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30.09.2025POR Lexi Narovatkin

O OUT.FEST arranca já esta semana com uma programação inédita

O Barreiro aloja a 21ª primeira edição do OUT.FEST, que acontece nos dias 2 a 5 de Outubro, trazendo conversas, uma micro-residência, atuações inéditas, estreias nacionais e as vozes e sons do concelho onde o festival nasceu.

Um festival que se diz ser isento de cabeças de cartaz e que se afasta de ser um evento de um, ou dois ou de três géneros musicais, traz uma vez mais ao Barreiro uma programação inédita, incisiva e acima de tudo conduzida pelo gosto e pela experiência. 

Wolf Eyes & DJ Nigga Fox, upsammy, rashad becker ou Beatrice Dillon, são alguns dos nomes de grande magnitude que se encontram programados por alguns espaços da zona, mas a oferta não fica por aqui. 

Encontra-se ainda disponível uma entrevista conduzida a Rui Dâmaso, diretor do festival.

Dia 2 de outubro 

Para começar a falar do OUT.FEST 2025, o projeto colaborativo tekhnē é um bom ponto de partida. Co-financiado pela União Europeia, leva 6 organizações a tecer reflexões teóricas e imposições práticas num uso de tecnologia na arte sonora e na música, desmistificando metodologias e formas de pensamento que caem nas mudanças sociais com origem no desenvolvimento tecnológico, procurando reflexões críticas e ambicionando um espaço inclusivo de discussão. 

Raquel Castro, investigadora e realizadora do festival Lisboa Soa, conversa com Matilde Meireles, artista sonora e entusiasta das gravações de campo, ou field recordings, aprofundando detalhes sobre métodos práticos e da própria escuta enquanto ferramenta tecnológica desta forma de experiência sónica. A conversa tem lugar às 17h na Casa da Cidadania Cabós Gonçalves e é de entrada livre. 

A partir das 18h15, o espaço SIRB “Os Penicheiros aloja Carme López, com a sua abordagem à experimentação na gaita de foles, e o ecossistema aural de rashad becker, naqueles que serão os primeiros momentos musicais do festival. 

A Associação Desenvolvimento Artes e Ofícios (ADAO), conta com os últimos 3 concertos da noite: o drone hipnótico de Leila Bordreuil, a estreia da colaboração única entre Wolf Eyes e DJ Nigga Fox e o regresso de billy woods, que no passado tocava no OUT.FEST como Armand Hammer. 

Dia 3 de outubro 

O segundo dia começa também com momentos em conversa, inicialmente com Carme López, acerca da sua investigação sobre a tradição musical galega, e depois com João Polido, com reflexões ao abrigo da memória cultural, tradição, tecnologia sonora e a história sociopolítica da música, numa conversa intitulada “Spectral Lore of Tradtion”. 

A exploração áudio começa em ϙue x equii, artista ucraniano que apresenta o mais recente disco ‘TIME’ num concerto com manipulação audiovisual, seguido de Beatrice Dillon e a sua fórmula sempre surpreendente de manipular a música electrónica que nos parece já conhecida mas que toma sempre novos contornos criativos.

Encontramos o cair da noite de novo na ADAO, à semelhança do dia anterior, com seis atuações – Masma Dream World, artista com origens no Gabão e uma abordagem quase de feitiço às sonoridades do drone vocalizado; David Maranha e Rodrigo Amado numa convexão de jazz e do drone minimalista; o concerto de Divide & Dissolve com a sua mostra abismal de Doom Metal; o Hardcore noise digital de BBBBBBB; o groove com influências de dub do trio holandês Devon Rexi.e o término da noite com upsammy, numa mistura infecciosa de IDM e Drum and Bass sempre com influências articuladas à arte sonora e ao grande chapéu da música leftfield electrónica. 

Dia 4 de outubro

O dia 4 conta também com um grande contingente de artistas, começando no português funcionário, que nesta instância entra enquanto artista inscrito na Shape Paltfrom, instituição financiada com fundos europeus, seguido do japonês Rai Taiteshi em flauta de bambu e processamento live por Koshiro Hino.

Seguem-se Joana Guerra e Yaw Tremble, colaboração que surge em 2021 a convite do espaço lisboeta Damas conta com trompete, vozes encantatórias, linhas evocativas de violoncelo, percussão, electrónica, teclados, flauta ou gravações de campo em 8 peças, e Miki Yui estreia-se em território nacional com a sua abordagem ao sintetizador modular, tendo já colaborado com Laurel Halo.

A baixista suíça Berther estreia-se às 16h50 na Sala 6 e o guitarrista nascido no Butão, Tashi Dorji toca pelas 17h50 no mesmo espaço. 

Às 19h05 é a vez do espaço Gasoline assumir dois concertos, a mistura efusiva e estridente de Lord Spikeheart, do Quénia, e o noise rock já conhecido pelas salas portuguesas de bbb hairdryer. 

A ADAO recebe de novo seis atuações: António Feiteira e Francisco Oliveira, que compõem a dupla Amuleto Apotropaico,a estreia nacional Ghost Dubs – mestre alemão da bass music, o rock de cuntroaches, também em estreia por cá, divididos entre a alemanha e a frança, HHY & the Kampala, já conhecidos por Portugal enquanto um projeto de Jonathan Uliel Saldanha, o projeto Moin que conta com a percussionista Valentina Magaletti, levando o final da noite para TAYHANA e a sua abordagem de clubbing. 

Dia 5 de outubro

O dia final do OUT.FEST garante imersão e surpresa, começando às 16h45 com o produto final da micro-residência tekhnē, no espaço PADA, que converge 6 diferentes artistas emergentes e os desafia a explorar a antiga zona industrial da cidade e contribuir para o Arquivo Sonoro do Barreiro e produzir um diário sonoro de 5 minutos, a ser apresentado nesta instância. 

No mesmo local, Matilde Meireles entrelaça o Arquivo Sonoro do Barreiro com a sua nova composição “Tangled in Perpetual Motion”, que junta gravações de campo recolhidas pela própria artista.

O momento final do OUT.FEST dá-se no Mausoléu Alfredo da Silva, no coração industrial do Barreiro, para o qual, o compositor norueguês Erik Dæhlin convidou a Banda Municipal do Barreiro, o Grupo Coral TAB e o Grupo de Percussão da Orquestra de Câmara Portuguesa, do compositor Pedro Carneiro, sendo uma das maiores produções do festival.

A programação em detalhe, bem como todas as informações de mobilidade no festival encontram-se aqui.

Na fotografia: Leila Bordreuil @ Victoria-Alexandrova.

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