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12.02.2026POR Isabel Simões

Coimbra em Alerta Máximo perante Possível Cheia Centenária

A cidade de Coimbra enfrenta a possibilidade real de uma cheia centenária nas próximas horas, segundo comunicado da presidente da Câmara Municipal, em conferência de imprensa, após reuniões com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e com a Autoridade Nacional de Proteção Civil e todos os parceiros que estão a colaborar com o município.

O cenário, descrito como grave mas ainda preventivo, resulta do aumento excecional dos caudais do Rio Mondego e das ribeiras que atravessam o concelho e pertencem à bacia hidrográfica do Mondego.

Barragem da Aguieira no limite

No centro das preocupações está a Barragem da Aguieira, que se encontra a atingir o seu limite de armazenamento. Com a chuva intensa nas regiões a montante, toda a água adicional recebida terá de ser descarregada para o leito do Mondego.

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O caudal no açude-ponte já atingiu o limite, podendo chegar entre 2.500 e 3.000 m³/s. A partir desses valores, verifica-se o galgamento da água, com recuo e dispersão pelas zonas ribeirinhas e urbanas. Além do Mondego, o caudal do Rio Ceira está igualmente a aumentar de forma significativa, agravando o risco.

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Zonas em risco de inundação

Até ao momento, áreas rurais do concelho já se encontram inundadas. Existe forte probabilidade de a cheia atingir zonas urbanas, incluindo:

  • Baixa de Coimbra
  • Zona de Coimbra-B
  • Parque Verde e Rebolim
  • Rossio de Santa Clara
  • Zona ribeirinha de Torres do Mondego
  • Conraria e Vendas de Ceira
  • Portela do Mondego e Quinta da Portela

Quanto às ribeiras as preocupações centram-se nas ribeiras de Cozelhas, Eiras, Fornos, Covões e Casais.

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As autoridades alertam ainda para o risco de subida do nível freático, podendo ocorrer refluxo de água pelo sistema de saneamento, especialmente em caves e parques de estacionamento.

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Existe igualmente a possibilidade de roturas adicionais nos diques, embora as zonas mais frágeis já se encontrem alagadas, reduzindo o efeito súbito de libertação de água.

Pico crítico nas próximas horas

As previsões apontam para um momento decisivo entre as 8horas e as 9horas da manhã, altura em que as autoridades vão avisar as populações para saírem de casa, caso se confirme a possibilidade de ocorrência de cheia centenária. O pico máximo de caudal é esperado durante a tarde, por volta das 15horas.

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Caso o cenário se confirme, poderá ser solicitada a evacuação preventiva de famílias das zonas mais vulneráveis. Para já a atenção vai para os sem abrigo e população acamada.

Escolas encerradas e possíveis restrições

Como medida preventiva:

  • Não haverá aulas desde as creches ao ensino superior público e privado em todo o concelho.
  • Os transportes públicos poderão sofrer fortes restrições deixando mesmo de circular.
  • A Ponte Açude e a de Santa Clara bem como vias estruturantes poderão ser encerradas, incluindo acessos fundamentais, em articulação com a Infraestruturas de Portugal.

As autoridades recomendam que empresas adotem teletrabalho sempre que possível e que sejam evitadas deslocações desnecessárias. Os Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra não vão circular, esclareceu Ana Abrunhosa.

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Prioridade absoluta: salvar vidas

A presidente sublinhou que, apesar dos elevados prejuízos materiais já registados, Coimbra mantém zero vítimas, objetivo que as autoridades pretendem preservar.

Estão a ser retiradas pessoas acamadas e cidadãos em situação de maior vulnerabilidade, com o apoio da Cruz Vermelha Portuguesa, do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), bombeiros, forças de segurança e estruturas de apoio social.

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Articulação permanente com municípios vizinhos como Montemor-o-Velho e Soure, que poderão ser fortemente afetados

Recomendações à população

As autoridades pedem à população que:

  • Retire viaturas de garagens em zonas baixas
  • Proteja bens e animais
  • Prepare uma mala para dois a três dias
  • Evite aproximar-se das margens do rio
  • Siga rigorosamente as instruções transmitidas por SMS e pela comunicação social

“Há uma coisa que não controlamos: o tempo. Mas podemos controlar o nosso comportamento”, sublinhou a autarca.

A mensagem central é de tranquilidade com responsabilidade. O cenário é sério, mas os meios estão mobilizados e a resposta está articulada.

Coimbra vive um momento excecional. As próximas horas serão decisivas.

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