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Proteção dos Idosos em Coimbra: 63% dos casos envolvem cidadãos com mais de 80 anos
Relatório anual de 2025 da Comissão Municipal de Proteção ao Idoso de Coimbra mostra que durante o último ano, foram instaurados 49 processos, num total de 78 processos trabalhados. No final de 2025, 53 processos continuavam ativos (67,9%).
Para o vereador da Iniciativa Liberal, Celso Monteiro, a preocupação aumenta porque 55% dos idosos sinalizados não tinham qualquer apoio institucional no momento da identificação.
Origem e natureza dos casos
As sinalizações vêm de várias fontes, sobretudo dos serviços de saúde (18,4%), como o IPO de Coimbra e a ULS de Coimbra. Também há denúncias de violência e risco social e clínico, o que mostra maior atenção da comunidade, mas também a persistência de problemas graves.
Os principais motivos dos processos são: Violência e maus-tratos: 38,8% (19 casos), sobretudo violência económico-financeira (47,4%), seguida de negligência, violência física e doméstica, vulnerabilidade clínica, social e familiar com 20,4% (10 casos), falta de competências do cuidador informal com 10,2%, insalubridade habitacional a atingir 10,2% e patologia do foro mental em 8,2% dos casos.
Continuidade e pressão sobre o sistema
Um dado crítico é que 53% dos casos transitam para o ano seguinte. Isto mostra a dificuldade em resolver definitivamente estas situações. O aumento desta continuidade levanta dúvidas sobre a capacidade de resposta do sistema num contexto de envelhecimento populacional.
José Manuel Silva, ex-presidente da Câmara congratulou-se com a criação do Gabinete de Gerontologia e Envelhecimento Ativo e Participativo que permite conhecer a realidade dos idosos do concelho de Coimbra.
O relatório reconhece o trabalho das equipas técnicas e políticas envolvidas. No entanto, também aponta problemas estruturais importantes, como: tempo entre sinalização e intervenção, necessidade de mais recursos técnicos e humanos e risco de sobrecarga do sistema.
Lacunas e desafios operacionais
Uma das maiores fragilidades é a falta de apoio domiciliário durante a noite e fins de semana. Para idosos dependentes, isto representa um risco direto para a segurança e dignidade. Ana Abrunhosa, presidente da Câmara assinalou preocupação.
Apesar de existirem respostas já implementadas, como o Gabinete de Gerontologia e Envelhecimento Ativo. Ainda assim, é claro que não basta manter o sistema atual, é necessária transformação, esclarece a vereadora da Ação Social, Margarida Mendes Silva.
Propostas de reformulação
Foi proposta uma mudança no modelo de intervenção, com dois níveis: um núcleo alargado, focado em estratégia e políticas públicas, um núcleo restrito, focado na resposta rápida a casos urgentes.
O objetivo é passar de um modelo reativo para um modelo mais preventivo, integrado e centrado na pessoa, avança Margarida Mendes Silva.
O relatório de 2025 não se limita a descrever a realidade, é um apelo à ação.
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