
Há Vida(s) Nesta Cidade!
sábados (14h00)
A ditadura da actualidade deixa para trás histórias de vida(s) de pessoas e instituições. A Rádio também se faz de pequenos momentos de intimidade em que as almas se abrem aos outros. Há Vida(s) Nesta Cidade propõe-se dar a conhecer gente que não pisa a ribalta da “espuma dos dias”.
UM PROGRAMA DE:
Isabel Simões
Real República Baco e a República das Marias do Loureiro, duas das casas coletivas estudantis mais emblemáticas de Coimbra, enfrentam a possibilidade de despejo após a Universidade de Coimbra ter comunicado a existência de problemas estruturais no edifício onde residem, no Largo de São Salvador, na Alta da cidade.
A Baco, fundada há 91 anos, é a segunda república estudantil mais antiga ainda em atividade. Desde 1972 ocupa o mesmo edifício, adquirido pela UC na década de 1990. Foi nessa altura que também ali se instalou a República das Marias do Loureiro, considerada a primeira e única república transfeminista do país. Na reunião da Câmara Municipal de Coimbra da última segunda-feira, dia 25, representantes da Baco e das Marias do Loureiro apelaram ao apoio da autarquia.
Hoje trago-lhe as alocuções proferidas pelos representantes das duas Repúblicas. Haverá ainda tempo para esclarecer o ponto de vista da Universidade de Coimbra, dona do prédio onde residem a Baco e as Marias do Loureiro.
Na segunda parte do programa vamos abordar a questão do futuro contrato-programa da Câmara Municipal de Coimbra a celebrar com a Associação de Futebol de Coimbra. As dúvidas levantadas na reunião do executivo da última segunda-feira levaram José Manuel Silva a retirar o ponto da agenda e a convocar uma reunião extraordinária realizada ontem. O documento sofreu uma profunda alteração e agora garante as necessidades do Comité Regional de Rugby do Centro, da Secção de Rugby da Associação Académica de Coimbra e do União 1919.
No dia 7 de julho, a Universidade comunicou às duas casas de Estudantes a existência de um relatório técnico que aponta para problemas estruturais no imóvel e defende a necessidade da sua desocupação num curto prazo.
Segundo as Repúblicas Baco e Marias do Loureiro, o documento apresenta fragilidades técnicas e não foi acompanhado de propostas concretas de realojamento nem de informação detalhada sobre um eventual plano de obras. Violeta Campos protagonizou a exposição da Real República Baco. Iuri Lopes das Marias do Loureiro reforçou a necessidade de acautelar a continuidade e apelou ao presidente da Câmara e vereação “que usem os instrumentos políticos e institucionais para garantir que a sua continuidade está assegurada”.
Entre os pedidos que dirigem à Universidade e Câmara Municipal estão a possibilidade de alojamento temporário durante as obras, garantias de regresso ao edifício com as mesmas condições de renda e o reconhecimento oficial das Repúblicas como entidades de interesse histórico e cultural.
O presidente da câmara Municipal de Coimbra, José Manuel Silva está confiante de que a Universidade vai encontrar uma solução. À margem da reunião a RUC voltou a abordar a questão levada pela Baco e as Marias do Loureiro à reunião de Câmara da última segunda-feira
No dia 27 de setembro a Universidade de Coimbra enviou à RUC um comunicado que passo a citar.
“O edifício que as Repúblicas Baco e Marias do Loureiro ocupam não garante as necessárias condições de segurança, tal como indica um relatório técnico, resultante de inspeção e análise levados a cabo por um grupo de peritos. O imóvel tem de ser desocupado, por forma a garantir a segurança das pessoas e bens. Os residentes foram contactados, logo que se verificou que a desocupação do edifício era a única solução viável para garantir a segurança, o que ocorreu no início de julho. Dada a criticidade da situação foi indicada a necessidade de desocupação antes do início do ano letivo (final de agosto).
Nas reuniões levadas a cabo entre a Universidade de Coimbra (UC) e as referidas Repúblicas, estas mostraram preferência pela suspensão do contrato de arrendamento existente entre as partes, em vez da indemnização a que teriam direito por interrupção do mesmo, pelo que foi essa a opção assumida pela UC. Neste contexto foi disponibilizado, a todos os estudantes, alojamento em residências dos Serviços de Ação Social da UC, oferta que não foi aceite por estes.
A UC tem em curso um ambicioso plano de recuperação de património, nomeadamente no que diz respeito a alojamento estudantil, com a requalificação de três residências (Alegria, Combatentes e António José de Almeida), e construção de duas novas (Monumentais e Camões). A intenção da Universidade é continuar esta estratégia de melhoria e alargamento da oferta de alojamento estudantil, que passará também pelo edifício em causa, logo que estejam concluídos os projetos e assegurado o financiamento.”
Futuro contrato-programa da Câmara Municipal de Coimbra a celebrar com a Associação de Futebol de Coimbra, garante necessidades do Comité Regional de Rugby do Centro, da Secção de Rugby da Associação Académica de Coimbra e do União 1919.
A alteração do documento a ser assinado entre a Câmara de Coimbra e a Associação de Futebol de Coimbra trouxe alívio e otimismo ao seio das modalidades, depois de alguns dias de incerteza quanto à utilização do Estádio Municipal Sérgio Conceição.
Na última segunda-feira, o presidente da Câmara de Coimbra, José Manuel Silva retirou da reunião a discussão do Protocolo de Cooperação e Cedência de Infraestrutura Desportiva entre o Município de Coimbra e a Associação de Futebol de Coimbra. O autarca reconheceu que o documento precisava de revisão e passou a discussão para uma reunião extraordinária que se realizou esta sexta-feira, dia 29 de setembro.
O novo documento, um contrato-programa de desenvolvimento desportivo, assegura a continuidade do rugby naquele espaço e estabelece um compromisso para, a médio prazo, encontrar condições permanentes para a prática da modalidade na cidade.
A RUC falou com António Picão do Comité Regional de Rugby do Centro, que se mostrou satisfeito. A instituição mantém a sede no Sérgio Conceição. Formação, treinos, jogos regionais e nacionais e finais dos principais campeonatos da modalidade também vão manter-se em Taveiro.
Também a Secção de Rugby da Associação Académica de Coimbra (SR/AAC), representada pelo presidente Paulo Bandeira, confirmou que a situação inicial, que surpreendeu o clube e motivou um comunicado de alerta, foi revista de forma positiva pela Câmara Municipal de Coimbra.
A Académica, recorde-se, é atualmente a única modalidade coletiva da cidade a competir na 1.ª Divisão Nacional.

