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Assembleia Municipal de Coimbra aprova moção pela paz na Palestina e em Israel
Assembleia Municipal de Coimbra aprovou, esta quinta-feira, uma moção que condena a guerra no Médio Oriente e reforça o apelo ao fim imediato das hostilidades entre Israel e Palestina. A proposta sublinha a necessidade de proteger cidadãos inocentes e alerta para os impactos humanitários da violência, em especial sobre as crianças em Gaza.
O deputado municipal João Malva, do movimento Cidadãos por Coimbra, abriu a sessão apresentando o documento. A moção rejeita explicitamente as ações de terrorismo, a fome e a deslocação forçada de populações como instrumentos de guerra, considerando que estas práticas configuram uma forma de genocídio.
O texto menciona que a escalada de violência iniciada pelo Hamas a 7 de outubro de 2023 tem sido, segundo os deputados, sistematicamente aproveitada pelo Estado de Israel para justificar operações militares que afetam a população civil e as condições de vida em Gaza.
A moção lida pelo deputado do CpC sublinha a importância da criação de dois Estados, Israel e Palestina, e enaltece o reconhecimento oficial do Estado da Palestina pelo Governo português, ocorrido a 21 de setembro de 2025, reforçando a posição de Portugal em favor da diplomacia e da resolução pacífica do conflito.
Rui Rodrigues, do Nós Cidadãos!, clarificou que, embora o grupo fosse votar favoravelmente a moção, não se revia no discurso político de João Malva após a leitura do texto. “Vamos votar a moção e o que nos vincula é o texto da moção. Não me revejo no discurso que lhe deu suporte”, disse.
Helena Mendes, deputada não inscrita, destacou o caráter contraditório da invocação de referências religiosas na contextualização feita pelos Cidadãos por Coimbra. Ainda assim, votou a favor da moção, porque, no seu entendimento, “acima de tudo estão as pessoas e o massacre a que assistimos.”
Luís Silva, do Partido Socialista, reforçou a crítica à atuação de Israel e à conivência do Ocidente. Para o deputado, “é evidente que o Governo de Israel está a matar indiscriminadamente população civil”. No seu entendimento, em Gaza verifica-se “um apartheid que agora se transformou em genocídio.”
Na sua intervenção, o deputado do Partido Social Democrata Carlos Figueiredo explicou a decisão de oito deputados da bancada de votar contra a moção, enquanto três votaram a favor. Embora tenha reconhecido a necessidade urgente de cessar-fogo, de acesso humanitário e de uma solução política baseada na coexistência de dois Estados, o social democrata condenou “de forma inequívoca os ataques terroristas do Hamas contra Israel”, exigindo a libertação imediata dos reféns.
O deputado também defendeu a responsabilização por violações do direito internacional e uma ação diplomática contínua. No entanto, justificou que o grupo do PSD não poderia votar favoravelmente uma moção que falasse de genocídio em Gaza e ignorasse “o massacre hediondo de civis perpetrado pelo Hamas, origem desta guerra”.
A moção foi subscrita pelos três partidos representados na Assembleia Municipal: Cidadãos por Coimbra (CpC), Coligação Democrática Unitária (CDU) e Partido Socialista (PS).
O documento foi aprovado com 35 votos a favor (20 do PS, 3 do PSD, 4 da CDU, 5 do Nós Cidadãos!, 1 de deputada não inscrita e 2 do CpC), contou com 10 votos contra (8 do PSD, 1 do PPM e 1 do CDS) e teve uma abstenção de um deputado não inscrito.
Fotografia: Câmara Municipal de Coimbra
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