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Dar Asas: Terceiro dia da Romaria Cultural
Nos 20 anos do CERVAS, Ricardo Brandão faz o balanço de duas décadas dedicadas à recuperação de fauna selvagem, à educação ambiental e à conservação da biodiversidade. Fala das dificuldades financeiras, da ligação ao mundo académico, dos desafios das alterações climáticas e do papel que a comunicação social pode desempenhar na aproximação das pessoas à natureza.
Nos 20 anos de existência, o Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens já proporcionou dezenas de estágios e devolveu muitas aves à natureza. Para além de ser um parceiro habitual para a Romaria Cultural tem iniciativas próprias de educação ambiental.
O CERVAS celebra 20 anos de atividade. Como nasceu este projeto?
(RB) O CERVAS – Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens – foi criado em 2004 pelo Parque Natural da Serra da Estrela, então integrado no Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas. O objetivo era responder à necessidade de receber e recuperar animais selvagens feridos numa região onde não existia qualquer estrutura deste género.
Gouveia foi escolhida pela sua localização estratégica, permitindo receber animais provenientes de uma vasta área que abrange o sul de Aveiro, Coimbra, norte de Leiria, Viseu e Guarda. Essa continua a ser a nossa principal área de intervenção.
Em 2009, devido à inexistência de financiamento estatal para este tipo de estruturas, foi necessário alterar o modelo de gestão. O centro manteve-se propriedade do Estado, mas passou a ser gerido pela Associação ALDEIA, em parceria com diversos patrocinadores, como a ANA – Aeroportos de Portugal. Atualmente, a associação gere também o RIAS, no Parque Natural da Ria Formosa.
Ao longo destes anos fomos crescendo através de parcerias com municípios, associações, empresas e outras entidades. Hoje recebemos cerca de um quarto dos animais que entram na Rede Nacional de Recolha de Animais Selvagens.
O CERVAS já não é apenas um centro de recuperação. Que papel desempenha atualmente?
(RB) A recuperação de animais continua a ser a nossa missão principal, mas hoje é apenas o início de um trabalho muito mais abrangente. O CERVAS tornou-se, sobretudo, um centro de divulgação da biodiversidade.
Quando conseguimos devolver um animal à natureza, fazemos questão de envolver a comunidade nesse momento. Quando isso não é possível, procuramos aproximar as pessoas do território através de oficinas, saídas de campo, workshops, expedições e sessões de debate, realizadas tanto em escolas como em cafés de aldeia, juntas de freguesia ou associações locais.
O nosso objetivo é tornar a conservação da natureza o mais popular possível, levando este conhecimento para além do público que já se interessa pelo tema e aproximando-o da sociedade em geral.
A ligação ao meio académico tem sido uma marca do CERVAS. Como surgiu essa relação?
(RB) Começou por uma necessidade muito prática: precisávamos de mais pessoas para apoiar o trabalho diário e abrimos as portas a estágios em Medicina Veterinária. Depois vieram estudantes de Biologia, Enfermagem Veterinária, Ecologia e muitas outras áreas.
Foram sendo estabelecidas parcerias com universidades como a de Aveiro, Coimbra e Trás-os-Montes e Alto Douro, entre outras. Muitos estudantes desenvolveram aqui trabalhos de investigação que deram origem a dissertações de mestrado e, nalguns casos, a doutoramentos.
Além disso, os centros de recuperação são uma fonte muito importante de informação científica. Os animais que recebemos não representam apenas casos clínicos: funcionam como sentinelas das populações selvagens, permitindo recolher dados sobre doenças, ameaças e alterações ambientais. Disponibilizamos amostras biológicas, cadáveres e informação que depois é trabalhada em colaboração com investigadores.
Quais foram as maiores dificuldades ao longo destes 20 anos?
(RB) A principal dificuldade foi sempre financeira. O Estado criou a infraestrutura, mas não existiam recursos suficientes para contratar pessoas nem para assegurar o funcionamento diário.
Com o tempo fomos conseguindo criar uma rede sólida de patrocinadores, parceiros, municípios e particulares que nos têm apoiado através de donativos, organização de eventos ou aquisição de equipamentos.
Desde 2019 existe também uma linha de financiamento do Fundo Ambiental destinada aos centros de recuperação, que permitiu melhorar significativamente as instalações clínicas e os espaços destinados à recuperação dos animais.
Ainda assim, o nosso maior desafio continua a ser reforçar a equipa.
Quantas pessoas trabalham atualmente no CERVAS?
(RB) Temos cinco profissionais a tempo inteiro: dois médicos veterinários, dois biólogos e uma enfermeira veterinária que também coordena a área da educação ambiental e divulgação.
É uma equipa muito pequena para a dimensão do trabalho. Todos desempenham funções muito diversificadas e contamos ainda com estagiários e voluntários, cujo contributo é essencial, sobretudo nas tarefas diárias de alimentação, limpeza e tratamento dos animais.
Gostaríamos de ter mais pessoas para responder às inúmeras solicitações de escolas, municípios e outras entidades. Muitas vezes recusamos atividades simplesmente porque não conseguimos estar em dois locais ao mesmo tempo.
A relação das populações com a fauna selvagem tem evoluído?
(RB) Penso que sim. Trabalho nesta área há cerca de 25 anos e noto diferenças importantes.
Há duas décadas recebíamos muitos mais animais vítimas de disparos de arma de fogo. Hoje esses casos são residuais, embora continuem a existir.
Também diminuíram significativamente as situações de cativeiro ilegal de animais selvagens. Ainda há problemas em algumas zonas onde é necessário reforçar a sensibilização, mas a evolução é positiva.
Há mais pessoas a trabalhar nestas áreas, as escolas abordam cada vez mais as questões ambientais e existe também uma maior fiscalização.
No entanto, continua a haver dificuldades na convivência entre as pessoas e a fauna. Basta pensar num ninho de andorinhas numa habitação: muitas pessoas continuam a preferir remover o ninho em vez de aprender a coexistir com ele. Ainda há muito trabalho de sensibilização a fazer.
Que papel pode desempenhar a comunicação social?
(RB) Um papel muito importante.
A comunicação social dedica muitas horas às catástrofes e muito pouco espaço às boas notícias relacionadas com a natureza. Gostaria de ver mais reportagens sobre libertações de animais, mais histórias sobre biodiversidade, mais espaço para explicar a ecologia das espécies e a relação entre o ser humano e os ecossistemas.
Tem havido uma evolução positiva, nomeadamente com documentários portugueses de grande qualidade, mas é preciso dar-lhes ainda maior visibilidade.
A natureza deve estar presente nos contextos do dia a dia. Se conseguirmos aproximar as pessoas da biodiversidade, elas naturalmente quererão conhecê-la melhor e protegê-la.
As atividades promovidas pelo CERVAS atraem também visitantes estrangeiros?
(RB) Cada vez mais. O aumento da população estrangeira residente no interior do país também se reflete na participação nas nossas iniciativas.
Algumas atividades já foram realizadas em inglês para ultrapassar a barreira da língua, mas a maioria dos participantes continua a ser portuguesa.
Também recebemos muitas pessoas vindas do litoral que descobrem as nossas iniciativas através das redes sociais. Isso acaba por valorizar o território, porque leva as próprias comunidades locais a redescobrir percursos, pequenas rotas e locais que estavam praticamente esquecidos.
Procuramos ainda aprender com o conhecimento das populações locais, conjugando o saber científico com o conhecimento tradicional sobre o território.
Quais são hoje as espécies que mais o preocupam?
(RB) Uma das maiores preocupações são os andorinhões. É um dos grupos que mais recebemos no centro e sabemos que está em forte declínio, sobretudo devido à diminuição dos insetos, provocada pelas alterações climáticas e pelas mudanças no uso do solo.
Noutros países já existem soluções, como a integração obrigatória de estruturas de nidificação nos edifícios novos. Em Portugal ainda estamos muito atrasados nessa matéria.
Também me preocupam as espécies de montanha, particularmente na Serra da Estrela. O aumento das temperaturas está a reduzir progressivamente o seu habitat. Espécies adaptadas às zonas mais altas terão cada vez menos espaço disponível e enfrentarão simultaneamente uma maior pressão turística e humana.
Sabemos quais são muitos dos problemas e conhecemos várias soluções. O desafio é conseguir implementá-las.
Como imagina os próximos 20 anos do CERVAS?
(RB) Gostava que conseguíssemos aumentar a equipa e expandir ainda mais o nosso trabalho de educação ambiental, sensibilização e colaboração com escolas, municípios e outras entidades.
Mais do que crescer em dimensão, queremos crescer na capacidade de chegar às pessoas.
Quanto à Serra da Estrela, espero sinceramente que consiga tornar-se um exemplo de conservação da natureza. Estamos a celebrar os 50 anos do Parque Natural, mas nunca como agora a serra esteve simultaneamente tão reconhecida internacionalmente e tão ameaçada por incêndios, alterações climáticas e novos projetos que aumentam a pressão sobre o território.
Essa é talvez a minha maior preocupação para as próximas décadas. Espero que o trabalho do CERVAS possa contribuir para inverter essa tendência e ajudar a construir um futuro mais favorável para a biodiversidade.
Após a atuação de André Júlio Turquesa na Igreja da Misericórdia, localização bastantante adequada tendo em conta o ambiente sereno que se enquadra com a música folk calma e imersiva do artista, fizémos um breve deslocamento até ao Mirante do Paixotão onde o artista teve oportunidade de libertar um peneireiro (espécie de falcão) para a natureza e onde todos os presentes usufruíram de um delicioso lanche.
Um pouco após o lanche tivemos oportunidade de conversar um pouco com André para lhe fazermos algumas perguntas.
Começámos por perguntar se tinha sido a primeira vez que tinha tocado em Gouveia ao que nos respondeu que sim e que esta conexão tinha surgido após uma atuação em Coimbra, onde estava presente Tiago Mota, que faz parte da organização da Romaria Cultural.
Tivemos curiosidade em saber como tinha surgido o alinhamento para o próprio dia, ao que André esclareceu que era o alinhamento do lançamento álbum e que essa escolha estava dependente um pouco também dos instrumentos que iria tocar na performance. Neste caso a guitarra.
Em 2025, o filme “Soco a Soco” contou com a participação do artista na sua banda sonora, juntamente com Iuri Oliveira e Gaspar Varela. Perguntámos, então, como tinha corrido e ocorrido essa colaboração. Foi-nos esclarecido que a colaboração com Iuri já vinha da altura do seu último álbum: “Disco de Reclamações” e que também já tinham trabalhado em música para teatro juntos. Foi esta colaboração que levou o realizador de “Soco a Soco” e André Júlio Turquesa a colaborarem.
Quisemos saber que projetos o artista tinha planeado para o futuro mais próximo ao que nos foi esclarecido que tinha trabalhado muito como como produtor e que estava a produzir um disco para a artista Mafalda, onde também iria participar. Uma vez lançado esse álbum, irá participar na tour de apresentação do disco.
Como tem vindo a acontecer em todas as Romarias, a programação reservava no fim de tarde do último dia um estender de asas sobre o céu…
Depois de uma aparentemente eterna subida da Ladeira do Paixotão, fomos presenteados com um dos momentos mais aguardados e já enraizados na tradição da Romaria Cultural. Ao final da tarde, quando a luz começava lentamente a dourar as encostas das serras em torno e o calor finalmente cedia, o Mirante do Paixotão encheu-se de gente. Com um horizonte inteiro aberto sobre o território a montante da serra, entre vales, aldeias e montanhas, o Mirante do Paixotão tornou-se palco de uma iniciativa promovida pelo CERVAS, que aliou sensibilização ambiental, convívio comunitário e algumas gargalhadas.
Após uma breve introdução de Ricardo Brandão acerca das espécies e da atuação do CERVAS na recuperação das aves, a atenção de todos os romeiros – que entretanto se reuniram debaixo da majestosa tília do Mirante – voltou-se para duas caixas de transporte. No seu interior aguardavam duas aves de rapina recuperadas pelo CERVAS, prontas para regressar à liberdade depois de concluído o seu processo de reabilitação. Momento que , à semelhança dos anos anteriores, se destacou por delegar em dois dos artistas presentes na Romaria o privilégio de devolver os céus a estas aves.
O primeiro a ganhar novamente os céus foi um pequeno peneireiro que, apesar da aparência discreta e dos olhos esbugalhados, fez questão de mostrar que continuava bem equipado para a vida selvagem. Depois de alguns avisos sobre a conhecida tendência da espécie para resolver qualquer aproximação à bicada, foi André Júlio Turquesa quem acabou por lhe abrir as mãos para um voo decidido de regresso à liberdade. Seguiu-se, então, a libertação de um imponente milhafre-de-asa-preta que foi apresentado à plateia, ainda ostentando um pequeno curativo de Bepantene na testa – consequência de um excesso de entusiasmo que o levara, pouco antes, a bater com a cabeça durante os preparativos.
A par da imagem de uma das mais elegantes aves de rapina da nossa fauna com um discreto “curativo cosmético”, foi particularmente humorística a presença de um pequeno explorador (de não mais de dois anos) que aparentava desconhecer ainda o conceito de autopreservação e que, como tal, decidiu que aquele enorme ser merecia uma aproximação mais próxima.
Entre algumas gargalhadas bem-humoradas do público, um dos membros do Rui Monteiro Trio num único impulso lançou o milhafre sobre o miradouro, que sobrevoou o Mirante uma última vez antes de se adentrar por entre as nuvens da serra.
Pode saber mais sobre o Peneireiro e o Milhafre Preto no ‘podcaste’ seguinte:
Enquanto os participantes se iam reunindo junto ao miradouro, ainda antes da devolução das aves, já se preparavam as mesas do Mirante para uma merenda comunitária bem recheada das boa gastronomia serrana, dos queijos curados, do fumeiro da região, das broas e doces e bem “regadas” por garrafas e garrafões de vinho da terra. De tal forma que, assim que o milhafre cumpriu o seu desígnio, Romeiro e Gouveenses se reuniram em torno da mesa com a paisagem da Serra da Estrela a servir de pano de fundo.
Os Rui Monteiro Trio inaugurou, nesse contexto, o pôr-do-sol com um concerto que condizia com a serenidade daquele lugar, preenchendo o miradouro da sonoridade do jazz. Pouco depois, foi a vez dos The G.U.M. continuarem a animação ao se instalarem sob a enorme tília que guarda o Paixotão, fechando “com chave de ouro a programação deste ano”.
Não podíamos partir sem fazer um balanço com a organização.
João Nuno: “Queremos que cada pessoa faça a sua própria romaria”
A Romaria Cultural tem vindo a afirmar-se como um dos festivais mais marcantes de Gouveia, reunindo um público cada vez mais diversificado e apostando numa programação que cruza artistas locais e nacionais. Em entrevista, João Nuno, um dos responsáveis pela organização, faz um balanço da edição de 2026, fala dos desafios do projeto e da visão para o futuro.
Como faz o balanço desta edição da Romaria Cultural?
(JN) O balanço é muito positivo. Temos sentido uma dinâmica muito interessante, sobretudo porque as pessoas vivem o festival de forma muito própria. Costumamos dizer que cada visitante faz a sua própria romaria. Há quem privilegie os concertos, quem participe nas atividades paralelas, quem aproveite para conversar ou simplesmente desfrutar dos espaços. Esse espírito tem funcionado muito bem.
Também verificamos que o nosso público habitual, maioritariamente local e entre os 25 e os 45 anos, continua presente, mas temos assistido ao crescimento de visitantes vindos de fora de Gouveia, o que demonstra que o festival está a consolidar-se.
Tem notado um aumento do público externo?
(JN) Sim. A tendência tem sido de crescimento, cerca de 10 a 15% relativamente ao ano passado. O festival começou de forma muito espontânea e cresceu muito através do passa-palavra. Pessoas de Gouveia que vivem noutras cidades trazem amigos, esses amigos regressam e, pouco a pouco, começamos a reconhecer rostos que voltam todos os anos. É muito gratificante perceber que há quem queira regressar a Gouveia por causa da Romaria Cultural.
Uma das características do festival é o ambiente descontraído. Foi uma opção desde o início?
(JN) Não posso dizer que tenha sido uma decisão consciente, mas resulta naturalmente da forma como pensamos a programação. Não acreditamos num festival demasiado formal ou rígido. Gostamos que as pessoas sejam livres para escolher o seu percurso, para parar, conversar e desfrutar dos espaços.
Esse ambiente acaba por criar uma relação muito próxima entre artistas, público e cidade. É uma das características que mais valorizamos.
A programação procura sempre cruzar artistas locais com nomes de outras regiões. Porquê essa aposta?
(JN) Porque acreditamos que esse diálogo é importante. Existe uma tendência para que os artistas do litoral venham atuar ao interior, mas raramente acontece o contrário. Queremos ajudar a contrariar essa lógica, dando visibilidade aos projetos locais e promovendo encontros entre diferentes realidades artísticas.
Ao mesmo tempo, trabalhamos muito próximo das associações culturais da região. A Romaria Cultural nasceu precisamente como uma plataforma agregadora dessas dinâmicas.
A próxima edição já começou a ser preparada?
(JN) Na verdade, começa ainda durante o festival. Vou passando o fim de semana a tirar notas sobre aquilo que correu bem e aquilo que pode ser melhorado. Pensamos nos espaços, na logística, na experiência do público e só depois nos artistas.
Mais importante do que um nome específico é garantir que as pessoas continuam a sentir-se bem e que o festival mantém a sua identidade.
Quais são atualmente os maiores desafios da organização?
(JN) O principal continua a ser o financiamento. Sendo um festival de acesso gratuito, dependemos muito dos apoios e das candidaturas que apresentamos.
O Município de Gouveia é o nosso principal parceiro e representa atualmente mais de 70% do orçamento, algo pelo qual estamos muito gratos. Ainda assim, gostaríamos de diversificar as fontes de financiamento para ganhar maior autonomia e assegurar a sustentabilidade do projeto.
Outro desafio prende-se com a própria estrutura da associação. Somos uma equipa dispersa pelo país e trabalhamos durante todo o ano à distância, recorrendo a ferramentas de gestão para coordenar o projeto.
Depois de mais de uma década de existência, onde gostaria de ver a Romaria Cultural nos próximos anos?
(JN) Gostava que tivesse ainda mais capacidade para desenvolver atividades ao longo do ano e não apenas durante o festival. Queremos criar novas dinâmicas culturais, envolver mais pessoas e prolongar no tempo aquilo que acontece durante estes dias.
O importante é continuar a crescer sem perder aquilo que nos distingue. Se algum dia nos transformarmos num festival igual aos muitos que existem no país, perdemos a nossa identidade.
É engenheiro civil de formação. Como nasceu esta ligação à cultura?
(JN) Sempre existiu. Os meus pais transmitiram-me essa curiosidade e desde cedo me dediquei ao desenho e à pintura, que continuam a ser uma grande paixão.
Quando surgiu a Romaria Cultural, senti que era um espaço onde podia juntar essa dimensão criativa ao trabalho coletivo. Aqui conheci artistas, desenvolvi projetos e encontrei uma forma de contribuir para a vida cultural de Gouveia.
Texto e fotografias: Margarida Mendes e Miguel Henriques
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