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21.06.2026POR Isabel Simões

Campanha de compostagem comunitária em Coimbra tem fraca adesão

A participação da população de Coimbra em práticas ambientais como a recolha seletiva de biorresíduos e a compostagem comunitária continua aquém das expectativas da autarquia. Apesar das campanhas em curso, os resultados permanecem reduzidos, com impacto direto nas metas municipais de reciclagem.

No setor da restauração, existem cerca de 200 estabelecimentos com potencial para recolha de biorresíduos, mas apenas 10% aderem ao sistema. No universo habitacional, dos cerca de 11 500 fogos elegíveis, apenas 25% participam na recolha seletiva de resíduos.

Durante uma sessão pública realizada no Pavilhão Centro de Portugal, no âmbito do debate sobre o futuro da ação climática e da revisão do Plano Municipal de Ação Climática de Coimbra (PMAC-C) técnicos municipais expressaram preocupação com os níveis de participação. Em cada campanha de sensibilização, entre 10 a 20 munícipes aderem às iniciativas.

A campanha de compostagem comunitária iniciada em Trouxemil não regista, até ao momento, qualquer participante.

Segundo dados apresentados na sessão, cerca de 60% dos resíduos do concelho continuam a ser depositados em lixo indiferenciado, colocando pressão adicional sobre os aterros.

Pontos de carregamento de carros elétricos com expansão prevista

Na mesma sessão, o vereador com o pelouro do Ambiente, Clima, Energia e Sustentabilidade, Luís Filipe, destacou a expansão da rede de carregamento de veículos elétricos como uma das medidas em curso.

Atualmente, o concelho dispõe de cerca de 30 pontos públicos de carregamento, estando prevista uma expansão significativa da rede. O autarca sublinhou que se trata de uma intervenção relativamente simples devido à existência de parceiros privados e disponibilidade de investimento municipal.

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Já no que toca à requalificação do espaço público, incluindo mobilidade pedonal, ciclovias e arborização, o responsável reconheceu que se trata de intervenções de longo prazo, que não podem ser concretizadas de forma imediata. Ainda assim, considerou as propostas apresentadas como relevantes e construtivas, sublinhando que refletem uma crítica “reflexiva e honesta”.

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Pobreza energética continua a preocupar

A pobreza energética foi outro dos temas em destaque na sessão. Segundo o Censos de 2021, cerca de 22% das habitações no concelho não dispõem de aquecimento. O vereador reconheceu os desafios na aplicação dos programas de apoio do Governo existentes, referindo que muitas vezes os mais vulneráveis são precisamente aqueles que têm maior dificuldade em aceder a esses mecanismos.
Embora existam programas nacionais de apoio à eficiência energética, através do Fundo Ambiental e do Plano de Recuperação e Resiliência, a adesão não chega sempre aos públicos mais frágeis.

Luís Filipe reconheceu dificuldades na aplicação dos programas de apoio existentes, referindo que os cidadãos mais vulneráveis são frequentemente aqueles que enfrentam maiores obstáculos no acesso aos mecanismos de apoio.

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Foi ainda discutida a possibilidade de a autarquia apoiar financeiramente intervenções nas habitações, nomeadamente através de comunidades de energia renovável. O vereador mostrou abertura para refletir sobre modelos que permitam redistribuir benefícios e poupanças energéticas para quem mais precisa, mas sublinhou que a Câmara não tem capacidade para intervir diretamente nas casas dos particulares.

Comunidades de energia e limitações na Baixa

A autarquia admite estar a estudar modelos de comunidades de energia renovável que permitam maior redistribuição de benefícios e poupanças energéticas, embora reconheça limitações na sua capacidade de intervenção direta em habitações privadas.

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No caso da Baixa de Coimbra, classificada como património da UNESCO, o vereador apontou limitações adicionais à instalação de soluções como painéis solares, o que exige abordagens alternativas.

Participação pública e críticas ao plano climático

O encontro sobre a revisão do Plano Municipal de Ação Climática de Coimbra contou com a participação de ativistas, deputados municipais e cidadãos.

Ainda assim, foram apontadas críticas ao processo de consulta pública do PMAC-C, nomeadamente por ter decorrido em período de férias (entre 19 de agosto e 13 de setembro de 2024) e por, segundo os participantes, não ter garantido no passado uma participação suficientemente ampla. Entre as discordâncias esteve a elaboração do PMAC-C em circuito fechado ou a ausência de referências ao MetroBus no Plano de Mobilidade.

A qualidade de vida urbana com a ausência de árvores em percursos pedonais e a existência de parques de estacionamento que são autênticas ilhas de calor foram outros dos apontamentos vindos do público da sessão.

O vereador, Luís Filipe afirmou claramente que o Plano Municipal de Ação Climática não começa nem acaba na Câmara e considerou que a participação dos munícipes obriga a Câmara a refletir.

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Coletivo defende mudanças alimentares

A sessão contou ainda com a participação do coletivo “Segundas Sem Carne”, que integrou iniciativas associadas ao Plant-Based Treaty. No sábado participou na confeção do ‘coffee break’ com comida vegetariana.

Ivan Barbeira, membro do coletivo e estudante de Mestrado em Antropologia, Globalização e Alterações Climáticas na Universidade de Coimbra, considera que o plano municipal carece de maior concretização e de mecanismos mais claros de participação democrática.

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Sobre a participação no coffee break com comida vegetariana, o eleito do grupo “segunda sem carne” esclareceu que teve como objetivo mostrar que é possível combater preconceitos culturais e provar que opções vegetarianas podem ser simples, saborosas e acessíveis.

Em geral os participantes na sessão defenderam a necessidade de prolongar o debate sobre o Plano Municipal de Ação Climática, com maior envolvimento da população e mais sessões públicas descentralizadas.

Fotografia: Câmara Municipal de Coimbra

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