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Ana Bastos: “Não é verdade, as obras não pararam durante a época eleitoral”
Mobilidade em Coimbra continua a ser um dos temas mais debatidos da atualidade local. No programa Mata Bicho da RUC, a vereadora da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Bastos e o arquiteto Adelino Gonçalves protagonizaram uma conversa sobre os estrangulamentos no trânsito, nomeadamente na rotunda do Almegue e Casa do Sal e as visões que orientam as diferentes soluções em discussão.
Logo no início da conversa, Ana Bastos fez questão de desmentir o rumor de que as obras do MetroBus teriam sido suspensas durante o período eleitoral.
“As obras não pararam”, garantiu, sublinhando que o foco tem sido a conclusão do Sistema de Mobilidade do Mondego.
Segundo a vereadora, “mais de sete mil pessoas já utilizam o sistema diariamente”, apesar de a circulação se estar a fazer apenas no troço urbano da Portagem ao Vale das Flores. Ana Bastos adianta que se trata de um passo decisivo para a transição de um modelo de mobilidade centrado no automóvel para outro mais sustentável, baseado no transporte público e na bilhética integrada.
O “nó” do Almegue
O debate aqueceu quando se abordou o estrangulamento do trânsito na rotunda do Almegue, um dos pontos críticos da rede viária de Coimbra.
Adelino Gonçalves descreveu a situação atual como “resultado de uma solução de circunstância”, implementada após a suspensão da antiga “Ponte”, um projeto interrompido há mais de uma década.
“Há muito tráfego de atravessamento que não procura entrar na cidade”, observou.
Para o arquiteto, antes de qualquer intervenção definitiva é essencial dispor de dados fiáveis sobre os fluxos de tráfego e compreender a natureza da circulação na zona. Defendeu ainda que soluções rodoviárias de grande escala podem apenas reforçar a dependência do automóvel, sugerindo alternativas como gestão inteligente do tráfego, semáforos e incentivos ao uso da A1.
Já Ana Bastos contestou a alegada ausência de estudos. “Existem estudos atualizados, baseados numa matriz origem-destino, que comprovam que cerca de 60% do tráfego é, de facto, de atravessamento”, disse.
Segundo a vereadora, a solução passa pela construção de uma nova ponte, aproveitando o canal da atual ponte ferroviária, que será desativada após a implementação da Alta Velocidade, e pela transformação da rotunda num trevo rodoviário, o que poderá reduzir as demoras “em mais de 40%” na zona do Almegue.
Adelino Gonçalves, porém, criticou a proposta, considerando-a “uma autoestrada a atravessar o centro de Coimbra”.
“Queremos perpetuar um modelo em que veículos apenas poluem, fazem ruído e atravessam a cidade sem nela entrar?”, questionou.
Em resposta, Ana Bastos sublinhou que o objetivo não é “colocar uma autoestrada no centro”, mas sim hierarquizar a rede viária.
“Há ruas para viver e estradas para circular. O IC2 é uma via nacional, estruturante, que deve garantir continuidade e segurança na circulação”, explicou, acrescentando que o projeto da Quarta Ponte segue essa lógica de planeamento funcional e organizacional da cidade.
Conclusão
A ponte sobre o Choupal continua a dividir opiniões, mas tanto Ana Bastos como Adelino Gonçalves parecem concordar que Coimbra precisa de uma estratégia integrada e de longo prazo, assente em dados, planeamento e numa visão clara sobre o futuro urbano.
O debate sobre a mobilidade em Coimbra está longe de estar encerrado e não se resume aos constrangimentos dos automobilistas. Tem de passar também pela mobilidade suave que a cidade precisa e pelas ligações a outros territórios.
Importa ainda referir que muitos destes investimentos dependem do financiamento do Governo Central, uma vez que a Câmara Municipal não dispõe de meios próprios para os concretizar. Além disso, a União Europeia não facilita financiamento de rodovias, prefere estimular redes que se enquadrem nos objetivos de “desenvolver, modernizar e concluir as redes trans-europeias de transportes”.
Pode esclarecer os diferentes pontos de vista no ‘podcast’ do início do artigo.
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