AUTOR: Isabel Simões

DATA: 24.04.2026

DURAÇÃO: ...

A entrevista aborda o espetáculo “Guerra & Paz”, uma peça de teatro criada pela “Estrutura” de Cátia Pinheiro e José Nunes, dirigida sobretudo a crianças dos 6 aos 10 anos, mas também pensada para o público em geral. Apesar do título remeter para o clássico da literatura russa escrito por Lev Tolstói, a peça não adapta a obra original, sendo antes construída a partir de oficinas realizadas com crianças. “Guerra e Paz” subiu a palco do Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV) ontem e regressa hoje, dia 24 de abril às 21h30.
O processo criativo baseou-se na escuta ativa de alunos de diferentes escolas do Porto, Coimbra, Ílhavo e Resende, incluindo crianças refugiadas. As suas perceções sobre guerra e conflito, desde discussões entre colegas até experiências com incêndios ou realidades de guerra, serviram de base para o texto. A peça procura dar voz às crianças e refletir sobre temas como medo, perda (especialmente da casa e da família) e autoridade.

A criação contou com a colaboração da artista Capicua, numa parceria já anteriormente testada, e insere-se num díptico sobre conflitos humanos: uma peça para adultos e outra para a infância. O objetivo principal é educar para a paz desde cedo, ajudando crianças (e também adultos) a compreender desigualdades, conflitos globais e questões sociais, sem simplificar demasiado nem ser moralista.

A encenação procura equilibrar clareza e profundidade, evitando tanto a infantilização como a complexidade excessiva. O espetáculo também pretende apoiar pais e educadores, funcionando como ponto de partida para conversas com as crianças.

A entrevista aborda ainda a trajetória da Estrutura, fundada em 2009 com uma abordagem colaborativa e não hierárquica ao Teatro, valorizando todas as componentes da criação. Ao longo dos anos, têm trabalhado com vários artistas e explorado diferentes formatos.

Por fim, discute-se a realidade da cultura em Portugal: apesar de alguma estabilidade atual graças a apoios públicos, o setor continua marcado pela precariedade, dificuldades de financiamento e falta de mecenato, sobretudo para estruturas pequenas. Ainda assim, a equipa da Estrutura mantém-se ativa, desenvolvendo novos projetos ligados a questões sociais e ambientais, como o próximo trabalho sobre o antropoceno baseado em percursos e testemunhos locais da Marinha Grande.