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13.11.2025POR Isabel Simões

Coimbra continua à espera de uma sala de consumo assistido

Vinte e cinco anos depois da descriminalização do consumo de drogas em Portugal, Coimbra continua sem uma sala de consumo assistido. Uma resposta que Paulo Anjos, da Associação Existências, considera essencial para lidar com o consumo e o impacto social visível na Baixa da cidade.

Em entrevista à Rádio Universidade de Coimbra (RUC), Paulo Anjos, técnico da Associação Existências, recorda que “a Baixa de Coimbra sempre foi um ponto de tráfico e de consumo”, mas sublinha que o fenómeno “é hoje mais visível” porque há menos pessoas a circular nas ruas estreitas da baixa da cidade.

Para o especialista, a criação de uma sala de consumo assistido seria “uma medida fundamental de saúde pública”.

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Segundo o técnico, os padrões de consumo alteraram-se profundamente nas últimas décadas. Se nos anos 90 predominava a heroína, hoje “o consumo é feito sobretudo à base de crack” que tem na sua composição cocaína, nota.

O problema, diz, é que “não existe tratamento de substituição para a cocaína”.

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A substituição de substâncias também se reflete nas ruas: “Há muitos consumidores espalhados pela cidade, mas é na Baixa que se concentra o tráfico e onde estas pessoas se sentem integradas”. Criam laços entre si e uma espécie de subcultura. Isso torna a intervenção mais complexa”, afirma.

Embora a heroína e o ‘crack’ continuem a marcar presença nos contextos mais visíveis de consumo, a canábis é hoje uma substância disseminada entre os jovens e os consumidores ocasionais.

Paulo Anjos alerta, contudo, para a perceção errada de que se trata de uma droga “inofensiva”. O técnico defende, por isso, que deve haver uma abordagem regulada e esclarecida, que passe por uma eventual legalização controlada.

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Para Paulo Anjos, mais do que proibir, é preciso informar e proteger, promovendo um consumo consciente e políticas de prevenção consistentes. O técnico da Existências aponta ainda o envelhecimento dos recursos que trabalham no ICAD (Instituto de Comportamentos Aditivos).

O sistema também não está preparado para responder à realidade destas pessoas, “que não vivem no ritmo das nove às cinco”, refere.

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“Temos falhado na prevenção”

Outra preocupação é o consumo entre os mais jovens. “O consumo é hoje mais irresponsável. Falhámos na prevenção e na forma como falamos com os jovens sobre drogas”, defende.

Paulo recorda que, entre os estudantes universitários, há quem recorra a substâncias estimulantes “para melhorar o rendimento”, enquanto outros consomem canábis de forma diária, “sem consciência dos riscos para a saúde mental e física”.

Além disso, o aparecimento quase diário de novas drogas sintéticas agrava o problema. “Surgem substâncias desconhecidas, com efeitos imprevisíveis. Há projetos de ‘drug checking’ em Lisboa e no Porto, mas em Coimbra não há essa resposta regular. Fazemo-lo apenas em festivais, quando conseguimos apoios”, lamenta.

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A proposta de criação de uma casa de consumo assistido em Coimbra não é nova, mas continua sem avançar. Lisboa e Porto já têm experiências no terreno, com resultados positivos.

Além da redução de riscos, a medida teria impacto na perceção social do problema. “Diminuiria o estigma, o medo e o desconforto da população. E daria dignidade a quem vive hoje marginalizado”, acrescenta.

A lei da descriminalização do consumo de drogas, aprovada em 2000, é reconhecida internacionalmente como um exemplo de política de saúde pública.

Estas e outras questões estarão em debate no Encontro “25 anos da Lei da Droga”, marcado para 21 de novembro na Casa Municipal da Cultura, em Coimbra.

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