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Ministra do Ambiente garante que canal de rega do Mondego estará reparado no dia 1 de maio
Na sequência das recentes cheias no Rio Mondego, a ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho patrocinou a assinatura de um protocolo entre a APA e a Ordem dos Engenheiros para avaliar a gestão e a resiliência das infraestruturas da bacia hidrográfica do Rio Mondego. Estudo tem de estar pronto em 100 dias. Em paralelo a APA garante que a partir de 1 de maio canal de rega estará reparado.
A iniciativa surge depois de episódios de inundação e do rompimento do dique nos Casais que suporta o canal de rega. Hoje, à margem da assinatura do protocolo, nas instalações da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), a ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho reforçou junto dos órgãos de comunicação social que o estudo , agora encomendado, terá como foco três pontos essenciais:
- Analisar as causas do recente rompimento de diques, ocorrido numa zona sensível junto a uma ponte da auto-estrada, e perceber se há necessidade de reforços estruturais adicionais;
- Avaliar a manutenção de todo o sistema hidráulico, identificando falhas e prioridades de intervenção;
- Estudar a eventual modernização das infraestruturas, tendo em conta a nova realidade climática e a frequência crescente de fenómenos extremos.
Segundo a tutela, o Mondego é um rio com características particulares, em que existem diques construídos no final dos anos 80 destinados a conter caudais elevados do rio de forma a evitar inundações em zonas agrícolas e proteger populações.
Embora a obra seja considerada um marco da engenharia nacional, a ministra do Ambiente defende agora a necessidade de a adaptar às alterações climáticas.
“O que estamos a fazer é reforçar a resiliência”, foi sublinhado, numa referência à importância de tornar as infraestruturas mais resistentes para proteger pessoas, bens e atividades económicas.
150 milhões para intervenções urgentes
Paralelamente foi aprovado um despacho de emergência no valor de cerca de 150 milhões de euros, destinado a financiar obras urgentes relacionadas com as cheias e com a preparação da época de incêndios, adianta Maria da Graça Carvalho.
As intervenções abrangem várias bacias hidrográficas, incluindo as do Mondego, Tejo, Lis, Sado e Guadiana, e serão executadas através de contratos-programa com municípios e comunidades intermunicipais.
Entre as prioridades está a reparação de margens, açudes e sistemas danificados, bem como a garantia de funcionamento do canal de rega do Mondego até 1 de maio, data considerada crucial para os agricultores iniciarem a rega das sementeiras que vão começar a fazer nos próximos meses.
A agricultura foi um dos temas centrais da cerimónia. Foi assegurado que o financiamento para as obras necessárias já foi disponibilizado à APA e que, salvo imprevistos meteorológicos, o canal de rega estará operacional no início de maio.
Reconheceu-se, contudo, que algumas propriedades mais próximas dos diques poderão não recuperar a tempo para a próxima colheita, estando previstos apoios através do Ministério da Agricultura.
Alterações climáticas e efeito dominó
Foi destacado que os fenómenos recentes resultam de uma conjugação de fatores excecionais: precipitação recorde, solos saturados após meses de chuva intensa e impactos indiretos dos incêndios do ano anterior, que reduziram a capacidade de retenção de água nas encostas.
Sublinhou-se ainda que as cheias foram agravadas pela acumulação de madeira queimada nos leitos dos rios, afetando o escoamento da água. o presidente do Conselho Diretivo da APA, Pimenta Machado, garantiu que a precipitação este ano em Coimbra “bateu record de sempre da precipitação”.
Neste contexto, a adaptação às alterações climáticas passa não só pelo reforço de diques e barragens, mas também pela revisão de procedimentos de manutenção, verificação de sistemas de emergência e maior articulação entre entidades, esclareceu a ministra.
O relatório da Ordem dos Engenheiros deverá estar concluído em 100 dias, embora se espere que conclusões intermédias permitam iniciar desde já procedimentos para eventuais obras estruturais.
Ana Abrunhosa, presidente da Câmara Municipal de Coimbra, destacou a importância da coordenação entre Governo, municípios e associações de agricultores, defendendo que uma possível regionalização não substituiu a ação governamental.
Rede elétrica e infraestruturas críticas
Outro tema abordado foi a vulnerabilidade da rede elétrica. Está em curso um estudo para avaliar o custo-benefício de enterrar linhas de média e alta tensão em zonas críticas. Contudo, Maria da Graça Carvalho reconheceu que a solução é dispendiosa e que linhas subterrâneas também apresentam riscos em caso de inundações ou sismos.
A decisão final dependerá de análises técnicas detalhadas conduzidas por especialistas do setor energético.
Preparar o futuro
O Governo reconhece que Portugal é particularmente exposto aos impactos das alterações climáticas e que eventos extremos poderão tornar-se mais frequentes. O objetivo, foi reiterado, é transformar as lições das cheias recentes num plano de ação que reforce a proteção das populações e das atividades económicas.
Quanto a novo desassoreamento do Mondego, são novamente visíveis bancos das areia no leito, José Pimenta Machado não descarta a hipótese mas remete uma resposta definitiva para as recomendações do relatório dos especialistas.
O bastonário da Ordem dos Engenheiros, Fernando Almeida Santos, na cerimónia de assinatura do protocolo com a APA, informou que irão ser convidados cinco especialistas para a produção conjunta do relatório de forma a ajudar o país e o território a ter soluções para mitigar consequências das cheias do Mondego.
Com financiamento assegurado e estudos técnicos em curso, os próximos meses serão determinantes para definir o futuro da gestão da bacia do Mondego e aumentar a sua capacidade de resposta perante novos episódios extremos.
Fotografia:Ordem dos Engenheiros
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