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11.02.2026POR Isabel Simões

Coimbra prepara-se para o pior cenário de cheias e retira mais populações de zonas de risco

Possibilidade de uma nova rotura em diques do Mondego não está excluída. Câmara Municipal de Coimbra garante que está preparada para o pior cenário. Hoje o dique dos Casais, junto ao viaduto da A1, colapsou. O troço da A1 entre Coimbra norte e Coimbra sul foi fechado. Primeiro-ministro e Presidente da República passaram a tarde em Coimbra e Montemor-o-Velho. À noite marcaram presença na conferência de imprensa realizada nas instalações do Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Coimbra.

A presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, falou com a comunicação social no final da conferência de imprensa, que para além da presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa e do primeiro-ministro, Luís Montenegro, contou com a presença da ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho.

A autarca esclareceu que todo o planeamento da proteção civil foi feito com base nas previsões mais gravosas fornecidas pela Agência Portuguesa do Ambiente, incluindo a eventual inundação total da Baixa de Coimbra, um cenário pouco provável, considerado por precaução.

Inicialmente foram definidas sete zonas de evacuação e pontos de acolhimento. Proteção Civil de Coimbra recomendou nova zona de evacuação entre São João do Campo e São Martinho de Árvore.

Na última terça-feira foram retiradas pessoas de Ribeira de Frades, Taveiro, Ameal, Arzila e São Martinho do Bispo, zonas ribeirinhas situadas na margem esquerda do Mondego. Também habitantes da Conraria e Cabouco tiveram de deixar as suas casas.

A informação foi amplamente divulgada por meio de folhetos digitais e físicos, distribuídos pelas juntas de freguesia, GNR e PSP, e colocados até nas caixas de correio, visando preparar psicologicamente a população para uma eventual saída de casa.

Segundo os dados disponíveis, mais de 200 pessoas recorreram aos pontos de acolhimento municipais, um número inferior ao esperado, tendo em conta que, historicamente, apenas cerca de 25% das pessoas abrangidas optam por esses espaços, procurando muitas vezes apoio junto de familiares, esclareceu a autarca.

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Evacuação de lares e ocorrências registadas

A maior preocupação incidiu sobre os lares de idosos. Três estruturas em São Martinho foram evacuadas, com os utentes transferidos para o pavilhão Mário Mexia, escolhido por oferecer climatização, condições adequadas de higiene e espaços para ocupação diária. Esta tarde o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, enalteceu a resiliência dos idosos alojados no pavilhão Mário Mexia.

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Entretanto, registaram-se vários danos: derrocadas na zona da Cerca de Santo Agostinho, evacuação do Mercado D. Pedro V, desabamento de um talude junto ao Hospital da Luz e a destruição de uma habitação na Ribeira da Misarela, na freguesia de Torres do Mondego. A prioridade, sublinhou a presidente da Câmara de Coimbra, é salvar vidas e registar todas as ocorrências para posterior avaliação de prejuízos.

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Está previsto apoio às habitações afetadas, cabendo à Câmara funcionar como elo de ligação entre as famílias e os mecanismos de ajuda disponíveis. Também as infraestruturas rodoviárias sofreram danos significativos, com estradas e muros colapsados.

Pressão nos diques mantém-se elevada

Esta tarde houve uma rotura do dique, nos Casais, junto ao viaduto da autoestrada 1 (A1), na margem direita do Mondego. A rotura verificada ocorreu na margem direita, inundando sobretudo campos agrícolas, mas isso não significa alívio da pressão nas restantes estruturas.

Os diques da margem esquerda continuam sujeitos a fortes tensões, numa situação agravada pela persistência da chuva e pela saturação dos solos.

Além da água libertada pelas barragens, o Mondego recebe caudais do Ceira e de outros afluentes, bem como da chuva caída noutros territórios, como a Serra da Estrela.

Na Ponte Açude, o caudal ultrapassou os 2.100 metros cúbicos por segundo, acima do valor de referência de 2.000 m³/s.

As autoridades alertam que o risco não depende apenas da precipitação em Coimbra, mas de todo o sistema hidrográfico. Para sexta-feira é antecipado um dia particularmente difícil. A autarca de Coimbra apela à população para que não descure as mensagens da proteção civil.

De acordo com Ana Abrunhosa, na margem direita, trabalhadores de uma exploração agrícola recusaram abandonar o local e tiveram de ser retirados. De acordo com a Agência Lusa os quatro trabalhadores foram retirados por fuzileiros.

A autarquia sublinha que a evacuação é obrigatória em contexto de risco de colapso e pede à população que não facilite nem tente regressar às habitações antes do levantamento do alerta.

GNR e PSP mantêm vigilância nas zonas evacuadas, mas a presidente apela ao bom senso: “As pessoas são adultas e têm que ter consciência do risco.”

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Monitorização permanente e prevenção máxima

Os diques estão a ser monitorizados de forma contínua por equipas mistas, com recurso a drones, bombeiros, fuzileiros e militares. A rotura não apanhou as autoridades de surpresa, mas a incerteza quanto à evolução meteorológica mantém o estado de alerta máximo.

A possibilidade de evacuações em locais de risco mantém-se. No próximo sábado haverá nova reunião com a ministra do Ambiente e a APA para reavaliar o cenário com base em modelos científicos e previsões atualizadas.

Escolas da margem esquerda foram encerradas como medida preventiva. “Ninguém nos perdoaria que, por não termos fechado, houvesse um incidente”, afirmou a autarca, reforçando que a prioridade absoluta é evitar vítimas.

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Olhar para o futuro: mais resiliência necessária

Passada a fase crítica, será feito o balanço do que falhou e do que precisa de ser reforçado na bacia hidrográfica do Mondego. A presidente da Câmara de Coimbra destacou como sinal positivo o despacho da ministra do Ambiente para o lançamento do concurso da barragem de Girabolhos e o compromisso do Governo com a modernização das infraestruturas hidráulicas.

“Estes fenómenos, que eram exceção, estão a tornar-se mais frequentes e severos. Temos de criar mais resiliência no território”, concluiu.

No início da tarde, junto ao tabuleiro inferior da Ponte Açude, o primeiro-ministro, Luís Montenegro garantiu aos jornalistas que ninguém “está esquecido”.

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O apelo mantém-se: paciência, prudência e confiança nas orientações das autoridades. O objetivo é claro, que os danos fiquem apenas no plano material e que nenhuma vida seja perdida.

Fotografia: Câmara de Coimbra

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