AUTOR: Isabel Simões

DATA: 12.08.2025

DURAÇÃO: ...

Hoje vamos viajar até à Idade Média e descobrir como se escrevia… na época de Camões. A RUC foi visitar o Arquivo Histórico Municipal. Na Rua Pedro Monteiro, no edifício da Biblioteca Municipal, encontrámos Paula França, que nos desvendou os segredos do Scriptorium Medieval, o espaço em mosteiros e catedrais onde monges e escribas copiavam e iluminavam manuscritos durante a Idade Média.  No Arquivo Histórico Municipal de Coimbra está patente uma reconstituição emprestada pela Santa Casa da Misericórdia da cidade.

Imagine um pequeno escritório medieval: armários de madeira, uma mesa com instrumentos de escrita e um conjunto curioso de ferramentas – facas, tesouras, compassos e até peles de peixe…, sim, peles de peixe! Serviam para apagar erros, lixando a superfície do pergaminho – a borracha medieval.

A tinta nascia de um segredo guardado pelas árvores: a galha, uma bolinha criada quando um inseto pica carvalhos ou sobreiros. Triturava-se no almofariz, misturava-se com sulfato de ferro ou cobre e goma-arábica.  Às vezes levava água, vinho ou vinagre… e estava pronta a escrever a história. O suporte? Pergaminho, feito de pele de ovelha ou carneiro. Após limpas e esticadas, as peles eram cortadas, dobradas e cozidas com linhas de linho, formando caderno. As penas – de ganso, pato ou faisão – eram endurecidas em areia quente, cortadas e transformadas em canetas capazes de criar traços elegantes.

Os tinteiros podiam ser cornos de animais, barro ou vidro. E para o vermelho, nada de rosas: usava-se cochonilha, um inseto!
Mas não se escrevia apenas por gosto. A escrita era ferramenta de poder e administração. Nas câmaras municipais, cartas do rei e dos duques chegavam com selos de cera e instruções para governar.

Até um porteiro da câmara tinha nomeação solene, assinada e selada – afinal, ele guardava chaves, documentos e… sabia onde morava toda a gente. “Era ele que guardava também a chave da cidade e os cofres.”
Nos arquivos ainda encontramos a Lei das Sesmarias, forais decorados com brasões e flores, e atas camarárias que, desde 1490, registam reuniões e… discussões.
Entre pergaminhos, penas e peles de peixe, percebemos que escrever era um ato artesanal, caro e carregado de significado. E que, séculos antes de teclados e impressoras, já se discutia, se decidia… e se deixava tudo registado.

Afinal “…há uma democracia mais antiga do que a gente imagina.”