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APA já adjudicou reparação do dique e do Canal de Rega da margem direita do Mondego
A reconstrução do dique dos Casais, danificado nas últimas cheias do Rio Mondego que é suporte do canal de rega já tem empresa que o vai reparar. A obra no valor aproximado de três milhões de euros vai começar na próxima semana e terá de estar pronta até dia 1 de maio.
A revelação foi feita por Pimenta Machado, presidente da APA, ontem na sessão promovida pela Câmara e a Universidade de Coimbra junto ao dique que rompeu nas cheias de fevereiro.
À margem da sessão de especialistas sobre a gestão da bacia do Mondego, a presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, sublinhou que a principal conclusão do encontro foi clara: é necessário reconstruir e concluir a obra hidráulica existente.
Segundo a autarca, o sistema atual, com cerca de 40 anos, continua a ser essencial para garantir o abastecimento de água para consumo humano, para a agricultura e para a indústria.
Reconstrução do dique é prioridade
Entre as intervenções mais urgentes está a reconstrução do dique afetado pelas cheias, uma obra que ficará a cargo da Agência Portuguesa do Ambiente (APA). Pimenta Machado revelou na sessão que a agência já tinha escolhido a empresa que vai realizar a obra.
De acordo com Ana Abrunhosa, além da reconstrução da estrutura, será necessário garantir o funcionamento adequado das infraestruturas hidráulicas e reforçar a manutenção do sistema.
A autarca invocou ainda o sentimento dos especialistas de que a presença de vegetação nas margens de uma obra de engenharia hidráulica representa um problema para a segurança do conjunto.
Responsabilidade partilhada na manutenção
Outra das conclusões do encontro passa pela necessidade de um modelo de gestão partilhado para assegurar a manutenção regular das infraestruturas.
Segundo a presidente da Câmara, a responsabilidade não deve recair apenas sobre a Agência Portuguesa do Ambiente mas deve envolver autarcas, especialistas e agricultores. O modelo de governação terá ainda de ser trabalhado.
A criação de um modelo de cogestão para o sistema hidráulico está a ser estudada em articulação com a APA, as autarquias e as associações de agricultores.
Os especialistas presentes no encontro estimam que os custos de manutenção anual do sistema possam situar-se entre 20 e 30 milhões de euros.
Obras urgentes nas margens do Mondego
Paralelamente, a Câmara Municipal de Coimbra pretende avançar ainda este ano com várias intervenções nas margens do rio.
Entre as medidas previstas estão:
- estabilização das margens do Mondego
- remoção de sedimentos acumulados no leito do rio
- recuperação de zonas degradadas ao longo do curso fluvial
- prolongamento do Parque Verde do Mondego
Para executar estas obras, o município pretende celebrar um contrato interadministrativo com a Agência Portuguesa do Ambiente, que permitirá mobilizar financiamento nacional e fundos europeus. Segundo a autarca, a intervenção é urgente.
Cheias de 2026 consideradas excecionais
Também presente na sessão, o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, José Pimenta Machado, considerou que o episódio de cheias registado este ano foi “verdadeiramente excecional”.
Segundo o responsável, 2026 registou os maiores caudais alguma vez observados na bacia do Mondego.
O fenómeno resultou da conjugação de vários fatores, incluindo sucessivas tempestades, solos saturados e o degelo nas zonas montanhosas da Serra da Estrela.
Apesar da gravidade da situação, Pimenta Machado defendeu que a gestão das barragens e das infraestruturas hidráulicas permitiu reduzir significativamente o impacto das cheias. Adiantou que a futura barragem de Girabolhos terá um papel muito importante na gestão de cheias do Mondego.
Tecnologia ajudou a gerir a crise
O responsável destacou ainda o papel da tecnologia e da monitorização em tempo real na gestão das barragens e dos caudais.
Durante os momentos mais críticos, equipas técnicas reuniram várias vezes por dia com diferentes entidades, incluindo operadores de barragens e serviços meteorológicos, para ajustar as decisões de gestão da água.
Segundo Pimenta Machado, decisões tomadas antecipadamente — como a redução do nível de armazenamento Barragem da Aguieira — ajudaram a evitar impactos mais graves na região.
Obras para garantir água à agricultura
Entre as intervenções previstas está também a reparação de infraestruturas de rega associadas ao sistema hidráulico do Mondego.
A Agência Portuguesa do Ambiente prevê iniciar em breve obras no canal de rega, com o objetivo de garantir o abastecimento de água para a próxima campanha agrícola.
Se as condições meteorológicas permitirem, os trabalhos no canal de rega deverão estar terminados a partir de 1 de maio.
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