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Festividades sem fim à vista – Emissão especial e vanguardismo musical
As celebrações dos 40 anos de RUC não têm por enquanto fim à vista. Um concerto dos maestros do industrial – KIK – colide com o Teatro Académico de Gil Vicente, e os Navegantes da Rua invadem o corredor da Rádio, para fechar a grande emissão especial.
Sob o lema “40 Anos – Que Lindo Serviço!”, as celebrações arrancavam na matinée da Casa das Artes Bissaya Barreto, com Telma e André Tejo a cargo da pista. O evento revelou-se extremamente positivo, com música electrónica de dança, que preencheu em grande um dos mais importantes centros de cultura artística da cidade.
A tão esperada festa de aniversário, que teve lugar no LIT, encheu também de carinho todos os participantes, reunindo gerações de associados, abrindo caminho para os mais novos, acabados de entrar na secção, despertando ainda mais o bichinho por descobrir este “mistério” da radiodifusão. Por todos os cantos se ouviam falar de grandes histórias destas últimas quatro décadas, e sem dúvida que foi um dos mais bonitos momentos por cá vividos.
A Secção de Fado da Associação Académica de Coimbra, estreava pela primeira vez nos estúdios de emissão um concerto em formato “Tiny Desk”, protagonizado por elementos do Grupo de Fados e Guitarradas Honoris Causa.
O restante mês de março, conta ainda com programação artilhada pelos organizadores das celebrações, com uma emissão especial nas instalações da Rádio, que só termina com música ao vivo, protagonizada pelos bracarenses Navegantes da Rua, e ainda com um concerto final, que tem lugar no Teatro Académico de Gil Vicente, às mãos de Jonathan Uliel Saldanha e João Pais Filipe, que corporificam o projeto KIK.
14/03 – 14h00 – 19h00: Emissão especial com concerto de Navegantes da Rua
O trabalho de radiodifusão, central à atividade RU(iana, não se limita apenas ao que acontece na sua emissão programada, pelo que este dia abre portas a uma extensa emissão especial, no renovado estúdio, que conta ainda com um concerto mexido dos bracarenses Navegantes da Rua, no corredor.
Para este momento, o tradicional formato de emissão é momentaneamente abandonado, e os locutores aventuram-se por segmentos de conversa mais curtos, mais dinâmicos e acima de tudo articulados.
A emissão irá cobrir a génese do Centro Experimental de Rádio e a sua transição em 1986 para a atual entidade conhecida como Rádio Universidade de Coimbra, bem como a história da mesma ao longo das últimas quatro décadas. Passa também pela discussão de algumas cenas musicais icónicas da cidade – como a do punk rock ou do pioneirismo da música electrónica de dança – até ao mais vasto panorama da música nacional.
A vertente profissionalizante da sua missão enquanto rádio-escola terá também lugar à mesa, além de considerações em debate acerca do futuro da prática jornalística; da evolução da mobilidade em Coimbra nas últimas décadas; do papel do município no estímulo da cidade, e ainda o crucial papel das parcerias que a RUC mantém com entidades ativas no papel de fomentar a cultura local.
O grande foco musical da tarde é o concerto dos Navegantes da Rua, que trazem ao 3º piso da Associação Académica de Coimbra a sua mistura entre saxofone, baixo e percussão efusiva, unindo as pontas do rock ao jazz. O trio composto por Israel Machado, André Mendes e David Machado, regressa à cidade para apresentar temas do seu mais recente lançamento ‘Pontas Soltas (2025)’, e garante mais uma sessão nacional no Corredor da RUC. Para quem já teve oportunidade de ver o trio em ação, pode se esperar efetivamente dança, pois os músicos põem mesmo uma pista a mexer.
21/03 – 21h30: Concerto de aniversário com KIK
A reta final do mês recebe uma mostra avassaladora do experimentalismo electrónico no Teatro Académico de Gil Vicente.
O destaque do programa recai sobre KIK, projeto que une Jonathan Uliel Saldanha e João Pais Filipe, duas referências da criação sonora nacional. Jonathan é uma das personagens centrais em projetos como HHY & The Kampala Unit e de HHY & The Macumbas, que junta também João Pais Filipe, músico que já colaborou com Rafael Toral, Burnt Friedman ou Angélica Salvi. Ambos mostram uma carreira intimidante, mas também querida aos entusiastas do experimentalismo que se cria por Portugal.
Em apresentação está o álbum ‘Nightshift (2025)’, uma exploração de percussão cibernética e design de som, que cruza a música eletrónica contemporânea, com a experimentação industrial, e que existe no espaço liminar entre a música corporal e a abstração – uma trilha sonora para armazéns fantasmas e máquinas com defeito. Para os próprios, KIK não é apenas música, é um ambiente sonoro imersivo, e uma vez que o diabo está nos detalhes e nas entrelinhas, é precisamente aí que o público ouvinte se vai encontrar posicionado.
Haverão temas que repensam a música de club, como We Can’t Dance e a sua estrutura rítmica incomum, ritmos mais convencionais como em Smoke Machine, mas também momentos de imersão, no tema Back Room e um puro assalto polirrítmico em Tactical Gear.
O álbum na íntegra, lançado sob o selo da portuense Horror Vector, está disponível para escuta no bandcamp da editora. Para fãs de Rian Treanor, Proc Fiskal, Jlin e Lorenzo Senni.
Sob batismo de fogo, o TAGV e a RUC recebem pela primeira vez o projeto em Coimbra, e os bilhetes podem já ser adquiridos em lojas FNAC, ou através da bol.pt.
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