
Bloco do Beco une culturas em Coimbra com ensaios de rua e desfile a 14 de fevereiro
O som do carnaval brasileiro volta a ecoar pelo coração de Coimbra através do Bloco do Beco, um coletivo que tem vindo a afirmar-se como um espaço de encontro cultural, artístico e humano.
Entre ensaios semanais, e muita música, o grupo reúne brasileiros, portugueses e pessoas de várias nacionalidades em torno da celebração carnavalesca. O primeiro ensaio de rua decorreu hoje na Sé Velha e a RUC esteve lá.
Fomos conversar com alguns dos elementos do grupo. Ângela, brasileira do Estado de São Paulo, vive em Coimbra há quatro anos e integra o Bloco do Beco há três. Aposentada no Brasil e proprietária de um comércio no seu país de origem, encontrou em Portugal um lugar para desfrutar a vida. “Aqui eu simplesmente me divirto”, afirma, destacando o carinho que sente pelo país e pelas pessoas.
Para Ângela, o Bloco do Beco é mais do que um grupo musical: “É uma família. Uma família muito unida”.
Os ensaios decorrem todas as quartas-feiras, a partir das 19 horas, no GEFAC, e são o ponto de encontro onde se constrói, semana após semana, o espírito coletivo do bloco.
Entre os novos rostos está Fernanda, que entrou para o grupo há cerca de seis meses. Também brasileira e residente em Coimbra há quatro anos, chegou à cidade devido à transferência profissional do marido. No Brasil, costumava frequentar blocos de carnaval apenas como espectadora, mas esta é a primeira vez que participa ativamente.
A experiência, garante, tem sido “maravilhosa”, marcada por muita aprendizagem, união e alegria, com grandes expectativas para o desfile de carnaval do dia 14 de fevereiro.
Apesar das mudanças pessoais que se seguiram, Fernanda decidiu ficar e continuar a vida em Portugal com os filhos.
A vertente musical ganha ainda mais destaque com a participação de João Victor, guitarrista natural de Recife. Este será o seu primeiro ano em cima de um trio elétrico — uma novidade até para quem vem de um país conhecido pela tradição carnavalesca.
“No Recife não temos tanto essa tradição de trio elétrico”, explica o músico. Depois de, no ano passado, acompanhar o desfile ao lado do trio, este ano o objetivo é “fazer melhor” e subir finalmente ao palco móvel.
Profissional da música, João Victor atua regularmente em Coimbra, acompanhando músicos como Celso Cambaio e Rodrigo Silveira, maestro e mestre de bateria do Bloco do Beco.
Na sua perspetiva, Coimbra vive um momento particularmente favorável à música brasileira, com cada vez mais grupos e oportunidades de inserção artística.
O Bloco do Beco afirma-se, assim, como um exemplo vivo de intercâmbio cultural, onde o carnaval serve de ponte entre histórias, sons e identidades. Em Coimbra, o ritmo brasileiro não só anima as ruas, como reforça laços e cria uma verdadeira comunidade em festa. E os ensaios de rua vão continuar todos os sábados até 14 de fevereiro, das 15horas até às 18 horas, agora na Praça do Comércio.
Pode ouvir a entrevista ao mestre de bateria e a Jurema, dois dos elementos do Bloco do Beco, realizada no programa Culturama, no ‘podcast’ do início do artigo.
PARTILHAR:


