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25.09.2025POR Isabel Simões

Debate entre Francisco Queiroz (CDU) e Maria Lencastre (Chega) aquece últimos dias de pré-campanha

Programa Entrelinhas, da Rádio Universidade de Coimbra, recebeu esta semana o último debate a dois para as eleições à Câmara Municipal de Coimbra, colocando frente a frente Francisco Queiroz, candidato da CDU, e Maria Lencastre Portugal, candidata do Chega. O encontro centrou-se em quatro grandes temas: Universidade, habitação, cultura e sustentabilidade.

Francisco Queiroz sublinhou a importância histórica e estratégica da Universidade para Coimbra e para o país, defendendo uma ligação estreita entre a academia, o ensino superior e a autarquia. O candidato da CDU destacou ainda o apoio às lutas estudantis contra o aumento das propinas, que considera um entrave à democratização do ensino.

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Já Maria Lencastre Portugal criticou a posição da Associação Académica de Coimbra, que em 2022 aprovou em Assembleia Magna a não colaboração com o Chega, mas garantiu que, caso seja eleita, manterá uma postura de “abertura e diálogo”. Reforçou a sua experiência de quase três décadas na área do alojamento e bolsas de estudo, afirmando conhecer “de perto” as dificuldades dos estudantes.

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Habitação e alojamento local

A habitação foi um dos pontos mais quentes do debate. Francisco Queiroz caracterizou-a como “um dos mais graves problemas sociais do país”, defendendo uma política sólida de construção pública e cooperativa, com maior apoio do Estado e da ação social escolar. Sublinhou também a necessidade de novas residências universitárias e alertou para os riscos da expansão do alojamento local, que, sem regras, poderá acelerar a gentrificação da baixa e da alta da cidade.

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Maria Lencastre contrapôs que as residências universitárias de Coimbra já oferecem resposta suficiente para bolseiros e não bolseiros, embora com a limitação dos quartos partilhados. Considerou, contudo, injusto o regulamento de atribuição de bolsas e pediu maior equidade no apoio às famílias da classe média. Quanto ao alojamento local, defendeu um controlo mediante taxas e negociação com proprietários, com vista à disponibilização de imóveis a custos controlados.

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Cultura: elitismo ou democratização?

Na área da cultura, as divergências foram claras. Para a candidata do Chega, Coimbra tem uma “cultura elitista”, inacessível a muitas famílias devido ao preço dos bilhetes, apontando como exemplo o Convento São Francisco. Prometeu investir no associativismo, nos grupos culturais e folclóricos e tornar a programação cultural “acessível a todos”.

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Francisco Queiroz defendeu uma política cultural mais estruturada e menos dependente de “eventos pontuais e turísticos”. A CDU propõe o reforço do apoio ao movimento associativo, a criação de uma Casa das Associações e o desenvolvimento de públicos para o teatro, o cinema e os museus. Para o candidato, a cultura deve ser vista como “um fator de humanização da cidade”.

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Sustentabilidade e espaços verdes

A sustentabilidade encerrou o debate. Maria Lencastre acusou a Câmara de descurar os espaços verdes e a limpeza urbana, considerando-os uma ameaça à qualidade de vida e à saúde pública.

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Francisco Queiroz reconheceu a necessidade de mais corredores verdes e requalificação de jardins, destacando o cadastro do arvoredo urbano como um avanço recente. Alertou ainda para a gravidade do problema dos resíduos e para a situação do aterro de Vil de Matos, que já ultrapassou a sua capacidade e chegou a provocar descargas poluentes no rio Mondego.

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O ciclo de debates a dois promovido pela Rádio Universidade de Coimbra chega assim ao fim. A 6 de outubro, no Teatro Académico de Gil Vicente, terá lugar o grande debate entre todos os candidatos à Câmara Municipal de Coimbra. As eleições estão marcadas para 12 de outubro.

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