[object Object]
02.04.2026POR Tomás Cunha

Joaquim Reis em entrevista (Parte II): Académica aguarda homologação do plano de recuperação para avançar com entrada de capital externo

Presidente da AAC-OAF confirma que processo de insolvência está em fase final, com dois recursos do opositor indeferidos pelo Tribunal da Relação. Objetivo mantém-se: SAD com vocação regional e regresso à Primeira Liga.

Joaquim Reis, presidente da Associação Académica de Coimbra — Organismo Autónomo de Futebol (AAC-OAF), confirmou que o processo de insolvência do clube está em fase de resolução, aguardando apenas a homologação do plano de recuperação por parte do tribunal. A declaração foi prestada em entrevista à Rádio Universidade de Coimbra (RUC), no Estádio Cidade de Coimbra, no âmbito das comemorações do 40.º aniversário da estação.

Joaquim Reis reconheceu que a possibilidade de abertura do capital do clube a investidores externos — através da venda de uma participação até 49% numa futura sociedade anónima desportiva — continua em suspenso, mas por razões que escapam ao controlo da direção: “Estamos em standby porque temos um processo de insolvência a decorrer, que ainda não transitou em julgado. Estamos neste momento à espera da homologação do plano de recuperação. Não está nas nossas mãos — isso está nas mãos da juíza que está com o processo a seu cargo.”

Dois recursos indeferidos, caminho desbloqueado

O processo, que se arrastou por mais tempo do que o esperado devido a impugnações de terceiros, registou avanços significativos desde o verão de 2024. Os dois recursos interpostos pela parte opositora junto do Tribunal da Relação foram ambos indeferidos, eliminando os obstáculos processuais que impediam o avanço: “Já não há nenhuma questão processual que impeça a homologação dos planos, que nós assumimos que seja para breve.”

SAD com empresários da região centro

Mesmo com o processo ainda pendente de decisão judicial, Joaquim Reis mantém convicção no modelo de financiamento que defendeu em campanha eleitoral. O presidente justificou a necessidade de capital externo com a escala dos investimentos necessários para regressar ao futebol profissional: “Quando nós estamos a falar de nos elevarmos para ligas profissionais — e a segunda liga é um objetivo intermédio, não o objetivo final; o objetivo é a Primeira Liga, é aí que nós queremos estar, é aí que nós pertencemos —, é evidente que tudo isso tem implicações em termos de custos e de investimentos bem superiores àquilo que são os valores atuais.”

Quanto ao perfil do investidor, a preferência é clara: “O coração do nosso projeto é feito de empresários e empresas da região — não só de Coimbra, da região centro. Os sócios serão sempre também parte dessa sociedade anónima desportiva no futuro.” Ainda assim, o dirigente não excluiu a possibilidade de abertura a outros perfis de investimento: “Não fechamos a porta a que haja outro tipo de investidor que esteja interessado.”

Reorganização interna como prioridade do mandato

Nos meses que decorreram desde a sua eleição, Reis sublinhou que o principal esforço da direção tem sido de natureza organizacional: “O grande foco que temos tido é uma reorganização da Académica — modo de funcionamento, protocolos de procedimentos, reorganização de departamentos e dos nossos colaboradores, de modo a otimizar os recursos que temos.” O presidente reconheceu o problema de dimensão versus meios disponíveis: “A Académica tem uma dimensão significativa e temos um escasso quadro de pessoal para dar resposta a tudo aquilo que são as nossas necessidades. Só conseguimos dar porque esse quadro de pessoal, sendo escasso, é de muita qualidade.”

Do ponto de vista comercial,  Joaquim Reis apontou uma melhoria tangível: “Tivemos este ano um acréscimo do ponto de vista comercial porque foi particularmente trabalhado em relação a anos anteriores.”

A marca que quer deixar

Questionado sobre o legado que pretende construir à frente da AAC-OAF, Joaquim Reis respondeu com contenção e foco no projeto: “Aquilo que eu tenho que fazer, que os meus colegas de direção todos fazemos, é dar o nosso melhor, com um rumo traçado. Não nos desviarmos desse rumo. E o tempo dirá se essa marca fica ou não fica.”

O objetivo de longo prazo, porém, foi enunciado com clareza: regressar à Primeira Liga. “Sim, naturalmente”, afirmou quando confrontado com a questão diretamente.

PARTILHAR: