![[object Object]](/cdn-cgi/image/width=1920,quality=75,format=auto,onerror=redirect/https://bucket.ruc.pt/wp-content/uploads/2026/04/28162117/Sem-Abrigo.jpg)
Desde 2023 sem-abrigo diminuem 31% em Coimbra (5% no último ano)
O número de pessoas em situação de sem-abrigo desceu para 187 em 2025, o que representa menos 31% face a 2023. Só no último ano, a quebra foi de 5%, passando de 197 para 187.
O relatório do Núcleo de Planeamento e Intervenção em Sem-Abrigo de Coimbra (NPISA) foi apreciado pela vereação na reunião de Camarada última segunda-feira.
O documento expressa que do total registado em 2025, 95 pessoas encontravam-se em situação de sem-teto e 92 em condição de sem-casa. Os dados revelam ainda uma predominância de sem-abrigo do sexo masculino e uma maior concentração nas faixas etárias entre os 45 e os 64 anos, apontando para um envelhecimento progressivo desta população.
“Só lá vamos com intervenção em rede”, sublinhou a presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa. Ainda assim, reconheceu a persistência de situações crónicas, dificuldades de acesso à habitação, bem como problemas de saúde mental e necessidade de inclusão socioprofissional.
Na discussão política, a vereadora independente Maria Lencastre defendeu que os dados devem ser analisados para além da dimensão estatística. “187 pessoas […] representam 187 histórias de vida marcadas por fragilidade, solidão, doença, rutura familiar e exclusão social”, afirmou. A vereadora sublinhou a necessidade de respostas integradas e estruturais que promovam autonomia e reintegração, e não apenas soluções de emergência.
Ao nível do apoio direto, o Centro de Reforço Solidário de Coimbra (CRESC) assegurou um total de 19.535 refeições ao longo de 2025. Já o Centro de Acolhimento de Emergência Noturno registou 363 pessoas acolhidas em pernoita durante o mesmo período.
Por sua vez, José Manuel Silva, vereador da coligação Juntos Somos Coimbra, destacou o trabalho desenvolvido e a redução expressiva do número de pessoas em situação de sem-abrigo, classificando-o como “um trabalho excecional”.
No entanto, o ex-presidente da Câmara de Coimbra manifestou preocupação com o encerramento parcial do CRESC, considerando o serviço “insubstituível” e criticando a concentração de respostas sociais na zona baixa da cidade.
À RUC, a vereadora com o pelouro da Ação Social, Margarida Mendes Silva, esclareceu que o CRESC fornece refeições quentes aos fins de semana e feriados, sendo as refeições nos dias úteis asseguradas pela Associação das Cozinhas Económicas Rainha Santa Isabel e entre os parceiros que constituem o NPISA.
Em resposta às críticas de José Manuel Silva, Margarida Mendes Silva afirmou, durante a sessão, que o CRESC não foi eliminado, mas sim reformulado. A vereadora explicou que a reavaliação teve em conta a duplicação de respostas e a necessidade de maior rigor na atribuição de apoios.
As situações de sem-abrigo continuam a resultar, maioritariamente, da acumulação de vários fatores de vulnerabilidade. Entre os principais destacam-se a ausência de suporte familiar, o consumo de substâncias psicoativas, o desemprego, as dificuldades económicas e os problemas de saúde mental.
A necessidade de reforçar a intervenção na área da saúde mental foi transversal às intervenções. João Francisco Campos destacou a falta de respostas a nível nacional e a dificuldade em garantir acompanhamento contínuo, propondo maior envolvimento de profissionais especializados no terreno. O vereador do PSD descreveu ainda a situação dos serviços que prestam assistência nesta área.
No âmbito das respostas sociais, 28 pessoas foram integradas em apartamentos partilhados, uma solução que tem vindo a afirmar-se como um instrumento importante na promoção da autonomia e da estabilidade habitacional. Paralelamente, foram emitidos 21 pareceres para integração em respostas habitacionais.
Apesar das divergências, houve consenso quanto à importância do trabalho desenvolvido e à necessidade de continuidade. “Este relatório mostra que estamos no caminho certo, mas também que o caminho ainda é exigente”, concluiu a vereadora Margarida Mendes Silva.
Apesar da redução significativa, o fenómeno mantém-se complexo e exige respostas estruturais nas áreas da habitação, saúde mental e inclusão social.
Infografia: gerada por IA a partir de uma fotografia da editora
PARTILHAR:


