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“Luzes, câmaras, ação!” Festival Caminhos do Cinema Português regressa de 15 a 22 de novembro para “derrubar fronteiras”
Coimbra volta a afirmar-se como epicentro do cinema português com a 31.ª edição do Festival Caminhos, que celebra a produção nacional e aposta na coesão cultural e territorial. Entre as 800 propostas recebidas a organização escolheu 120 filmes, alguns deles presentes em festivais de cinema internacionais.
Fitas como “Pai Nosso, Os Últimos Dias de Salazar” de José Filipe Costa, “A Memória do Cheiro das Coisas” de António Ferreira, “O Riso e a Faca”, de Pedro Pinho, passam na seleção Caminhos, acolhida pelo Teatro Académico de Gil Vicente(TAGV).
O filme de Pedro Pinho abre o festival e os espetadores vão poder ver a versão integral, que tem cerca de 5 horas e 30 minutos.
Em ante-estreia, “Entroncamento” de Pedro Cabeleira é, entre outros, um dos destaques de João Pais, da direção do festival.
A 31.ª edição do festival foi apresentada ontem, dia 24, no Estúdio 1 da Casa do Cinema de Coimbra, espaço simbólico que um dia destes pode voltar a ganhar vida. O festival vai continuara a espalhar-se por municípios da região como Mealhada e Penacova.
“O cinema tem importância para a nossa cidade e para a região. É um instrumento de coesão social, territorial e institucional”, sublinhou Maria Carlos, vereadora da Cultura do Município de Coimbra.
Em destaque o investimento de mais de meio milhão de euros na requalificação do Estúdio 2 da Casa do Cinema. A diretora da Câmara Municipal de Coimbra lembrou a criação da primeira incubadora de indústrias criativas dedicadas ao cinema e ao audiovisual, um passo considerado “estruturante” para o futuro do setor na cidade.
A parceria com a Universidade de Coimbra mantém-se como um dos pilares do festival. O vice-reitor para a Cultura e Ciência Aberta, Delfim Leão, elogiou “a regularidade, qualidade e resiliência” da organização, lembrando os desafios ultrapassados desde a pandemia.
Também a Mealhada, pela voz de Filomena Pinheiro, reforçou o papel educativo e formativo do cinema.
Álvaro Coimbra, presidente da Câmara Municipal de Penacova enviou um texto onde lembrou a chegada de novo equipamento de projeção financiado pelo PRR, permitindo a exibição regular de cinema nacional no auditório municipal.
“É por esta via que contribuímos para conquistar novos espetadores e disseminar o trabalho de novos talentos”, referiu em mensagem escrita.
Para Silvio Santos, diretor do TAGV, o festival é “um movimento de resistência cultural que ajuda a manter vivos os locais de exibição e de encontro comunitário”.
A Associação Caminhos do Cinema Português, liderada por Tiago Santos, vê esta edição como início de uma nova fase. O festival aposta na valorização da produção nacional, na mediação de públicos e na requalificação de espaços históricos, devolvendo-lhes a função que outrora tiveram. Entre as presenças há a possibilidade de João Botelho que tem na categoria “Outros Olhares”, o filme Good Little Girls.
Tiago Santos fala dos encontros com os criadores e de uma festa que quer celebrar o movimento “Rave”.
Numa altura em que o ‘streaming’ domina o consumo audiovisual, o festival reafirma o valor da experiência partilhada, esse momento raro em que um grupo de desconhecidos, numa sala escura, ri, chora e se reconhece ao mesmo tempo.
Como sintetizou o vice-reitor, Delfim Leão, “os Caminhos lembram-nos que ser humano é sentir emoções, e as emoções são mais fortes quando vividas em conjunto”.
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