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José Manuel Silva: “A Baixa nunca mais será a de há 40 anos, a cidade mudou, o comércio mudou, os hábitos mudaram”

Em entrevista à Rádio Universidade de Coimbra, o atual presidente do município, novamente candidato, defendeu uma requalificação da Baixa adaptada às novas dinâmicas da cidade.

Em destaque esteve também a necessidade de “reforçar a dignidade e os meios dos bombeiros sapadores”, a melhoria da coordenação entre corporações e a aposta na prevenção de incêndios florestais.

O candidato da coligação “Juntos Somos Coimbra”, José Manuel Silva, que se apresenta a eleições pela terceira vez, defendeu um conjunto de medidas centradas na segurança, proteção civil e modernização urbana.

Entre as propostas do programa da Coligação Juntos Somos Coimbra, que José Manuel Silva lidera, destaca-se a transformação da Companhia de Bombeiros Sapadores de Coimbra em Batalhão.

Segundo o candidato, a medida visa “reconhecer a dignidade e o sacrifício da profissão”, implicando um reforço hierárquico e de meios, mas não alterações salariais diretas.

O autarca sublinhou que Coimbra tem a “sorte de possuir três corporações de bombeiros”, uma companhia de sapadores e duas de voluntários, e que o município pretende “investir mais, melhorar equipamentos e reforçar a coordenação operacional”.

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Está igualmente prevista a criação de uma Central Comum de Socorro, que permitirá “maior articulação entre as três corporações” e uma resposta mais eficaz em situações de emergência.

Condomínios de aldeia e prevenção de incêndios

No domínio da floresta, José Manuel Silva explicou a necessidade de aplicar o conceito de “condomínio de aldeia”, uma medida de prevenção que implica limpeza, formação e coordenação entre moradores. “É um modelo que já provou ser eficaz, disse.

O candidato lembra que há aldeias que resistiram a grandes incêndios por cumprirem este modelo.

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Cooperação com a Universidade de Coimbra

Questionado sobre a cooperação com investigadores locais na área florestal, o candidato assegurou que o executivo “é bom aluno e bom escutador” e que tem trabalhado de forma próxima com a Universidade e o Instituto Politécnico de Coimbra.

Destacou o envolvimento académico em projetos como a reabilitação do edifício José Falcão, coordenado pelo Departamento de Arquitetura, e defendeu que “as boas relações entre a Câmara e a Universidade são hoje uma realidade”.

Polícia Municipal: armas de fogo e reforço de meios

O presidente da Câmara confirmou a intenção de autorizar o uso de armas de fogo pela Polícia Municipal, após o pedido dos próprios agentes. “Não concordava por princípio, mas respeito a vontade dos profissionais”, afirmou. Para isso, o município vai requalificar as instalações, garantindo cofres e sistemas de segurança adequados, e reforçar o efetivo com mais 10 agentes.

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Mobilidade e estacionamento nos hospitais

Sobre o estacionamento abusivo junto aos Hospitais da Universidade de Coimbra, José Manuel Silva reconheceu o problema, mas afirmou que “não é possível resolver de um dia para o outro”. Defendeu que o MetroBus, atualmente em implementação, será decisivo para reduzir o número de veículos na zona.

“É impossível que as 10 mil pessoas que entram diariamente no hospital o façam todas em carro próprio”, sublinhou.

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O autarca apelou também a uma “mudança de mentalidade” na mobilidade urbana: “As medidas modernas de urbanismo procuram evitar a deslocação em transporte individual.”

Código de conduta para comportamentos abusivos

Entre as novidades do programa está a criação de um regulamento municipal para lidar com comportamentos abusivos no espaço público. Inspirado em modelos do Algarve, o objetivo é “dar à Polícia Municipal base legal para intervir quando a liberdade de uns invade a dos outros”, mantendo o equilíbrio entre segurança e direitos individuais.

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Revitalização da Baixa de Coimbra

O candidato destacou o impacto das atividades culturais promovidas pelo município, como a Feira do Livro, e anunciou a construção de uma residência estudantil com sala de estudo 24 horas para “trazer vida jovem à Baixa”. O Plano Marshall para a Baixa, com 127 medidas até 2029, já está “60% concluído ou em curso”.

Sobre a Baixa, José Manuel Silva rejeitou a visão pessimista de que “está tudo fechado” e defendeu que o centro histórico “está em transformação”. “A Baixa nunca mais será a de há 40 anos — a cidade mudou, o comércio mudou, os hábitos mudaram”, declarou.

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Alterações climáticas e sustentabilidade

No campo ambiental, o presidente apresentou o MetroBus como “a obra climática mais importante” da cidade, afirmando que o projeto “reduz emissões equivalentes à absorção de 750 mil árvores por ano”. As obras subterrâneas associadas estão também a resolver problemas históricos de inundações e a separar águas pluviais das residuais.

Quanto à arborização, José Manuel Silva garantiu que “por cada árvore cortada são plantadas três”, destacando o novo Bosque dos Loios, com cerca de 800 árvores.

Eficiência energética e edifícios municipais

A substituição de toda a iluminação pública por luminárias LED inteligentes é, segundo o autarca, “um dos projetos de maior orgulho” do executivo, que permitirá poupar 74% de energia e 12 milhões de euros em 15 anos.

Já a reabilitação dos edifícios municipais, reconheceu, está limitada por falta de verbas: “Chove no meu gabinete. As janelas têm eficiência zero. Mas preferimos investir nas necessidades dos munícipes antes de reabilitar a sede da Câmara.”

Mudanças na equipa e paridade de género

Sobre a nova lista de candidatos, José Manuel Silva explicou a ausência de três atuais vereadores como “um processo natural da democracia”. A inclusão de novos partidos na coligação, como a Iniciativa Liberal, e a necessidade de assegurar paridade de género ditaram as alterações. “Não há pessoas insubstituíveis”, afirmou.

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