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15.12.2025POR Gonçalo Pina

António Barbosa bateu um record: É o mais empatado dos empatas

Com o resultado fixado em 1-1, um adepto comum disse, algures na bancada do Restelo, que a RUC devia descobrir quando foi a última vez que a Briosa empatou seis vezes seguidas. A pesquisa foi longa, mas a resposta não podia ser mais simples: nunca tinha acontecido.

O empate é o resultado mais aborrecido de todos. Entre viajar, comer/beber e ver o jogo, o adepto fica demasiado envolvido emocionalmente para voltar para casa com um “Podia ser pior…”. Por muito dolorosa que seja, ao menos a derrota deixa no adepto um sentimento muito mais claro e não o obriga a conter o grito de revolta. O agridoce do empate faz com que, muitas vezes, o cenário teoricamente “menos mau” possa ser o mais indesejado.

Se cada arte tem o seu mestre, então a arte do empate tem em António Barbosa o seu doutor. Escusam-se as comparações com Fernando Santos, que, na campanha do Euro 2016, interrompeu a sequência de cinco empates consecutivos com uma vitória frente ao País de Gales. O nosso PhD sobe a fasquia: com o resultado deste domingo, subiu para seis o número de empates seguidos que a Académica já leva. Amora (3-3, a 26/10), Caldas (0-0, a 1/11), 1º de Dezembro (1-1, a 8/11), União de Santarém (1-1, a 29/11), Mafra (3-3, a 6/12) e agora “Os Belenenses” (1-1, a 14/12).

No Restelo, à chegada ao intervalo, um adepto comum sugeriu que a RUC devia procurar a última série de seis empates seguidos da Briosa. Foram trazidos logo para cima da mesa o nome de outros profissionais do ofício, como Paulo Sérgio (12 empates em 26 jogos ao serviço da Briosa) ou Nelo Vingada (18 empates em 59 partidas), mas nenhum deles tinha conseguido tal proeza. Assim, lançámo-nos ao zerozero, fiel companheiro nestas procuras, e fomos à descoberta.

Para encontrar uma série de cinco empates consecutivos é preciso recuar à longínqua temporada 1990/91. A equipa da Académica, que contava com jogadores como Latapy, Rocha, Mickey ou com um Pedro Roma de apenas 20 anos, empatou com Feirense, Benfica de Castelo Branco, Louletano, Portimonense e Varzim. Essa sequência tem ainda a particularidade de contar com quatro 0-0’s seguidos. Nessa época, em que a Briosa competia na Segunda Divisão, a subida ficou a apenas um ponto de distância.

Só é preciso recuar mais três temporadas para achar um registo semelhante. Em 1987/88, a Académica de Vítor Manuel, na altura na Primeira Divisão, também somou cinco empates de rajada – foi com Sporting, Elvas, Chaves, Salgueiros e Penafiel. Para os mais esquecidos, esta é a temporada do “Caso N’Dinga”, em que a Briosa desce de divisão graças às irregularidades dos nossos adversários de Espanha.

Continuámos a correr os registos do zerozero até aos primórdios da nossa velhinha e qual não é o nosso espanto quando percebemos que António Barbosa é, de facto, um pioneiro. Nunca, em 138 anos de história, a Académica tinha empatado tanto de uma vez só.

Não será certamente um registo digno de emoldurar (e o nosso PhD tem de começar a dar ao chinelo se não quer voltar a ficar pelo caminho ainda em janeiro), mas lembremo-nos que já vimos muito pior. Basta voltar a 2021/22, ano da descida à Liga 3, para encontrar uma série de seis derrotas seguidas (e essas, infelizmente, não são inéditas nos livros de história da Briosa).

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