![[object Object]](/cdn-cgi/image/width=1920,quality=75,format=auto,onerror=redirect/https://bucket.ruc.pt/wp-content/uploads/2026/06/05200753/WhatsApp-Image-2026-06-05-at-21.07.36-e1780690126549.jpeg)
Da dor ao poder – A agressividade empática dos Maruja
No Lisboa ao Vivo, no passado dia 26 de Maio, Maruja trouxe o poder monumental do mais recente álbum “Pain to Power” lançado no ano transato. A banda mostrou a necessidade da empatia e da sensibilidade em tempos em que estes parecem se desvanecer, embalada na orquestração pesada guiada pela luz melódica do saxofone.
Por entre a escuridão industrial da sala Lisboa ao Vivo, o quarteto de Manchester apresentou “Pain to Power”, o álbum de estreia lançado em 2025, após uma sucessão de EPs como “Knockarea” lançado em 2023 e “Connla’s Well” lançado em 2024, e singles que estabeleceram a sua reputação como um dos projetos mais promissores a sair da cena do post-punk britânico. Uma sonoridade marcada por uma variedade de influências distintas, desde o jazz de Pharaoh Sanders ou Kamasi Washington, que os próprios reconhecem como influências claras, até artistas de Hip-Hop como Tupac e Kendrick Lamar.
O alinhamento da noite foi composto não apenas pela banda britânica, mas também pelo projeto Lisboeta Bad Tomato com a energia punk com influência eletrónica que abriu a pista de dança para o que se viria a seguir. Apresentaram o seu duplo EP “BARK/BITE” lançado em abril deste mesmo ano.
A entrada de Maruja em palco marcada por uma intensidade que oscila algures entre o teatral e o tribal definiu o que esperar da restante hora e meia de performance. Entre as linhas de baixo de Matt Buonaccorsi que criam a raiz das quais todos os restantes elementos brotam e a bateria colossal de Jacob Hayes que servem como leito para a delicadeza do saxofone de Joe Carroll e a lírica de Harry Wilkinson que ascende por cima da parede sonora como um grito de revolta, uma plateia eufórica e em êxtase celebrou este momento quase ritualístico. A performance foi marcada por uma constante interação com o público, com Joe Carroll, sem falhar qualquer nota, a envolver-se múltiplas vezes na multidão devolvendo a energia primal que lhe foi oferecida ao longo de todo o espetáculo.
O concerto cobriu a grande maioria do alinhamento do álbum Pain to Power, relembrando alguns dos singles mais antigos como “The Invisible Man”. Apesar de um alinhamento preenchido que não deu tréguas nem descanso ao público, houve espaço para um momento solene e quase espiritual, para relembrar a necessidade da sua mensagem, da empatia, do amor e do combate às forças que tentam continuamente nos reprimir e dividir, homenageando as vítimas dos conflitos na Palestina, no Iémen, no Líbano com um minuto de silêncio respeitado em uníssono por toda a sala. O impacto dos Maruja passou o domínio musical e tornou-se algo imaterial como uma onda que envolveu todos os que estavam no LAV.
O quarteto de Manchester continuará a tour europeia que estará por Espanha, França e Reino Unido. Ainda não há planos para lançamento de novo material após o álbum “Pain to Power”; as expectativas permanecem altas para o futuro da banda.
PARTILHAR:


