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“O PAÍS É DE QUEM TRABALHA”: MANIFESTAÇÃO NACIONAL SAI À RUA EM COIMBRA
Em Coimbra, a manifestação nacional convocada pela CGTP-IN reuniu milhares de pessoas na luta contra o aumento do custo de vida. Luísa Silva, coordenadora da União de Sindicatos de Coimbra, acredita que o OE2027 foi o principal motor de adesão.
A 17 de outubro, a manifestação organizada pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional (CGTP-IN) integrou uma vaga de protestos do norte a sul do país. Em Coimbra, a marcha partiu da rotunda do Portugal dos Pequenitos, às 10h30, e seguiu até à Praça 8 de Maio, que foi palco dos discursos finais das várias uniões sindicais.
“Melhores condições salariais” e a “valorização dos serviços públicos” estiveram no centro das reivindicações, com as preocupações sobre a habitação a assumir posição de destaque.
Luísa Baptista, professora e porta-voz da Interjovem, organização específica da CGTP-IN dedicada aos jovens trabalhadores, fala sobre as “condições deploráveis” que os jovens enfrentam no mercado de trabalho. Luísa reconhece que, com o aumento do custo de vida, os contratos precários e o difícil acesso à habitação, os jovens “já não têm tempo para viver”.
César Ribeiro, pensionista, veio em solidariedade com a “luta”. Ao microfone da RUC, queixa-se do aumento do preço dos combustíveis, da crise de habitação e da perda do poder de compra. César admite que “não faz ideia como é que as pessoas conseguem sobreviver”.
Entre as palavras de ordem, multiplicaram-se as críticas ao Governo. De acordo com os manifestantes, o primeiro-ministro vive “alienado” dos problemas dos portugueses e “fecha os olhos à juventude”. Em declarações aos jornalistas, em Bruxelas, no passado dia 15 de outubro, Luís Montenegro afirmou que Portugal não tem “instabilidade” e que é “egoísta” importar climas de contestação que não se refletem no país. No protesto, surgiram vários pedidos de demissão ao primeiro-ministro.
Luísa Silva, representante da União de Sindicatos de Coimbra, considera que a grande mobilização traduz o descontentamento crescente perante o orçamento proposto pelo Governo que, garante, não traz melhorias à vida da população.
No dia 24 de novembro, data da votação final do Orçamento do Estado para 2027 (OE2027), está convocada uma ação de luta junto à Assembleia da República. Até lá, a dirigente sindical garante que os trabalhadores “vão estar na rua” e apela à participação dos jovens e estudantes numa luta que, antecipa, “vai ser dura”.
Fotografia: Diana Carlos
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