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sábados (13h00)

A reportagem “Peregrinação Interior – Cântico do País Emerso” foi apresentada na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), na passada quarta-feira, dia 29 de abril. Coordenada pelo professor João Figueira, o trabalho propõe uma verdadeira viagem ao Portugal da ditadura e está publicado no jornal digital sinalAberto.
Os textos são da autoria de João Figueira, a arte e imagem de Beatriz Lencastre e Íris de Jesus e a ilustração de Pedro Pires.
O destaque da sessão foi a apresentação da reportagem “Peregrinação Interior – Cântico do País Emerso”, coordenada pelo jornalista e académico João Figueira. O projeto propõe um percurso pelo chamado “país profundo”, através de testemunhos recolhidos em aldeias e vilas do interior.
A reportagem não se limita a contrastar o antes e o depois da revolução. Procura antes compreender os processos de transformação social, dando voz a pessoas que viveram diretamente o período da ditadura e a transição para a democracia.
Entre os temas abordados estão o isolamento, a pobreza, o trabalho infantil e a falta de acesso à educação durante o Estado Novo, bem como as mudanças trazidas pela democracia.
A centralidade dos testemunhos é uma das principais forças do projeto. Ao privilegiar a memória vivida, a iniciativa constrói uma narrativa plural, onde o olhar académico se cruza com a experiência concreta dos cidadãos.
Jornalismo independente e memória histórica
A reportagem foi publicada no jornal digital sinalAberto, um projeto editorial que se assume como independente de interesses políticos e económicos, apostando no chamado “jornalismo lento”.
O modelo privilegia a profundidade, a análise e o pensamento crítico, afastando-se do imediatismo da atualidade mediática. Apesar de ter um público mais reduzido, desempenha um papel relevante no reforço do pluralismo e da democracia.
Segundo os responsáveis, o trabalho não pretende uma neutralidade abstrata, assumindo claramente uma posição crítica em relação à ditadura e valorizando as conquistas da democracia, sem ignorar os problemas atuais, como o despovoamento do interior ou as desigualdades sociais.
Contra o esquecimento e a reescrita da história
Na apresentação do projeto, João Figueira explicou que a ideia surgiu da preocupação com uma tendência contemporânea: a reinterpretação e, por vezes, a romantização do passado ditatorial.
O título do trabalho foi inspirado na obra “O Vendedor de Passados“, do escritor José Eduardo Agualusa, o autor refletiu sobre a forma como a memória pode ser manipulada ou reconstruída. A reportagem surge, assim, como uma resposta jornalística a esse fenómeno, tão frequente nos nossos dias.
O objetivo é simples, dar voz ao cidadão comum, muitas vezes ausente do discurso mediático e académico, e resgatar experiências fundamentais para compreender a história recente de Portugal.
Um convite à participação e à reflexão
A sessão terminou com um apelo à participação ativa, especialmente dirigido aos mais jovens. Conhecer a história, questionar o presente e contribuir para o futuro foram apresentados como pilares essenciais da cidadania democrática.
Fotografia: FLUC

