AUTOR: Isabel Simões

DATA: 23.06.2026

DURAÇÃO: ...

No primeiro dia de verão, na Estação Elevatória de Coimbra fomos ouvir um jovem de apenas 19 anos. Chama-se Afonso Calé, veio de Olhão para Coimbra aos 15 anos para jogar futebol na Academia Briosa XXI, estudou na Avelar Brotero e acabou por descobrir uma forma diferente de olhar para a vida.

No lançamento do seu primeiro livro, “Não Me Deixes Morrer Sem Ter Vivido”, da editora Cordel d’ Prata falou sem discurso preparado, apenas com aquilo que trazia no coração.

“No fundo, eu sempre fui um jovem de sonhos. Muitos sonhos. Sempre sonhei muito, muito mesmo. E aqui estou a realizar um sonho, sem sombra de dúvida.”

Ao longo da apresentação, Afonso explicou que o livro nasceu das experiências vividas em Coimbra: das saudades, das perdas, dos silêncios e das perguntas que o acompanham desde criança.

“Por que temos que morrer? Eu não quero morrer. E outro tipo de perguntas como: o que significa viver? O que é que é isto da vida?”

Entre as muitas referências do livro estão os bisavós do autor. Afonso conta que foi ao vê-los partir que começou a questionar o significado da vida. E foi também através deles que descobriu que o mais importante não é evitar a morte, mas aproveitar o tempo que temos para viver e para deixar uma marca nos outros.

E o medo da morte acabou por dar lugar a outro receio: o de passar pela vida sem verdadeiramente a viver.

“Porque nascer, todos nascemos. Morrer, todos morremos. Mas viver, viver já não é bem assim.”

A partir desse exemplo, percebeu que o seu maior medo deixou de ser a morte. Passou a ser outro: o de não viver plenamente e de não deixar uma marca nos outros, como aqueles que tanto admirava deixaram nele.

“Seja através apenas de uma pessoa, seja através desta sala inteira, todos nós temos a capacidade de nos tornarmos eternos perante a vida. Eternos no amor, eternos nas amizades, eternos nas ligações que nós criamos.”

O jovem autor refletiu sobre emoções, relações humanas e a importância de sentir num mundo cada vez mais acelerado.

Uma das ideias mais marcantes da apresentação foi precisamente essa: a coragem de não viver em piloto automático.

“A maior parte das pessoas pensa que o contrário da felicidade é a tristeza. Eu não acho que seja. Eu acho que o contrário da felicidade é a ausência, é a anestesia, é o piloto automático em que nós vivemos tantas vezes.“

Para Afonso, o livro não é apenas uma história pessoal. É um convite para que cada leitor olhe para si próprio.

“Eu não quero que vocês conheçam a minha história. Quero que vocês aproveitem a minha história para entrar na vossa. (…) Para que nunca, em momento algum, nós um dia olhemos para o nosso próprio espelho e o espelho nos peça: ‘Não me deixes morrer sem ter vivido’.”

“Não Me Deixes Morrer Sem Ter Vivido“ estreia literária de Afonso Calé, foi apresentado na Feira do Livro de Coimbra no último domingo. A obra dedicada também a Coimbra foi construída a partir de perguntas que atravessam todas as idades: o que significa viver, sentir e deixar uma marca nos outros.

Fotografia: Câmara Municipal de Coimbra