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“Quando se começa a remediar, o sistema habitua-se ao remédio” – João Louceiro, dirigente da FENPROF

O membro da coordenação do Sindicato dos Professores da Região Centro e da FENPROF, expôs os “cancros terríveis” do ensino em Portugal. João Louceiro garantiu ainda que a batalha dos professores pela recuperação do tempo de serviço é “fortíssima” e que “nada cai do céu”, “às vezes o resultado da luta não aparece de imediato”. Ao microfone da RUC, o responsável destacou a falta de professores e contestou as soluções colocadas em prática.

O membro da Federação Nacional dos Professores (FENPROF) entende que o país chegou à crise no ensino por “persistentes opções políticas” que determinam “desinvestimento” nas áreas da educação. O docente sublinhou também que as condições pouco atrativas da profissão levam poucos jovens a formar-se no setor, o que agrava a falta de professores.

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O dirigente sindical acredita que o “ponto de partida” para o desmerecimento da profissão, vem de décadas anteriores quando se “dizia que havia professores a mais em Portugal”, o que permitiu “aos governos ir poupando sem sentir a pressão do investimento”.

João Louceiro entende que apesar da crescente desvalorização da carreira, “os professores são insubstituíveis” e as soluções do Ministério da Educação, Ciência e Inovação são “atabalhoadas”. O docente pontuou ainda, que grande parte dos desafios que os professores têm tido, passam pela luta da “recuperação do tempo de serviço” e pela reposição dos profissionais aposentados.  

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A intervenção do Ministro da Educação, Fernando Alexandre, no Web Summit, foi também alvo de crítica no microfone do entrevistado. Em resposta à possibilidade de um “tutor digital” para cada aluno, o membro do sindicato reconhece que “é evidente que a inteligência artificial pode ter o seu espaço e potenciar aprendizagens mas que a relação entre professor e aluno é “património da humanidade”.

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De acordo com o responsável existem 15 mil profissionais habilitados para dar aulas mas que acabaram por desistir pelas condições pouco atrativas da profissão. O mesmo defende que para contornar esta problemática, “pequenas medidas não bastam” mas sim “uma abordagem estrutural”.

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O dirigente indica que a revisão do estatuto da carreira “ainda não começou verdadeiramente” e que “o governo tem a obrigação de ser sério neste momento”. João Louceiro admitiu ainda que algum tempo de serviço já foi recuperado contudo, lembrou os professores já aposentados, sem esta oportunidade. Apesar deste avanço, representante sindical considera que são várias as questões a tratar “já” e acusa o ministério de as deixar pendentes.

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Relativamente às soluções impostas no 1ºciclo, como juntar turmas numa só aula lecionada pelo mesmo docente, João louceiro posiciona-se contra, e afirma que os grupos de alunos “por si só, já comportam uma grande diversidade” e que esta medida coloca as suas aprendizagens em causa. O encarregado entende que se trata de um “truque para disfarçar a falta de professores” e que “todos vão pagar isto muito caro”. No seguimento da questão, foi também abordada a falta de acompanhamento para alunos de ensino especial que desassistidos, “estão a ir para a escola para passar lá o tempo e não para aprenderem e desenvolverem as suas potencialidades”.

Na voz da FENPROF mas também do Sindicato dos Professores da Região Centro, João Louceiro contestou ainda qualquer solução que passe pelo “aligeiramento da formação dos professores”.

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