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AAC faz balanço “positivo” da semana das matrículas apesar de menor afluência presencial

Habitação, praxe e saudades da família estão no centro das preocupações dos novos estudantes que chegam à Universidade de Coimbra. São menos os que fazem matrícula presencial. Possibilidade de se matricularem ‘online’ pode ter contribuído para a diminuição da presença no átrio das Químicas.

A Universidade de Coimbra (UC) deu início a mais um ano letivo com a tradicional Semana das Matrículas. Foram colocados na UC na primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino suuperior 3.524 novos estudantes. Apesar de uma afluência à matrícula presencial, ligeiramente inferior a anos anteriores , resultado, em parte, da possibilidade de efetuar a matrícula ‘online’, o balanço é considerado “positivo” pelo presidente da Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC), Carlos Magalhães.

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O evento, já consolidado como um espaço de receção e integração, foi preparado em conjunto pela Universidade e pela AAC. Além do processo administrativo, os novos estudantes têm contacto com o vasto universo académico de Coimbra, desde as secções culturais, sociocientíficas e desportivas, às juniores empresas (pela primeira vez no átrio das Químicas) e à Erasmus Student Network bem como os SMTUC.

Um dos serviços disponíveis prende-se com os certificados de habitabilidade, essenciais para quem ainda procura quarto em Coimbra.

O documento, disponibilizado durante todo o ano nos serviços da AAC, pretende garantir que os estudantes encontrem alojamento em condições dignas e a preços acessíveis, combatendo as dificuldades do mercado de habitação.

Desafios estruturais: demografia, alojamento e ação social

A AAC aproveitou a ocasião para voltar a chamar a atenção para os problemas estruturais do ensino superior com comunicado nas redes sociais. A associação de estudantes sublinhou que a quebra de candidaturas e colocações reflete não apenas o “inverno demográfico”, mas também falhas políticas que agravam as desigualdades no acesso à universidade.

Entre as críticas apontadas destaca-se a fraca execução do Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior (PNAES), iniciado em 2018 e com apenas 11% de execução até à data, quando o prazo de conclusão termina em 2026. A falta de camas disponíveis agrava a pressão sobre os preços do arrendamento, sobretudo em cidades universitárias como Coimbra, Lisboa e Porto.

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Outro ponto de destaque é o plano de Ação Social, que necessita de revisão. Apesar de Coimbra praticar o preço de refeição mais baixo do país nas cantinas universitárias (2,40euros), a AAC defende uma atualização do plano, para responder às atuais necessidades dos estudantes nacionais e internacionais.

A AAC alerta ainda para o elevado custo de frequência no ensino superior. “Numa família em que ambos os pais recebem o salário mínimo, mais de metade de um vencimento é necessário para sustentar um estudante em Coimbra”, referiu o presidente da DG/AAC.

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A AAC sublinha também a fragilidade da retenção de talento em Portugal, apontando que dois em cada três estudantes acabam por emigrar após concluírem o curso. Para a academia, é necessária uma revisão urgente das condições do ensino superior, não apenas no acesso, mas também na conclusão dos estudos e nas perspetivas profissionais.

Preocupações dos novos estudantes

Entre receios, expetativas e entusiasmo, os novos estudantes partilham impressões diversas. Letícia Barcelos, embaixadora UC, destaca a importância de acolher os colegas deslocados:

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As preocupações com a habitação surgem repetidamente, embora alguns, como Cláudia Monteiro, mãe de um estudante de Engenharia Eletrotécnica, encontrem soluções alternativas por morarem perto de Coimbra.

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Já para estudantes como Natália, que ingressou em Estudos Artísticos, Coimbra sempre foi a primeira opção. “Desde nova que tinha o desejo de vir para cá. É uma cidade acolhedora, feita para estudantes”, disse à reportagem RUC.

Núcleos e áreas científicas

Os núcleos de estudantes também têm desempenhado um papel essencial neste acolhimento. No caso do Núcleo Geociências, as alunas de Geologia Matilde e Beatriz reconhecem que o curso é muitas vezes subestimado, mas reforçam o seu potencial profissional.

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No Núcleo de Relações Internacionais, as dúvidas mais comuns também giram em torno de alojamento e refeições. Rodrigo Rodrigues, secretário da direção, refere que os preços relatados pelos novos estudantes rondam os 300 a 400 euros por quarto e destaca o papel das residências universitárias como alternativa acessível.

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Na semana de 8 a 12 de setembro  a Universidade de Coimbra realiza a Semana de Acolhimento. No dia 10 há concerto dos Quatro e Meia com entrada grátis.

Fotografia: Notícias UC

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