanças Locais. No total, o orçamento municipal evoluiu de 167 milhões de euros para 260 milhões em apenas quatro anos, lembrou o agora vereador.
Para José Manuel Silva, o crescimento comprova o “êxito” da estratégia de governação anterior, lançando mesmo um desafio ao atual executivo para repetir taxas semelhantes de crescimento no próximo mandato.
O ex-presidente da câmara Municipal de Coimbra considerou injusto o discurso de estagnação associado ao seu mandato, lembrando que, nos mandatos anteriores do Partido Socialista, a receita de impostos diretos chegou a diminuir.
O agora vereador rejeitou igualmente críticas sobre a utilização das receitas para pagamento de dívidas, sublinhando que essa é uma prática normal de gestão e que deixou os cofres municipais preparados para assegurar compromissos financeiros e permitir a elaboração “do melhor orçamento de sempre” da Câmara Municipal de Coimbra.
Outro ponto central da intervenção foi a defesa do investimento cultural, em particular da Bienal Manifesta 17, que classificou como uma das maiores conquistas culturais de sempre da cidade. Mais uma vez deixou o desafio da compra do Colégio de São Boaventura na Rua da Sofia pela Câmara Municipal.
José Manuel Silva criticou a forma como o atual executivo tem tratado o evento como um “problema”, considerando incompreensível essa posição face ao retorno cultural, económico e simbólico que a bienal representa para Coimbra e para a região.
Na área da habitação, acusou o Partido Socialista de, em oito anos de governação anterior, não ter construído uma única habitação social nova, contrastando com os investimentos previstos e os projetos lançados no seu mandato, que permitirão dar resposta a mais de duas centenas de famílias carenciadas.
Por fim, apontou discrepâncias entre a “retórica” do executivo e os valores efetivamente inscritos no orçamento para obras coercivas, expropriações e aquisição de terrenos, considerando que os montantes previstos ficam aquém do discurso político apresentado.
Em conclusão, José Manuel Silva afirmou que não há falta de recursos financeiros em Coimbra e apelou ao atual executivo para não “inventar desculpas”.
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