![[object Object]](/cdn-cgi/image/width=1920,quality=75,format=auto,onerror=redirect/https://bucket.ruc.pt/wp-content/uploads/2021/08/13075401/helena-freitas.jpeg)
Helena Freitas agraciada com Grande Prémio Ciência Viva 2025
Docente da Universidade de Coimbra foi distinguida com o Grande Prémio Ciência Viva 2025. Em entrevista à Rádio Universidade de Coimbra, destacou o significado simbólico deste prémio, associado ao legado de Mariano Gago, ministro da Ciência e Tecnologia entre 1995 e 2002, na promoção da ciência em Portugal.
Helena Freitas, referência na área da biodiversidade e da sustentabilidade, reforça a importância de aproximar o conhecimento científico da sociedade. Entre os marcos da sua carreira, lembra a criação do Centro de Ecologia Funcional, hoje classificado como excelente e envolvendo equipas de Coimbra, Porto e Universidade Nova de Lisboa.
Também participou na fundação da Sociedade Portuguesa de Ecologia, mas afirma que o que mais a orgulha é o trabalho de equipa. “Tenho comigo pessoas extraordinárias que me ajudaram e continuam a ajudar”, disse.
Para além da atividade académica, integra a direção do Parque de Serralves, onde desenvolve projetos que juntam ciência, educação, arte e cultura, com foco na sustentabilidade.
O seu grande eixo de ação futura é a transição agroecológica, trabalhar com agricultores, promover mudanças de práticas e transformar sistemas alimentares para garantir vidas e ecossistemas mais saudáveis.
Entre os projetos que coordena, destaca-se o europeu GOOD – Agroecology for Weeds, que envolve 16 países e procura soluções biológicas para substituir herbicidas e pesticidas, apostando em microrganismos benéficos, biodiversidade e abordagens inovadoras.
Sobre a participação da Universidade de Coimbra na COP30, no Brasil, considera que foi uma decisão acertada. Defende a importância de instituições científicas contribuírem com conhecimento credível para decisões globais.
Helena Freitas sublinha ainda o respeito devido às comunidades indígenas, responsáveis por grande parte da conservação das florestas tropicais e enfrentando ameaças sérias. Sobre o novo financiamento português para apoio climático a países lusófonos, lembra as responsabilidades históricas e a proximidade cultural que devem ser valorizadas.
Coordena também um programa doutoral destinado a estudantes africanos de países de língua portuguesa, criando redes de jovens investigadores empenhados em transformar os seus países.
Para a investigadora, “é preciso reconstruir cumplicidades e criar redes de cooperação transformadoras”. Questionada sobre o incumprimento das metas climáticas, não hesita – “Falhamos todos.”
O planeta caminha para um aumento de temperatura próximo dos 3°C, muito acima dos 1,5°C do acordo de Paris, apesar de alguns progressos recentes. Ainda assim, a docente da Universidade de Coimbra vê sinais positivos uma vez que 35 países, incluindo Portugal, mostram ser possível descarbonizar sem travar o desenvolvimento económico, e até economias como a China ponderam reduzir a intensidade das suas emissões.
O Prémio Nacional Ciência Viva vai ser entregue na próxima segunda-feira, dia 24, Dia Nacional da Cultura Científica. O prémio foi criado em 1996 por José Mariano Gago, em homenagem ao professor, poeta e divulgador de ciência Rómulo de Carvalho que nasceu neste dia.
Pode ouvir a conversa na íntegra no ‘podcast’ do início do artigo.
PARTILHAR:


