AUTOR: Isabel Simões E Luís Pereira

DATA: 18.07.2026

DURAÇÃO: ...

Nesta entrevista, Carlos Braga, um dos seguranças mais antigos da noite de Coimbra, partilha o seu percurso profissional e a evolução da vida noturna da cidade ao longo de cerca de quatro décadas.

Braga começou a trabalhar na noite em meados da década de 1980, primeiro no Escorpião, na Mealhada, e pouco depois no Scotch Club, em Coimbra. Inicialmente desempenhava funções atrás do balcão, mas acabou por assumir um papel pioneiro na segurança dentro da sala, numa altura em que os estabelecimentos não tinham equipas de segurança dedicadas.

Ao recordar os anos 80 e 90, descreve uma noite muito diferente da atual. Os conflitos eram geralmente motivados pelo álcool ou por desentendimentos pessoais, mas raramente envolviam armas ou violência organizada. Segundo ele, predominavam confrontos físicos que terminavam rapidamente, muitas vezes seguidos de reconciliação entre os envolvidos.

Braga destaca também o ambiente da época, marcado por maior glamour e preparação para sair à noite. As pessoas vestiam-se de forma cuidada, existiam regras de entrada mais rigorosas e as discotecas procuravam diferenciar-se através da música, concertos ao vivo, desfiles de moda e outros eventos, atraindo públicos distintos.

Ao longo da carreira trabalhou em diversos espaços emblemáticos de Coimbra, como o Scotch e a Via Latina, além de ter criado o seu próprio estabelecimento, especializado em shots inovadores. Apesar do sucesso do projeto, acabou por encerrá-lo devido a problemas relacionados com o espaço arrendado.

Na sua análise, a noite atual perdeu parte da identidade que tinha no passado. Considera que muitos bares oferecem experiências muito semelhantes, sobretudo ao nível da música, e que a facilidade de acesso ao entretenimento através das plataformas reduziu a importância da vida noturna como espaço de convívio social.

Braga refere ainda que a sociedade mudou profundamente. A generalização dos telemóveis e das redes sociais alterou a forma como as pessoas se relacionam e até como reagem perante situações de emergência, lamentando que muitas vezes a primeira reação seja filmar em vez de ajudar.

Atualmente trabalha na Associação Académica de Coimbra, onde continua ligado à segurança, embora numa função diferente. A experiência acumulada permite-lhe identificar rapidamente comportamentos de risco e prevenir conflitos antes que aconteçam.

Ao longo da entrevista, intercala a reflexão sobre a transformação da noite de Coimbra com episódios curiosos vividos ao longo da carreira, ilustrando as diferenças de valores, costumes e formas de convivência entre o passado e o presente.