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Dois em dois: a Briosa que ninguém esperava!
No Prognósticos desta semana, o arranque inesperadamente vitorioso da Académica serviu de ponto de partida para uma análise mais funda do momento da equipa. Entre o entusiasmo pelos seis pontos somados em dois jogos e a necessidade de olhar para lá dos resultados, os comentadores da RUC discutiram forças, fragilidades, soluções e dúvidas de uma Briosa que começou a época acima das expectativas e que chega a Tondela com a ambição intacta.
A Associação Académica de Coimbra / OAF (“Académica / OAF“) venceu o Feirense por 1-0 e vai a Tondela com seis pontos em dois jogos. Com esta vitória, soma duas vitórias em duas jornadas e reparte a liderança da Segunda Liga com outras cinco equipas. Ninguém antecipava este arranque. João Alarcão, o mais eufórico dos comentadores do programa desta semana, admitiu-o sem rodeios: “Como adepto, isto é um início de sonho. Dois jogos, seis pontos. Ninguém antecipava melhor arranque de época.”
Um ataque ainda por provar
O pragmatismo, porém, obriga a uma leitura mais fina do que os resultados sugerem. A Académica não foi propriamente uma equipa muito ofensiva. Apesar de ter o melhor ataque do campeonato a par do Feirense, João Moreira corrige o que havia vaticinou semanas atrás: “ao contrário do que prognosticava, o ataque é o setor da equipa mais débil, parece-me a mim.” Do ponto de vista tático, é, no entanto, uma equipa muito eficiente e pragmática, que encontrou no meio-campo e nos centrais a sua verdadeira força. O golo foi construído exactamente por esse trio: pressão de Marcos Paulo, recuperação de Sinisterra, passe para Leandro, e golo do próprio capitão.
“Nota-se muitas bases da Liga 3. O nosso golo é mais um golo de Liga 3. A nossa pressão, os três médios — Marcos Paulo, Sinisterra e Leandro — a fazerem a diferença.” João Alarcão
A Académica / OAF não foi propriamente uma equipa muito ofensiva. Apesar de ter, a par do Feirense, o melhor ataque do campeonato, o setor mais débil continua a ser precisamente o ataque. João Moreira vai mais longe e corrige-se: há duas ou três semanas vaticinou que o ataque seria o melhor setor da equipa, mas agora admite ter muitas dúvidas e explica porquê. Mané ainda não convenceu, Martin Tavares terá dificuldades em afirmar-se como titular, e o setor ofensivo ressente-se por ter sido o que mais mudou. Enquanto a defesa e o meio-campo são praticamente os mesmos, a frente de ataque está completamente transfigurada, sendo natural que demore mais tempo a assimilar processos. A nota positiva é Afonso Rodrigues, que, não sendo um virtuoso do ponto de vista técnico, parece ser um jogador que dá tudo e não dá uma bola por perdida, afigurando-se como o elemento da linha ofensiva com o lugar mais seguro.
“O Afonso Rodrigues tem-me enchido as medidas. Não é um virtuoso do ponto de vista técnico, mas é um tipo que dá tudo, não dá nenhuma bola por perdida. Parece-me ser aquele jogador da linha de ataque que tem o lugar mais seguro.” João Moreira
Onde está a força da equipa
A verdadeira força da equipa continua a residir no meio-campo e no eixo defensivo. Do ponto de vista tático, trata-se de uma equipa muito eficiente e pragmática, que encontra no meio-campo e nos centrais a sua principal solidez.
O golo da vitória nasceu precisamente desse setor: pressão de Marcos Paulo, recuperação de Sinisterra, passe para Leandro e golo do próprio capitão. Os lançamentos laterais de Leandro Silva continuam a ser um trunfo real. Uma parte significativa do perigo que a Académica cria resulta desses lançamentos que, mesmo ainda longe da área, têm gerado situações perigosas e até golos.
A questão Kaká e a chegada de Vítor Braga
O jogo ficou marcado pela expulsão de Kaká, cuja ausência levanta uma questão imediata para Tondela. À partida, será Hélder Lopes a assumir a titularidade na próxima jornada. É canhoto, o que o favorece naquela posição, e, apesar dos 37 anos, pareceu bem do ponto de vista físico e emocional, tendo feito questão de aplaudir a bancada e de motivar os colegas assim que entrou.
A novidade da semana foi a chegada de Vítor Braga para a baliza. João Moreira admitiu que António Barbosa pode ter identificado as saídas a cruzamentos como um ponto fraco de Carlos Alves e que Vítor Braga poderá vir a colmatar essa lacuna técnica. João Alarcão, mais cético, não escondeu a surpresa perante uma contratação para uma posição que não lhe parecia ser a mais carenciada.
O que esperar de Tondela
Quanto ao Tondela, a antevisão é prudente, mas não pessimista. É uma equipa com bons jogadores, que desceu da Primeira Liga, mas que ainda não está bem oleada, varia demasiado do ponto de vista tático e cuja linha defensiva parece ser o setor mais débil, dando muito espaço e podendo revelar-se particularmente interessante para os avançados da Académica explorarem roturas. João Alarcão alerta para uma variável de caráter: “O Zé Ricardo é um jogador facilmente provocável.”
Seja como for, a Académica pode voltar a surpreender e, se isso acontecer, a terceira vitória deixará de ser uma surpresa. João Alarcão aponta ainda Afonso Rodrigues como uma das possíveis armas para o encontro: “Se eu tivesse de prever quem vai ser o melhor jogador do encontro de sexta-feira, apostava no Afonso Rodrigues. Acho que vai ser um jogo à imagem do Afonso.”
A importância de aproveitar o momento
A importância de ganhar nesta fase é total. O próprio António Barbosa já admitiu que haverá períodos bons e menos bons, e acumular pontos nesta reta inicial é essencial, tendo em conta as fragilidades, pelo menos teóricas, do plantel. A Académica joga em Tondela na sexta-feira, 21 de agosto, às 20h15. A RUC estará lá.
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