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Governo prepara plano nacional de recuperação dos prejuízos das tempestades
Numa declaração feita a 13 de fevereiro de 2026, em Coimbra, o primeiro-ministro fez um ponto de situação sobre os efeitos das tempestades sucessivas que têm atingido o país, com especial incidência na região do Baixo Mondego. Ao lado de autarcas e responsáveis da proteção civil, destacou o esforço coordenado das autoridades e deixou uma mensagem de prudência, esperança e mobilização nacional.
O chefe do Governo começou por sublinhar o trabalho articulado entre a Agência Portuguesa do Ambiente, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, as Forças e Serviços de Segurança, as Forças Armadas, Bombeiros e demais agentes no terreno.
Apesar de reconhecer sinais de algum otimismo, alertou que o momento ainda exige máxima vigilância. Está previsto que a Barragem da Aguieira registe um pico de afluência ao final da tarde, mantendo-se a região sob forte pressão até cerca das 19 horas, momento em que será possível ter uma perspetiva mais clara sobre a evolução da situação.
A gestão preventiva das descargas no Rio Mondego foi apontada como determinante para mitigar impactos. Segundo o primeiro-ministro, a criação antecipada de cheias controladas permitiu aumentar a capacidade de encaixe das barragens, reduzindo o risco de cenários mais graves. O mesmo modelo de cooperação foi aplicado em bacias hidrográficas partilhadas com Espanha, com agradecimento público às autoridades espanholas.
Proteção da vida como prioridade absoluta
O governante frisou que todas as decisões tomadas nos últimos dias tiveram um objetivo central: proteger vidas humanas, o bem-estar das populações e o seu património.
Foi destacado o corte preventivo da Autoestrada 1, medida considerada decisiva para evitar consequências potencialmente mais graves após a cedência de um dique sob o viaduto da zona afetada. “Mais vale prevenir do que remediar”, sublinhou.
As autarquias de Coimbra, Montemor-o-Velho e Soure foram elogiadas pela coragem nas decisões de evacuação preventiva, pedindo às populações que abandonassem temporariamente as suas habitações para garantir segurança. O escoamento das águas em Montemor-o-Velho deverá ser particularmente lento, criando desafios prolongados para autoridades e moradores, esclareceu o primeiro-ministro.
Apoios já no terreno: milhares de candidaturas
O Primeiro-Ministro apresentou números concretos sobre os apoios já ativados:
- Mais de 8.200 pedidos de apoio para habitações próprias e permanentes.
- Até 5 mil euros: apenas com prova fotográfica dos danos.
- Entre 5 e 10 mil euros: mediante vistoria rápida pelas autarquias.
- Mais de 2 mil candidaturas a apoios da Segurança Social por perda de rendimento.
- 3.800 empresas candidataram-se a linhas de crédito, num montante superior a 850 milhões de euros, levando o Governo a reforçar a linha de tesouraria de 500 milhões para 1.000 milhões de euros.
- 4.500 candidaturas no setor agrícola, provenientes de todo o território nacional.
O apelo foi claro: acelerar as vistorias municipais para que o dinheiro chegue rapidamente às famílias afetadas.
Programa nacional de recuperação e resiliência
Para além da resposta imediata, o Governo está a preparar um programa nacional de superação da crise. Luís Montenegro referiu a necessidade de apresentar em breve uma estratégia estruturada no âmbito do Plano Português de Recuperação e Resiliência (PPRR), com vista a reforçar infraestruturas, equipamentos públicos e a competitividade da economia.
O objetivo passa por investir em escolas, unidades de saúde, equipamentos sociais, redes viárias, ferrovia, comunicações, energia e abastecimento de água — num “verdadeiro projeto de transformação nacional” que aumente a resiliência do país face a fenómenos climáticos extremos.
Autarcas destacam prevenção e solidariedade
A presidente da Câmara de Coimbra agradeceu o apoio do Governo, das forças militares, PSP, GNR, Cruz Vermelha, INEM e bombeiros. Sublinhou que a inexistência de vítimas mortais se deveu à articulação eficaz entre entidades e à aposta na prevenção.
Recordou que as cheias controladas implicaram prejuízos na agricultura e transtornos às populações, mas evitaram um cenário mais grave quando o dique cedeu, impedindo um efeito “explosivo” da água.
Mantém-se o estado de alerta nas zonas ribeirinhas de Coimbra, com pedido às populações para não regressarem às áreas evacuadas até nova indicação das autoridades.
Entre a prudência e a esperança
A mensagem final foi de prudência, mas também de confiança: o pior poderá estar a passar, mas a vigilância não será descurada. Ao mesmo tempo, o país prepara-se não apenas para recuperar dos danos, mas para reforçar a sua capacidade de enfrentar desafios futuros.
Como foi sublinhado, proteger vidas hoje é essencial — mas garantir um país mais resiliente amanhã é igualmente imperativo.
Fotografia: Câmara de Coimbra
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