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RAMPA.3 revela jovens talentos plenos de entrega e paixão

Um grupo de 24 jovens bailarinos, oriundos de diferentes escolas e com percursos distintos, está a dar vida ao RAMPA.3 projeto coreográfico liderado na quarta edição por Benvindo Fonseca. Entre ensaios intensos e um processo criativo exigente, os participantes destacam a entrega, o crescimento artístico e a forte componente emocional que marca a experiência.

Ensaios decorrem na Black Box do Convento São Francisco. Ontem, domingo, bailarinos de várias idades experimentaram pela primeira vez o palco do Grande Auditório. No próximo dia 12 de abril, às 18 horas apresentam “Tábola Rasa”, “Consolation” e “The Pulse of Art”. Para muitos, integrar este projeto foi uma oportunidade única.

Gonçalo Dias, de 17 anos, aluno de dança no Ginasiano do Porto, já conhecia o trabalho do coreógrafo e garante que participar era “pegar ou deixar ir”. O jovem descreve um método de trabalho intenso e rápido, que passa pela aprendizagem técnica, mas também por um aprofundamento emocional das peças. “Quando estou em palco, tudo o resto desaparece”, afirma, sublinhando que em palco tudo esquece.

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A dimensão expressiva da dança é também destacada pelo Pedro Castelo que vem da Escola Básica e Secundária da Quinta das Flores.  Com treze anos, o bailarino encontrou na dança uma forma de comunicar emoções que não consegue traduzir em palavras.

Inspirado pelo bailarino António Casalinho, Pedro Castelo reconhece que ainda procura o seu caminho, admitindo não saber se a dança será o seu futuro, apesar de ser uma paixão.

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Entre os participantes mais experientes, Núria Cardoso, de 20 anos, vem de Tomar da escola da Sociedade Filarmónica Gualdim Pais onde estuda desde o quatro. A bailarina sublinha a energia dos mais novos como elemento agregador do grupo, criando uma dinâmica de motivação mútua.

A jovem realça também o privilégio de trabalhar com Benvindo Fonseca, destacando a profundidade que o coreógrafo imprime a cada movimento.

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Catarina Ribeiro, de 21 anos, vem da Academia de Dança de Alcobaça. Para a RUC evidencia a exigência emocional do trabalho, sobretudo nos momentos a solo. Segundo a bailarina, o coreógrafo desafia constantemente os intérpretes a irem “às suas mágoas e emoções mais profundas”, tornando a dança um exercício de verdade e autenticidade.

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A diversidade do grupo estende-se também a bailarinos de outras geografias. Mallu Belém, de 17 anos, natural da Baía, Brasil, encontrou na dança contemporânea uma nova forma de expressão, mais livre e fluida. Atualmente a estudar em Coimbra, valoriza a versatilidade como ferramenta essencial para se adaptar às exigências do projeto. Apesar de ponderar seguir psicologia, garante que a dança continuará sempre presente na sua vida.

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A acompanhar musicalmente o projeto está na peça “Consolation” a pianista Mercedes Cabanach, que mantém uma ligação de longa data com Benvindo Fonseca, desde os tempos do Ballet Gulbenkian. Para a artista, este trabalho representa “um sonho tornado realidade”, destacando a capacidade do coreógrafo em unir bailarinos com formações tão distintas. “Sem ele seria quase impossível”, afirma, elogiando não só o talento, mas também a dimensão humana do criador.

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O próprio Benvindo Fonseca reconhece os desafios de trabalhar com um grupo heterogéneo, mas aponta o “querer” como o elemento que une todos. O coreógrafo assume uma abordagem inclusiva, valorizando mais a entrega e a vontade do que os cânones tradicionais do corpo na dança. “Há um brilho no olhar que não engana”, disse. Todos têm em comum “o querer” explica o coreógrafo.

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Além da criação artística, Benvindo Fonseca deixa também uma reflexão sobre o setor em Portugal, defendendo mais oportunidades para jovens bailarinos e a criação de novas companhias. Considera que existe talento e formação de qualidade, mas falta espaço para o desenvolvimento profissional.

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No final, este projeto revela-se mais do que um espetáculo. É um espaço de encontro entre gerações, estilos e histórias de vida, onde a técnica se cruza com a emoção e onde cada intérprete procura, à sua maneira, deixar a sua marca no mundo da dança.

Fotografia: Câmara Municipal de Coimbra

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