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13.06.2026POR Rita Santos

“OU” – espetáculo onde visões divergentes se juntam para contar várias histórias

Com inspirações moçambicanas e portuguesas nasce “Ou”, uma performance que explora os limites do corpo, do som e do vídeo. Na quinta-feira, 11 de junho, decorreu a apresentação da peça em Coimbra. Da autoria de André Braga, Cláudia Figueiredo e Panaibra Canda, o espetáculo reuniu cerca de 60 pessoas na Oficina Municipal do Teatro.

Os 80 minutos de atuação, na Sala Laborinho Lúcio do Teatrão, foram seguidos de um jantar no Jardim das Oliveiras. Ao som de música moçambicana, os presentes foram convidados a provar comida tradicional de Moçambique enquanto desfrutavam do convívio ao ar livre. A seleção musical esteve a cargo de João Gaspar, DJ e locutor da RUC.

Com três meses de preparação, os artistas encontraram inspiração na viagem marítima de Vasco da Gama até Inhambane, cidade do sul de Moçambique que o navegador apelidou de “Terra de Boa Gente”.

Troncos e conchas distribuídos pelo espaço foram alguns dos elementos cénicos utilizados para transmitir a ideia de encontro entre o mar e a terra, bem como o contraste entre o conhecido e o desconhecido. André Braga explica ainda que o título “Ou” sugere que a interpretação da peça fica ao critério de cada espectador, permitindo que cada pessoa saia do espetáculo com uma história diferente.

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A sessão começou com a reprodução de uma entrevista a uma curandeira que, segundo os intérpretes, foi uma das inspirações para a criação da peça, influenciando a narrativa e os movimentos desenvolvidos ao longo da performance. André Braga e Panaibra Canda destacam ainda a linguagem híbrida e a sonoplastia como formas de retratar diferentes expressões do mar sob uma perspetiva distinta. Em entrevista, Panaibra Canda explica o conceito.

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A RUC teve a oportunidade de falar com alguns espectadores. Entre opiniões distintas, a linguagem corporal, o dialeto moçambicano e a dimensão mística do espetáculo estiveram entre os aspetos mais destacados. João Aidos, programador do Teatro Municipal da Lousã, reforça a necessidade de uma mediação que vá além da folha de sala neste tipo de espetáculos, de modo a promover uma maior compreensão por parte do público.

A artista plástica Inês Moura refletiu, após o espetáculo, sobre a importância da simplicidade e da necessidade de desacelerar para estar mais presente no quotidiano.

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Renata Mottironi conta que costuma assistir a espetáculos no Teatrão e considera que “Ou” se destaca pelo ritmo crescente ao longo da narrativa, permitindo ao público acompanhar a performance com maior intensidade.

Já Clara Cruz explicou à RUC que a sua ligação a Moçambique foi uma das razões que a levou a assistir à peça. Contudo, não se identificou com o estilo e o registo utilizados para retratar determinadas histórias.

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Depois de ter passado pelo Porto, Lisboa e Setúbal, “Ou” tem como próximo destino o Chile, onde será apresentado no Festival Internacional de Teatro del Biobío, a 11 de novembro.

Pode ouvir algumas opiniões do público no podcast do início do artigo.

Fotografia: @José Caldeira

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