[object Object]

Estudantes da CPLP denunciam racismo e misoginia após áudio polémico em Coimbra

Associações de estudantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa denunciaram a existência de racismo estrutural na academia após a divulgação de uma mensagem de voz discriminatória. O caso gerou indignação na comunidade estudantil e reacendeu o debate sobre os limites da liberdade de expressão no espaço universitário.

A polémica surgiu depois de circular uma mensagem de voz que causou indignação entre estudantes internacionais e levou as associações e representantes estudantis a posicionarem-se publicamente. O áudio, gravado por estudantes do Instituto Superior de Contabilidade e Administração, foi partilhado inicialmente num grupo de estudantes de Direito e acabou por se disseminar entre a comunidade académica.

Os dirigentes associativos afirmam que o episódio reflete problemas mais profundos de discriminação e exclusão nas instituições de ensino superior.

Representantes estudantis e membros de associações de estudantes internacionais sublinham que o caso não é isolado e defendem ainda que a situação expõe a existência de racismo estrutural no meio académico.

Ao microfone da RUC, Samuel Alfredo Gomes, ativista de direitos humanos e jurista, comenta a resposta das instituições a este caso

0:00

O academista reforça que o episódio não é inédito e que situações semelhantes já ocorreram em grupos de estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.

Afirma que o caso deve servir como um momento de reflexão e aprendizagem dentro da academia e defende também que a universidade e as associações estudantis assumam uma posição mais clara e pedagógica no combate ao racismo.

Em entrevista à RUC, o mestrando explica a importância de criar uma unidade curricular de Direito Antidiscriminatório.

0:00

Samuel destaca que é essencial garantir que juízes e advogados estejam preparados para lidar com casos de racismo estrutural e outras formas de discriminação de maneira consciente e fundamentada.

Também deu parecer sobre o caso a vice-presidente da Associação de Estudantes Angolanos em Coimbra, Isamara de Oliveira e o Presidente da Associação de Estudantes Cabo-Verdianos em Coimbra, Leonardo Cabral.

Ambos os dirigentes mostraram estar preocupados com a normalização de discursos racistas e misóginos nos dias de hoje.

Em declarações à RUC, Isamara de Oliveira relata o estado de choque ao ouvir o áudio.

0:00

A vice-presidente diz que ficou profundamente preocupada com a normalização de ideias violentas e retrógradas contra as mulheres.

Alerta também que essas mensagens perpetuam a violência e reforçam estereótipos nocivos na sociedade atual.

PARTILHAR: