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Embaixadora da Palestina: “Palestinianos nunca aceitarão serem filhos de um Deus menor”
Embaixadora da Palestina em Portugal, Rawan Sulaiman, defende que a questão palestiniana continua a ser central na agenda noticiosa internacional, sublinhando a necessidade de uma solução política baseada no respeito pelo Direito Internacional. A diplomata elogiou ainda o papel de Coimbra na integração de estudantes estrangeiros.
Rawan Sulaiman esteve ontem em Coimbra, onde apresentou cumprimentos ao reitor da Universidade de Coimbra, reuniu com a Direção da União dos Sindicatos de Coimbra, com a Câmara Municipal e com a Associação Académica de Coimbra. Ao final da tarde, participou numa sessão pública na Casa Municipal da Cultura.
Em declarações à RUC, após a sessão, sublinhou que “o maior erro é tentar retirar a Palestina da mesa” das negociações.
A diplomata apontou o cumprimento do Direito Internacional como condição essencial para alcançar uma solução duradoura para a paz, criticando a sua aplicação seletiva.
“A seletividade é inumana quando se trata de direitos e obrigações internacionais”, afirmou, defendendo que as mesmas regras devem ser aplicadas a todos os contextos, incluindo o da Palestina.
Num discurso marcado por forte carga política, reforçou que o futuro do povo palestiniano não pode ser decidido por forças externas. “Os palestinianos nunca aceitarão serem filhos de um Deus menor”, declarou, apelando à união da comunidade internacional para encontrar uma solução “justa”.
Durante a visita, a embaixadora destacou também o papel de Coimbra enquanto espaço de diálogo e intercâmbio cultural. Referiu que a cidade acolhe atualmente estudantes palestinianos e elogiou a diversidade da universidade, que reúne mais de uma centena de nacionalidades.
A diplomata realçou a importância das preocupações de uma entidade como a Associação Académica de Coimbra.
A presença de estudantes da Palestina na cidade foi ilustrada à RUC pelo testemunho de uma estudante do ISCAC, atualmente a frequentar a Licenciatura em Solicitadoria e Administração. A jovem nasceu no Iémen, após a família ter fugido para o Egito, e desde 2014 que vivem em Moçambique.
À RUC, explicou que escolheu Coimbra por influência de um irmão que se formou aqui em Engenharia Civil e acabou por descobrir uma cidade “marcadamente estudantil”, onde se sente integrada.
Apesar da experiência positiva em Portugal, a estudante partilha uma realidade familiar marcada pelo conflito. Parte da sua família vive na Faixa de Gaza. Apenas a avó conseguiu sair momentos antes da escalada do conflito. Realça que “foi muito difícil acompanhar tudo à distância”.
A jovem recordou ainda o percurso da sua família, marcado pelo estatuto de refugiados desde 1948, ano da Nakba (“catástrofe”), que forçou o êxodo de centenas de milhares de palestinianos.
Foi em Moçambique que aprendeu português.
Questionada sobre um eventual regresso à Palestina, a jovem esclareceu que se trata de um sonho comum a qualquer palestiniano. “Não é uma escolha, é um sonho que vive em todos nós”, afirmou, sublinhando o desejo de quem foi expulso regressar às origens familiares.
Já na Cisjordânia, ações tão simples como ir ao supermercado ou encontrar amigos implicam a passagem por vários “checkpoints”, assinalou à RUC outro estudante palestiniano que frequenta Engenharia Civil.
Na sessão, a embaixadora deixou a mensagem de que a diplomacia, a educação e o contacto entre culturas devem continuar a ser caminhos fundamentais para a compreensão e para a construção de soluções duradouras para a paz. “É mais fácil fazer a guerra”, lamentou.
A iniciativa na Casa Municipal da Cultura integrou as comemorações populares do 25 de Abril e assinalou também o 44.º aniversário do Sindicato dos Professores da Região Centro.
Na última segunda-feira, uma notícia da Agência Lusa deu conta de que “a proteção civil de Gaza, controlada pelo Hamas, indicou que um ataque aéreo israelita atingiu um grupo de civis no norte do território palestiniano, matando cinco pessoas, incluindo três crianças. Já o exército israelita disse à Agência France Press que estava a verificar a informação”.
A mesma agência adiantou que, apesar do cessar-fogo em vigor desde 10 de outubro de 2025, “Gaza continua a ser assolada pela violência diária, com o exército israelita e o Hamas a acusarem-se mutuamente de violar a trégua”.
Além disso, “as restrições à imprensa e o acesso limitado a Gaza impedem as agências internacionais de verificar de forma independente o número de mortos ou de cobrir livremente os combates”.
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