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Laura Vinci expõe no Círculo Sereia “Triz”, um sopro do tempo e matéria que respira
No Círculo Sereia, em Coimbra, a artista brasileira Laura Vinci apresenta uma exposição onde o tempo, a matéria e o sopro da vida parecem suspensos no ar. A mostra nasceu de um convite inesperado. Como explica a artista, “quem teve a ideia foi o Carlos Antunes… não foi nem Agnaldo, nem eu”.
O curador Agnaldo Farias acompanha o projeto, mas foi o encontro entre Vinci e o espaço que determinou o rumo da criação.
A exposição reúne obras apresentadas recentemente no Museu de Escultura de São Paulo, mas Laura insiste que nunca repete uma mostra.
No Círculo Sereia, a arquitetura molda a respiração das peças. Uma das grandes inspirações desta exposição surgiu no Museu Nacional de Arte Antiga, diante do célebre quadro de Bosch, “A Tentação de Santo Antão”.
Entre a abundância de figuras fantásticas, Vinci fixou-se numa criatura peculiar.
A artista trabalha com vapor há mais de duas décadas e reconheceu na imagem uma centelha familiar. Assim nasceram os cones de fumaça presentes na sala.
Outro núcleo da exposição envolve uma taça de mármore da qual a areia cai continuamente, evocando uma ampulheta. Aqui, o processo exige um gesto humano diário.
Para Laura Vinci, o essencial não é medir o tempo, mas senti-lo.
A reflexão sobre o tempo acompanha Vinci desde os anos 1990 e atravessa também os seus diálogos com a natureza. As folhas douradas, que parecem ouro, são esculturas metálicas. Para ela, são “relíquias de um futuro”.
“O meu trabalho se faz da arquitetura, com a arquitetura… são espaços construídos para os nossos corpos.” Na Sereia, essa relação torna-se evidente. A exposição não ocupa apenas o edifício, respira com ele.
Laura Vinci reconhece que a arquitetura é presença estruturante na sua obra.
Com uma carreira que atravessa artes visuais e teatro, Laura Vinci prepara agora a cenografia de uma ópera no Brasil, um novo desafio para o próximo ano. A exposição “Triz” de Laura Vinci, com curadoria de Agnaldo Farias, está patente no Círculo Sereia até 20 de dezembro.
Pode ouvir a conversa no ‘podcast’ do início do artigo.
Fotografia: Círculo Sereia
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