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Escrever na Idade Média – Da Pena ao Pergaminho em exposição no Arquivo Histórico Municipal de Coimbra

No coração dos livros de Coimbra, na Biblioteca Municipal, entre pergaminhos centenários e tintas feitas com segredos da natureza, encontramos o Arquivo Histórico Municipal, guardião de histórias que nasceram muito antes de haver papel, impressoras e computadores.

No espaço está recriado um verdadeiro escritório medieval o Scriptorium com armários, mesas, agulhas, linhas, facas, compassos… e o ingrediente essencial da escrita – a noz de galha, um pequeno “tesouro” criado pela reação dos carvalhos e sobreiros à picada de um inseto. Transformada em pó, misturada com sulfato de ferro ou cobre e goma-arábica, esta matéria-prima dava origem a tintas que resistiram ao tempo. Paula França conta-nos o que podíamos encontrar num escritório medieval.

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O suporte da escrita era o pergaminho, feito de pele de carneiro ou ovelha, cuidadosamente raspada, mergulhada em água de cal e esticada ao sol. Para apagar, não havia borracha: usava-se pele de peixe-lixa, áspera e eficaz. As penas, vindas de ganso, pato ou faisão, eram endurecidas com areia quente antes de serem talhadas para escrever com elegância.

Mas o arquivo não guarda apenas instrumentos. Esconde documentos originais assinados por reis, como D. Dinis, que orgulhosamente escrevia de próprio punho. Entre cartas, capítulos de cortes e florais decorados, percebemos como a escrita era não só um meio de comunicação, mas também um símbolo de poder e administração. Até a nomeação de um porteiro merecia assinaturas especiais — afinal, era ele quem guardava as chaves da cidade.

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Nas atas da Câmara, desde 1490, encontramos decisões políticas, discussões acesas, empates resolvidos com voto extra e até conflitos curiosos — como a vez em que carne de vaca foi rejeitada por não ser “digna” de certa mesa. O quotidiano medieval revela-se em detalhes: o preço do pão, as regras para vender vinho, a lavagem da roupa no rio, o fabrico do sabão. O arquivo tem uma edição da Lei das Sesmarias.

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Entre histórias, objetos e memórias, a doutora Paula França falou-nos também das oficinas para crianças, que descobrem o encanto de escrever com pena, selar cartas com lacre e pintar letras iluminadas. Saem de lá com um pedaço da Idade Média nas mãos — e talvez com a certeza de que, mesmo num mundo digital, há magia no traço feito à mão.

Porque no fim, como nos prova o Arquivo Histórico de Coimbra escrever não é apenas registar… é eternizar no tempo memórias de um passado que faz parte da história da cidade e do país. A exposição “Viagem ao mundo da escrita: em tempo de Camões” pode ser visitada até 29 de agosto.

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