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Grande Noite do Fado e da Canção de Coimbra homenageia maestro Virgílio Caseiro
Tributo reúne gerações e instituições da cidade em espetáculo, este sábado, no Convento São Francisco, pelas 21h30.
Grande Noite do Fado e da Canção de Coimbra regressa ao Convento São Francisco, com um programa especial dedicado ao maestro Virgílio Caseiro, figura incontornável da música e da cultura conimbricense.
A homenagem, que integra a nona edição do evento — interrompido apenas pela pandemia, em 2020 —, pretende celebrar décadas de contributo artístico, pedagógico e humano do maestro, cuja influência marcou “gerações e gerações na cidade”.
Na conferência de imprensa de apresentação, Filipe Carvalho, representante do Convento São Francisco, explicou que o programa deste ano “é um tributo de agradecimento que não é apenas nosso, é da cidade”.
O responsável destacou o “diálogo cordial e desafiante” mantido entre o Convento e os Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra, parceiros na organização do evento, sublinhando que o desafio para homenagear Virgílio Caseiro partiu dos próprios antigos orfeonistas, que “sentiram a urgência de reconhecer uma pessoa que marcou gerações”.
Um tributo à carreira e ao legado cultural
Rui Carreira, um dos responsáveis pela organização, recordou o percurso do maestro como “um formador de músicos e cantores excecionais” e como alguém que “despertou o interesse pela música desde as camadas mais jovens”. Caseiro foi o criador do projeto “Heróis da Música”, que procurou incentivar a aprendizagem musical como “componente essencial da formação individual”.
Já o diretor artístico da Grande Noite do Fado, Rui Paulo Simões, destacou que este será “um tributo não apenas musical, mas humano e artístico”. O espetáculo, disse, procura “mostrar a obra do maestro em todas as suas facetas — como arranjador, compositor, poeta e pintor”.
O programa foi desenhado acompanhando o percurso de Virgílio Caseiro “desde o primeiro contacto com a música até à consolidação da sua carreira artística”, numa estrutura que combina o fado, a canção de câmara e outras formas musicais.
Uma celebração com múltiplas vozes
O evento reunirá diversas instituições e grupos corais ligados ao maestro ao longo das últimas décadas, como o Coro dos Antigos Orfeonistas, o Coro dos Professores, o Coro Polifónico de Antigos Alunos, o Coro da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, e ainda a Orquestra Clássica do Centro, fundada com o seu envolvimento.
Segundo Rui Paulo Simões, “não seria possível reunir num único espetáculo todas as instituições e coletivos que o maestro fundou ou dinamizou”, mas o objetivo é construir um alinhamento “coerente e representativo” do seu percurso. “Todos estamos à volta de um amigo, e quem ama, cuida”, afirmou, sublinhando que cada instituição contactada respondeu “com surpresa, gratidão e imediato entusiasmo”.
“Um mestre que tocou milhares de vidas”
Filipe Carvalho, em nome do Convento São Francisco, recordou também a sua própria experiência pessoal com o homenageado: “Quando cheguei a Coimbra, vindo de outra área, foi o maestro que me ensinou como se monta um concerto. Nunca esquecerei isso.”
Sublinhou ainda o impacto multiplicador do trabalho de Virgílio Caseiro: “Se cada coro tem 30 ou 35 elementos, e multiplicarmos isso pelos anos em que o maestro trabalhou com eles, percebemos quantas centenas ou milhares de pessoas foram tocadas pelo seu exemplo.”
O espetáculo, que terá lugar hoje, sábado, 4 de outubro, promete reunir no palco orquestras, coros, fadistas e antigos alunos ligados ao maestro, num momento de comunhão artística e afetiva. “Será, acima de tudo, uma homenagem justa, sentida e sincera a um homem que fez de Coimbra uma cidade mais musical”, concluiu Rui Paulo Simões.
O concerto acontece no âmbito do Festival “Correntes de um Só Rio”
Fotografia: Convento São Francisco@Marco Gomes
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