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Sancho Antunes: “Ninguém vai votar no ADN, se votarem é no Sancho Antunes”
Candidato da Alternativa Democrática Nacional critica gestão da mobilidade, propõe “Janelas Iluminadas” para habitação e defende prioridade aos conimbricenses.
O candidato da Alternativa Democrática Nacional (ADN) à Câmara Municipal de Coimbra, Sancho Antunes, afirmou que a sua candidatura nasce da vontade de “dar voz às classes trabalhadoras e menos representadas”. Motorista dos Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC), o candidato acusa o atual executivo de “esquecer quem menos tem” e promete “marcar a diferença com uma lista feita pelo povo e para o povo”.
Facilidade em formar listas
Sancho Antunes garantiu ter tido “muita facilidade” em formar as listas do ADN, chegando mesmo a ter de excluir candidatos. “Tive de dispensar pessoas porque eram demais. É uma lista feita para marcar pela diferença, uma lista do povo”, afirmou.
O ADN concorre apenas à Câmara e à Assembleia Municipal de Coimbra. Segundo o candidato, o partido optou por não apresentar listas às freguesias “por uma questão de honestidade”, recusando repetir os mesmos nomes em diferentes órgãos.
Críticas à gestão da mobilidade
A mobilidade em Coimbra foi um dos temas mais debatidos durante a entrevista. Antunes criticou duramente o atual executivo municipal e a forma como tem gerido os SMTUC e os transportes urbanos. “Os problemas estão identificados há muito tempo. O atual presidente da Câmara prometeu resolver a situação dos motoristas e da manutenção, mas nada mudou”, acusou.
Referindo-se à anunciada greve dos motoristas, o candidato afirmou que a responsabilidade “é do presidente da Câmara e da ex-vereadora dos Transportes”. Defendeu ainda que a falta de apoio aos motoristas e trabalhadores dos SMTUC “é um problema grave, social e laboral”, denunciando situações em que colegas trabalham “30 dias seguidos sem descanso” e depois “não são pagos devidamente pelas horas extraordinárias”.
Sobre o projeto de transformação dos SMTUC em empresa municipal, Sancho Antunes clarificou que “não é contra a empresarialização”, mas rejeita que esta sirva “para acabar com o serviço público”. Criticou também a gestão da frota elétrica e o recurso a dados de 2020 num estudo sobre mobilidade: “Não se pode planear 2025 com dados de 2020, ainda por cima com a influência da pandemia.”
Defendeu ainda a criação de parques periféricos e centros intermodais fora da cidade, de forma a articular os diferentes meios de transporte, incluindo o futuro MetroBus e os comboios da CP.
Habitação: “Coimbra precisa de saber quantas casas vazias tem”
A habitação é outro eixo central do programa do ADN. Sancho Antunes acusou a Câmara de desconhecer “quantas casas vazias ou devolutas existem na cidade” e criticou a criação de “novos guetos sociais”, como os bairros de Taveiro. “A concentração de uma determinada classe num só sítio é má, não há inclusão. A inclusão faz-se dispersando as comunidades pela cidade”, afirmou.
Como alternativa, propõe o projeto “Janelas Iluminadas”, inspirado em modelos aplicados em cidades do norte do país. A iniciativa prevê que proprietários cedam imóveis vazios à autarquia para reabilitação e arrendamento a preços acessíveis, ficando isentos de IMI e de impostos sobre rendas. “Assim combate-se a especulação imobiliária”, defendeu.
“Os conimbricenses primeiro”
Questionado sobre o lema “Os conimbricenses primeiro”, Antunes esclareceu que o ADN “não é contra quem vem de fora”, mas defende prioridade a quem vive e contribui para o concelho. “Há pessoas de outros distritos que vêm para Coimbra só para conseguir habitação social. As regras são permissivas e têm de ser alteradas”, disse, sugerindo que o critério de atribuição tenha em conta o histórico de residência, nascimento e estudo no concelho.
Sobre a aparente discrepância entre o programa nacional do ADN — de orientação à direita — e o seu discurso social, Sancho Antunes respondeu: “Podemos ser de direita e defender causas sociais. O ADN é um partido de direita acentuada, mas moderado e aberto. Eu próprio represento uma direita progressista que acredita no equilíbrio entre economia e justiça social.”
Antunes rejeitou qualquer associação à extrema-direita e destacou que o seu programa “é simplificado e centrado nas necessidades das pessoas: mobilidade, habitação, educação e saúde”.
“Se votarem é no Sancho Antunes”
Sobre o resultado eleitoral, Sancho Antunes mostrou-se realista: “Ninguém vai votar no ADN. Se votarem, será no Sancho Antunes.” Considera que as autárquicas são “eleições de pessoas, não de partidos” e que o eleitor deve escolher “quem conhece os problemas locais”.
Apesar de reconhecer a dificuldade de enfrentar “os grandes partidos”, garantiu que continuará o seu trabalho como motorista dos SMTUC, independentemente do resultado. “A eleição ou não eleição não muda nada. Continuarei a servir a população de Coimbra, como sempre fiz”, afirmou.
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