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Contra reformas “em cima do joelho” a visão da AAC é clara: “Demita-se Fernando Alexandre.”
Em solidariedade com os estudantes do ensino secundário, a Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC) pronunciou-se publicamente. Os erros nas correções de exame foram “a cereja no topo de um bolo” de problemas identificados que vão do novo modelo de Ação Social à revisão do RJIES.
A Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra (AAC) apresentou a 24 de julho, na entrada do edifício sede da AAC, uma estrutura política satírica. Sob o mote “Isto é Gozar com quem Estuda”, também em painel na fachada do edifício, os Academistas instalaram no espaço um labirinto sem saída e uma figura satírica de Fernando Alexandre, ministro da educação, ciência e inovação, disfarçado de palhaço.
Ao correr o labirinto, podem ser lidos excertos de notícias que relatam casos relacionados a “fracassos” que aconteceram sob a tutela do atual Ministério.
José Machado, presidente da Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC) destaca “o caos dos exames nacionais”, necessários para aceder ao Ensino Superior, a revisão do Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior (RJIES) e a revisão do Regulamento de Atribuição das Bolsas de Estudo a Estudantes do Ensino Superior (RABEEES) como preocupações centrais. O representante da AAC critica a falta de responsabilização e termina com uma exigência clara: a demissão do ministro.
Mafalda Miranda, presidente da Associação de Estudantes (AE) da escola secundária D.Maria participou na conferência e partilhou a sua perspetiva em relação à correção dos exames nacionais e das alterações feitas ao concurso de acesso ao ensino superior. A presidente da AE aponta para casos noticiados por órgãos de comunicação social e relatos provenientes da Escola Básica e Secundária Quinta das Flores para descrever o caos de um processo “logisticamente muito desorganizado”.
Mafalda Miranda sublinha que a resposta apresentada pelo ministério – a criação de uma época especial – gera novas injustiças, e é, por isso, insuficiente. A estudante sugere ainda que a correção dos exames de segunda fase seja feita como em anos anteriores. Apesar de reconhecer a necessidade e a inevitabilidade de uma evolução para o formato digital, Mafalda Miranda aponta que “inovação sem preparação não é progresso, é um improviso” e exige mais responsabilidade e respeito pelo futuro dos estudantes.
José Machado lê a revisão do RJIES, aprovada na Assembleia da República a 8 de maio de 2026 e publicada em Diário da República a 20 de julho de 2026, com “grande desilusão”. Ao microfone da RUC, o presidente da DG/AAC reitera o descontentamento face à falta de representatividade dos estudantes no Conselho Geral da Universidade de Coimbra (CG/UC).
O Academista manifestou ainda o seu descontentamento face ao RABEEES. José Machado acusa o ministro de, no passado, usar o pretexto como “bode expiatório” para justificar o descongelamento da propina e alegar, indiretamente, que só com o aumento das mesmas poderia o Estado reforçar os apoios sociais. A nova fórmula do cálculo para determinar a atribuição de bolsas seria assentada num modelo que leva em consideração o custo real de estudar em cada concelho, juntamente com o rendimento familiar. José Machado afirma que “dezenas de milhares” de estudantes dependem da ação social para prosseguir os seus estudos e que a implementação deste novo modelo coloca em causa a atribuição de várias bolsas. O presidente da Direção-Geral (DG/AAC) aponta ainda a possibilidade de um aumento na demora do processo de atribuição de bolsas.
Para além das críticas apontadas pela AAC em comunicado, como a desconsideração de despesas de agregados com membros com doenças crónicas, a omissão do estatuto de estudante duplamente deslocado e a promoção indireta do alojamento informal, José Machado destaca, em entrevista à RUC, possíveis problemas com a alteração do critério de definição de um estudante como deslocado, fixado num modelo em 50 quilómetros de distância em linha reta.
O alerta é nacional. Pedro Teixeira, reitor da Universidade do Porto, observou, em entrevista ao Público, que, segundo estimativas conduzidas pelos Serviços de Ação Social, o número de bolseiros na Universidade que dirige seria reduzido “em várias centenas”. Luís Loures, presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Politécnicos (CCISP), revelou, em declarações ao Expresso, uma “redução entre os 15% e os 20%”. A Universidade de Coimbra (UC) recusou à RUC, até à data, adiantar estatísticas relativas aos alunos da UC.
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