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É imperativo colocar bandeiras negras à janela
Chegou mal-amado e viu muito lenço branco, mas já mostrou que o tempo lhe dá sempre razão: se António Barbosa pediu bandeiras da Académica a decorar a cidade, Coimbra tem de responder em peso.
Ninguém tinha sequer uma ‘crush’ em António Barbosa quando ele chegou a Coimbra. Apareceu com o epíteto de doutor – nosso querido PhD – e com um currículo não muito atrativo. Já em setembro, estive de pé no Cidade de Coimbra com um papel a fazer de lenço branco, acusei-o de “terrorismo futebolístico” – não sei quantos terão visto as montagens de ‘Osama Bin Bosa’ – e tentei fazer colar a #BarbosOut. Mas, não sendo o mais carismático, o que pratica um futebol mais bonito ou o mais ambicioso, há algo a que não se pode fugir: a fórmula António Barbosa resulta.
Sucedeu ao agora adjunto de Mourinho (que deixou uma herança miserável), tirou a equipa do buraco, fê-la sonhar com a Fase de Subida e tornou a manutenção num passeio. Soube a muito pouco, especialmente quando os astros já pareciam ter-se alinhado, mas não deixou de ser uma boa campanha do incompreendido treinador, que ouviu insultos de todos os quadrantes do Universo Briosa.
24/25 acabou mal, 25/26 começou pior. “Um dia com António Barbosa é um dia a mais”, escrevia-se nas redes. Três derrotas em quatro jogos era obra, especialmente a humilhação contra o colosso Marialvas. Era inadmissível que não apresentasse a carta de demissão no dia em que foi eliminado na Taça. Era inadmissível que quisesse gastar uma pausa de seleções – um ótimo momento em que um novo treinador poderia implementar as suas ideias – para martelar o mesmo futebol desenxabido contra o líder destacado Belenenses. Foi inadmissível quando, ao minuto 4, a Académica já estava a perder 0-1.
Quando menos se esperava, a resposta veio do banco. Barbosa arregaçou as mangas da camisa e, qual borboleta saída do casulo, despiu a pele de lagarta para se transformar num novo homem: mais lúcido, imponente e atrativo. Como se por magia, a Académica transformou-se no Barcelona e, para além de destruir a turma de Belém, ainda deu espetáculo com o Atlético e com o Lusitano (e com o Covilhã, apesar do resultado negativo).
Se foi de besta a bestial num par de semanas, o caminho inverso também se fez. Seis empates seguidos fizeram de Barbosa “covarde”, “sem ambição”, “ultra-conservador”. Mais lenços brancos, mais insultos, mais contestação.
Sem carisma para chegar à conferência de imprensa à Amorim, a dizer “Onde vai um vão todos” ou “E se corre bem?”, o técnico foi cuspindo os mesmos chavões de sempre e fez acreditar que estávamos a navegar à vista. Fomos enganados de novo: Barbosa saiu do Ano Novo a brindar com ‘futebol champagne’ da marca ‘Benito’ e voltou a mostrar que sabe ao que vem.
Quem agora duvida de António Barbosa só pode ser intelectualmente limitado. Faltam sete jogos para o fim e só não digo que vamos lançados para subir porque o meu treinador me ensinou a pensar “jogo a jogo”. A partir de agora não hesito e faço tudo o que me mandar: se o PhD achar importante montar uma praia de nudismo no Rebolim, contem comigo; se o PhD entender que é de máxima importância fazer uma descida coletiva de trenó nas Escadas Monumentais, lá estarei; se o PhD disser que temos de fazer uma vigília pelo Urso do Parque Verde, eu não vou faltar. Portanto, se o PhD, qual Scolari no Euro 2004, quer pintar a cidade com as cores da Académica, é imperativo colocar bandeiras negras à janela.
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